Publicação
Ventricular arrhythmia risk stratification in patients with repaired Tetralogy of Fallot
| Resumo: | Introdução: A tetralogia de Fallot (TOF) é a cardiopatia congénita cianótica mais comum, sendo o resultado da combinação de quatro anomalias anatómicas (comunicação interventricular, estenose do trato de saída do ventrículo direito, cavalgamento da raiz da aorta e hipertrofia ventricular direita). Após reparação cirúrgica, 90% dos doentes atingem a idade adulta. Apesar disso, a cirurgia não é curativa, mas sim paliativa, e complicações a longo-prazo incluem arritmias ventriculares (com uma incidência de 4-14%). Vários estudos publicados identificaram fatores que podem ser indicadores de um maior risco de desenvolvimento deste tipo de arritmias, mas atualmente não existe nenhuma escala de estratificação de risco consensual. Objetivos: O objetivo deste trabalho é documentar a ocorrência de arritmias e identificar possíveis fatores de risco que possam estar associados ao desenvolvimento desse tipo de eventos em doentes submetidos a reparação cirúrgica da tetralogia de Fallot de modo a contribuir para a identificação dos doentes de alto risco que possam beneficiar de intervenções de prevenção primária atualmente disponíveis. Métodos: Foi realizado um estudo descritivo transversal retrospetivo no centro de referência de Cardiopatias Congénitas do Hospital de Santa Marta. O estudo incluiu 165 doentes com TOF reparada (127 controlos e 38 casos). Os critérios de inclusão abrangeram doentes com TOF submetidos a pelo menos uma tentativa de reparação cirúrgica completa. Foi feita uma análise estatística dos dados clínicos, eletrocardiográficos e imagiológicos utilizando o IBM SPSS Statistics software, version 26 (SPSS Inc., Chicago IL), tendo os resultados sido comparados com a informação atualmente disponível na literatura. Resultados: Na análise univariada, os preditores da ocorrência de arritmias foram a presença de defeito do septo interventricular residual (OR 4.17, p=0.0001), a fração de ejeção do ventrículo esquerdo (OR 3.93; p=0.0001), disfunção pelo menos moderada do ventrículo direito (OR 2.8; P=0.002), idade aquando da reparação (OR 1.8, p=0.0001), idade do doente aquando da documentação do primeiro evento arrítmico (OR 1.5/ano; p=0.0001), regurgitação pulmonar pelo menos moderada (OR 1.38; p=0.047), número de cirurgias cardíacas (OR 1.2; p=0.002), duração do QRS (OR 1.12/mseg de aumento;p=0.0001) e o strain da aurícula direita (OR 1.2; p=0.04) e do ventrículo direito (OR 1.3; p=0.03). Na análise multivariada, com maior valor preditivo, os principais determinantes de arritmias foram a idade aquando da reparação, a presença de disfunção do ventrículo esquerdo ou direito, a presença de defeito do septo interventricular residual e o strain do coração direito. Conclusão: Este estudo demonstrou que a idade do doente, a idade aquando da reparação, o número de cirurgias cardíacas, prolongamento do QRS, diminuição da fração de ejeção do ventrículo esquerdo, regurgitação pulmonar pelo menos moderada, defeito do septo interventricular residual e um menor strain do ventrículo e aurícula direitos constituem preditores de risco de eventos arrítmicos, nomeadamente taquiarritmias auriculares e ventriculares. É recomendada a realização de estudos prospetivos futuros que fundamentem estes dados. |
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| Autores principais: | Gaspar, Mariana Leal |
| Assunto: | Tetralogia de Fallot reparada Arritmias Factores de risco Estratificação de risco |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | inglês |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Introdução: A tetralogia de Fallot (TOF) é a cardiopatia congénita cianótica mais comum, sendo o resultado da combinação de quatro anomalias anatómicas (comunicação interventricular, estenose do trato de saída do ventrículo direito, cavalgamento da raiz da aorta e hipertrofia ventricular direita). Após reparação cirúrgica, 90% dos doentes atingem a idade adulta. Apesar disso, a cirurgia não é curativa, mas sim paliativa, e complicações a longo-prazo incluem arritmias ventriculares (com uma incidência de 4-14%). Vários estudos publicados identificaram fatores que podem ser indicadores de um maior risco de desenvolvimento deste tipo de arritmias, mas atualmente não existe nenhuma escala de estratificação de risco consensual. Objetivos: O objetivo deste trabalho é documentar a ocorrência de arritmias e identificar possíveis fatores de risco que possam estar associados ao desenvolvimento desse tipo de eventos em doentes submetidos a reparação cirúrgica da tetralogia de Fallot de modo a contribuir para a identificação dos doentes de alto risco que possam beneficiar de intervenções de prevenção primária atualmente disponíveis. Métodos: Foi realizado um estudo descritivo transversal retrospetivo no centro de referência de Cardiopatias Congénitas do Hospital de Santa Marta. O estudo incluiu 165 doentes com TOF reparada (127 controlos e 38 casos). Os critérios de inclusão abrangeram doentes com TOF submetidos a pelo menos uma tentativa de reparação cirúrgica completa. Foi feita uma análise estatística dos dados clínicos, eletrocardiográficos e imagiológicos utilizando o IBM SPSS Statistics software, version 26 (SPSS Inc., Chicago IL), tendo os resultados sido comparados com a informação atualmente disponível na literatura. Resultados: Na análise univariada, os preditores da ocorrência de arritmias foram a presença de defeito do septo interventricular residual (OR 4.17, p=0.0001), a fração de ejeção do ventrículo esquerdo (OR 3.93; p=0.0001), disfunção pelo menos moderada do ventrículo direito (OR 2.8; P=0.002), idade aquando da reparação (OR 1.8, p=0.0001), idade do doente aquando da documentação do primeiro evento arrítmico (OR 1.5/ano; p=0.0001), regurgitação pulmonar pelo menos moderada (OR 1.38; p=0.047), número de cirurgias cardíacas (OR 1.2; p=0.002), duração do QRS (OR 1.12/mseg de aumento;p=0.0001) e o strain da aurícula direita (OR 1.2; p=0.04) e do ventrículo direito (OR 1.3; p=0.03). Na análise multivariada, com maior valor preditivo, os principais determinantes de arritmias foram a idade aquando da reparação, a presença de disfunção do ventrículo esquerdo ou direito, a presença de defeito do septo interventricular residual e o strain do coração direito. Conclusão: Este estudo demonstrou que a idade do doente, a idade aquando da reparação, o número de cirurgias cardíacas, prolongamento do QRS, diminuição da fração de ejeção do ventrículo esquerdo, regurgitação pulmonar pelo menos moderada, defeito do septo interventricular residual e um menor strain do ventrículo e aurícula direitos constituem preditores de risco de eventos arrítmicos, nomeadamente taquiarritmias auriculares e ventriculares. É recomendada a realização de estudos prospetivos futuros que fundamentem estes dados. |
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