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Norma e variação: neologia no jornal A Bola e nos dicionários de referência para o português contemporâneo

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Resumo:Pelo papel que se atribui a um dicionário de língua geral de referência para o Português e pelo que dele se espera, o de esclarecer o consulente, sobretudo no que à ortografia diz respeito, como acervo lexical que é, importa discutir o tratamento dado pelas nossas obras lexicográficas à inovação lexical que todos os dias chega às nossas mãos pela imprensa escrita e ao efectivo uso que os falantes dão à língua. Enquanto falante e responsável pelo bom uso, é comum ser confrontada com um sentimento de dever não cumprido por parte dos dicionários gerais de língua, não dando estes conta da inovação lexical, sobretudo nas linguagens de especialidade que fluem pela língua geral. Para tal, analisar-se-á a linguagem do desporto: pela influência que tem na sociedade portuguesa está mais propicia a produtividade lexical. Com o presente estudo, uma amostra empírica desse mesmo sentimento, conclui-se que a inexistência de uma norma firmada e orientadora da variação provoca, por um lado, desordenamento ortográfico e, por outro, uma barreira entre falante e informação. Assim, a partir do método data-driven de análise, são discutidos alguns casos representativos de grafias irregulares que espero contribuírem para uma nova realidade a dar à língua portuguesa por parte das instâncias com força de expressão e difusão, como a ortografia, os dicionários, a escola e os meios de comunicação social, para o que é urgente uma norma linguística e a sua salutar co-habitação com a variação. A esta última cabe a descrição e àquela a decisão, consciente da efectiva utilização da língua por parte dos falantes e do dinamismo e interferências que lhe são próprias em contacto dentro e fora das nossas fronteiras. Para este fim, são as seguintes as linhas orientadoras deste estudo: 1. A recolha de candidatos a neologismos da linguagem do desporto tendo por corpus-texto 23 edições do jornal diário A Bola; 2. A verificação da atestação dos candidatos nos dicionários gerais de referência para o português contemporâneo; 3. A análise dos dados, que dão a conhecer a realidade lexical actual em Portugal – cerca de 1200 itens à margem dos repertórios lexicais –, e denunciam a urgência de uma norma linguística.
Autores principais:Carvalheiro, Catarina Isabel Duarte
Assunto:Língua portuguesa Neologismos Variação linguística Norma linguística Lexicografia Teses de mestrado - 2011
Ano:2011
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Pelo papel que se atribui a um dicionário de língua geral de referência para o Português e pelo que dele se espera, o de esclarecer o consulente, sobretudo no que à ortografia diz respeito, como acervo lexical que é, importa discutir o tratamento dado pelas nossas obras lexicográficas à inovação lexical que todos os dias chega às nossas mãos pela imprensa escrita e ao efectivo uso que os falantes dão à língua. Enquanto falante e responsável pelo bom uso, é comum ser confrontada com um sentimento de dever não cumprido por parte dos dicionários gerais de língua, não dando estes conta da inovação lexical, sobretudo nas linguagens de especialidade que fluem pela língua geral. Para tal, analisar-se-á a linguagem do desporto: pela influência que tem na sociedade portuguesa está mais propicia a produtividade lexical. Com o presente estudo, uma amostra empírica desse mesmo sentimento, conclui-se que a inexistência de uma norma firmada e orientadora da variação provoca, por um lado, desordenamento ortográfico e, por outro, uma barreira entre falante e informação. Assim, a partir do método data-driven de análise, são discutidos alguns casos representativos de grafias irregulares que espero contribuírem para uma nova realidade a dar à língua portuguesa por parte das instâncias com força de expressão e difusão, como a ortografia, os dicionários, a escola e os meios de comunicação social, para o que é urgente uma norma linguística e a sua salutar co-habitação com a variação. A esta última cabe a descrição e àquela a decisão, consciente da efectiva utilização da língua por parte dos falantes e do dinamismo e interferências que lhe são próprias em contacto dentro e fora das nossas fronteiras. Para este fim, são as seguintes as linhas orientadoras deste estudo: 1. A recolha de candidatos a neologismos da linguagem do desporto tendo por corpus-texto 23 edições do jornal diário A Bola; 2. A verificação da atestação dos candidatos nos dicionários gerais de referência para o português contemporâneo; 3. A análise dos dados, que dão a conhecer a realidade lexical actual em Portugal – cerca de 1200 itens à margem dos repertórios lexicais –, e denunciam a urgência de uma norma linguística.