Publicação
Causas de cegueira súbita bilateral em cães e gatos : a propósito de 117 casos clínicos
| Resumo: | A cegueira súbita bilateral é um sinal clínico relativamente raro em cães e gatos. Existem inúmeras etiologias primárias para esta ocorrência, que vão desde causas oftalmológicas até causas centrais/neurológicas. A presente dissertação de mestrado aborda as causas mais frequentemente diagnosticadas nestas espécies, tentando contribuir para um aprofundamento do conhecimento nesta área da medicina veterinária. A amostra deste estudo foi constituída por 117 cães e gatos com cegueira súbita bilateral, que se apresentaram em consulta no HEV-FMV, entre 01 de janeiro de 2011 e 31 de outubro de 2022. Com recurso ao Guruvet, foram recolhidos dados relativos à espécie, sexo, idade, raça e diagnóstico da causa primária de cegueira. Estes dados foram posteriormente analisados com recurso a métodos de estatística descritiva e analítica. Dos 48712 cães e 21350 gatos registados na base de dados no período referido, 92 cães (0,19%) e 25 gatos (0,12%) apresentaram cegueira súbita bilateral. Em ambas as espécies, a maioria dos animais não tinham raça definida (cães: 41,3%; gatos: 84%). A raça canina com maior representatividade foi o Yorkshire Terrier (6,52%) e, na espécie felina, foi a raça Persa (12%). A prevalência dos sexos foi semelhante nos dois grupos (cães: 50% machos e 50% fêmeas; gatos: 44% machos e 56% fêmeas). A média de idade dos cães à data do diagnóstico foi 7,73 ± 3,64 anos com mediana de 8 e nos gatos foi 11,52 ± 5,49 anos com mediana de 13. As etiologias primárias com maior prevalência nos cães foram SARDS (sudden acquired retinal degeneration syndrome) (29%), suspeita de problema neurológico/causa central (21%) e descolamento de retina (18%). Nos gatos, as causas mais frequentemente diagnosticadas foram descolamento de retina (48%) e suspeita de problema neurológico/causa central (24%). Em ambas as espécies, estas causas contribuíram para, aproximadamente, 70% da totalidade das etiologias primárias. Causas mais remotas incluíram neurite ótica (cães: 10%; gatos: 4%) e massa intracraniana (cães: 9%; gatos: 4%). As causas inflamatórias foram mais comuns em animais mais jovens. Verificou-se uma predisposição sexual das cadelas para o desenvolvimento de SARDS, tal como está descrito na literatura, e observou-se uma possível predisposição dos machos para a ocorrência de massas intracranianas. Em ambas as espécies, houve uma maior prevalência de causas oftalmológicas de cegueira súbita bilateral, comparativamente com causas centrais/neurológicas |
|---|---|
| Autores principais: | Pacheco, Guilherme Filipe Coelho |
| Assunto: | Cegueira súbita bilateral Cães Gatos SARDS Descolamento de retina Bilateral sudden blindness Dogs Cats SARDS Retinal detachment |
| Ano: | 2023 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A cegueira súbita bilateral é um sinal clínico relativamente raro em cães e gatos. Existem inúmeras etiologias primárias para esta ocorrência, que vão desde causas oftalmológicas até causas centrais/neurológicas. A presente dissertação de mestrado aborda as causas mais frequentemente diagnosticadas nestas espécies, tentando contribuir para um aprofundamento do conhecimento nesta área da medicina veterinária. A amostra deste estudo foi constituída por 117 cães e gatos com cegueira súbita bilateral, que se apresentaram em consulta no HEV-FMV, entre 01 de janeiro de 2011 e 31 de outubro de 2022. Com recurso ao Guruvet, foram recolhidos dados relativos à espécie, sexo, idade, raça e diagnóstico da causa primária de cegueira. Estes dados foram posteriormente analisados com recurso a métodos de estatística descritiva e analítica. Dos 48712 cães e 21350 gatos registados na base de dados no período referido, 92 cães (0,19%) e 25 gatos (0,12%) apresentaram cegueira súbita bilateral. Em ambas as espécies, a maioria dos animais não tinham raça definida (cães: 41,3%; gatos: 84%). A raça canina com maior representatividade foi o Yorkshire Terrier (6,52%) e, na espécie felina, foi a raça Persa (12%). A prevalência dos sexos foi semelhante nos dois grupos (cães: 50% machos e 50% fêmeas; gatos: 44% machos e 56% fêmeas). A média de idade dos cães à data do diagnóstico foi 7,73 ± 3,64 anos com mediana de 8 e nos gatos foi 11,52 ± 5,49 anos com mediana de 13. As etiologias primárias com maior prevalência nos cães foram SARDS (sudden acquired retinal degeneration syndrome) (29%), suspeita de problema neurológico/causa central (21%) e descolamento de retina (18%). Nos gatos, as causas mais frequentemente diagnosticadas foram descolamento de retina (48%) e suspeita de problema neurológico/causa central (24%). Em ambas as espécies, estas causas contribuíram para, aproximadamente, 70% da totalidade das etiologias primárias. Causas mais remotas incluíram neurite ótica (cães: 10%; gatos: 4%) e massa intracraniana (cães: 9%; gatos: 4%). As causas inflamatórias foram mais comuns em animais mais jovens. Verificou-se uma predisposição sexual das cadelas para o desenvolvimento de SARDS, tal como está descrito na literatura, e observou-se uma possível predisposição dos machos para a ocorrência de massas intracranianas. Em ambas as espécies, houve uma maior prevalência de causas oftalmológicas de cegueira súbita bilateral, comparativamente com causas centrais/neurológicas |
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