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Depression and inflammatory bowel disease: a bidirectional pathway?

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Resumo:A Doença Inflamatória Intestinal (DII), uma doença inflamatória crónica e recorrente do trato gastrointestinal, inclui a Doença de Crohn (DC) e a Colite Ulcerosa (CU), doenças estas consideras idiopáticas. Os tratamentos da DII são bastante limitados e crónicos, uma vez que o tratamento farmacológico é conhecido pela sua longa duração. As abordagens terapêuticas existentes ainda representam um grande risco, expondo o doente a efeitos adversos indesejados. Esta doença tem, assim, um grande impacto na vida dos indivíduos. As doenças crónicas exigem aptidões específicas dos doentes, como a própria capacidade de lidar com a doença e a gestão da terapêutica (1). Estudos indicam que os doentes crónicos apresentam uma maior predisposição para distúrbios psicológicos comparativamente a uma população saudável, sendo que, quanto mais sintomática for a doença, maior a probabilidade de haver consequências a nível da saúde mental. Fatores como a dor, limitações físicas e a frequência de exacerbações, sejam progressivas ou episódicas, são potenciais geradores de um impacto negativo na saúde mental e bem-estar geral dos doentes (2,3). Assim, sabendo o impacto das doenças crónicas na vida dos doentes, coloca-se como hipótese o desenvolvimento de doenças mentais, mais especificamente a depressão, em doentes que sofram da DII, patologia esta que por vezes é considerada de difícil gestão terapêutica e até mesmo social, aquando as suas exacerbações, devido ao seu teor de imprevisibilidade, incurabilidade, risco de cirurgia, sintomas graves e efeitos adversos da terapêutica. O objetivo desta monografia é estudar e aprofundar a possível ligação bidirecional entre as doenças inflamatórias intestinais e as perturbações mentais, como a depressão. Esta hipótese de uma ligação bidirecional provém de ambas as patologias partilharem uma via imuno-inflamatória, em que se verifica uma ativação do sistema imunitário e do desenvolvimento de um processo inflamatório, por estímulo do stress oxidativo presente. Para além disto, as doenças mentais e as DII também partilham fatores de risco ambientais, comportamentais e genéticos. O stress oxidativo é um processo biológico que ambas as doenças possuem, podendo estar presente em ambas como fator etiológico ou como fator preponderante de exacerbações, representando uma complicação do desenvolvimento e agravamento da patologia. Para a comunidade científica esta ligação permanece por esclarecer, quer sejam as doenças psiquiátricas que precedem as doenças inflamatórias intestinais, atuando como um fator etiológico das mesmas, ou se, pelo contrário, demonstram um comportamento de sequela, como uma consequência das DII (4).
Autores principais:Vieira, Helena Catarina Pereira
Assunto:Inflammatory bowel diseases Oxidative stress Mental disorders Depression Oxygen reactive species Mestrado integrado - 2020
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:inglês
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A Doença Inflamatória Intestinal (DII), uma doença inflamatória crónica e recorrente do trato gastrointestinal, inclui a Doença de Crohn (DC) e a Colite Ulcerosa (CU), doenças estas consideras idiopáticas. Os tratamentos da DII são bastante limitados e crónicos, uma vez que o tratamento farmacológico é conhecido pela sua longa duração. As abordagens terapêuticas existentes ainda representam um grande risco, expondo o doente a efeitos adversos indesejados. Esta doença tem, assim, um grande impacto na vida dos indivíduos. As doenças crónicas exigem aptidões específicas dos doentes, como a própria capacidade de lidar com a doença e a gestão da terapêutica (1). Estudos indicam que os doentes crónicos apresentam uma maior predisposição para distúrbios psicológicos comparativamente a uma população saudável, sendo que, quanto mais sintomática for a doença, maior a probabilidade de haver consequências a nível da saúde mental. Fatores como a dor, limitações físicas e a frequência de exacerbações, sejam progressivas ou episódicas, são potenciais geradores de um impacto negativo na saúde mental e bem-estar geral dos doentes (2,3). Assim, sabendo o impacto das doenças crónicas na vida dos doentes, coloca-se como hipótese o desenvolvimento de doenças mentais, mais especificamente a depressão, em doentes que sofram da DII, patologia esta que por vezes é considerada de difícil gestão terapêutica e até mesmo social, aquando as suas exacerbações, devido ao seu teor de imprevisibilidade, incurabilidade, risco de cirurgia, sintomas graves e efeitos adversos da terapêutica. O objetivo desta monografia é estudar e aprofundar a possível ligação bidirecional entre as doenças inflamatórias intestinais e as perturbações mentais, como a depressão. Esta hipótese de uma ligação bidirecional provém de ambas as patologias partilharem uma via imuno-inflamatória, em que se verifica uma ativação do sistema imunitário e do desenvolvimento de um processo inflamatório, por estímulo do stress oxidativo presente. Para além disto, as doenças mentais e as DII também partilham fatores de risco ambientais, comportamentais e genéticos. O stress oxidativo é um processo biológico que ambas as doenças possuem, podendo estar presente em ambas como fator etiológico ou como fator preponderante de exacerbações, representando uma complicação do desenvolvimento e agravamento da patologia. Para a comunidade científica esta ligação permanece por esclarecer, quer sejam as doenças psiquiátricas que precedem as doenças inflamatórias intestinais, atuando como um fator etiológico das mesmas, ou se, pelo contrário, demonstram um comportamento de sequela, como uma consequência das DII (4).