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Indicadores de parasitose interna no hemograma de aves selvagens

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Resumo:As aves e sua fauna parasitológica são excelentes indicadores do ecossistema, refletindo não só a saúde deste, mas de toda a cadeia alimentar. Um método para a avaliação do seu estado clínico é a hematologia, que revela o estado de saúde e resposta do indivíduo a vários fatores, sendo uma ferramenta importante na conservação de espécies silvestres. Tendo por objetivo o estudo da fauna parasitológica interna das aves e da existência de relações entre os parâmetros hematológicos e o parasitismo, foram realizadas entre os meses de janeiro e maio de 2015, análises hematológicas e coprológicas em 40 aves ingressadas no Grupo de Rehabilitación de la Fauna Autóctona y su Habitat (GREFA) em Madrid, Espanha, pertencentes a 19 espécies, posteriormente divididas em seis grupos funcionais. Foi analisada a relação entre a ecologia das espécies analisadas, causa de ingresso dos indivíduos e a existência do parasitismo e respetivas características, bem como a relação entre as características referidas do parasitismo e alguns parâmetros hematológicos considerados relevantes. A prevalência de infeção nas amostras fecais foi de 58,82%, tendo-se identificado Capillaria sp., Synhimantus sp., exemplares de Cestoda e Coccidia (Sarcocystis sp. e oocistos não esporulados). Nos esfregaços sanguíneos a prevalência foi de 23,3%, tendo-se identificado Leucocytozoon sp. e Plasmodium sp. Foi identificado poliparasitismo gastrointestinal e hemático em 20% da amostra. Este é também potencialmente o primeiro registo europeu de relação parasita-hospedeiro entre o género Capillaria sp. e as espécies Circus aeruginosus e Falco columbarius. As relações entre Plasmodium sp. e Circus aeruginosus e Falco tinnunculus são também potencialmente os primeiros registos, respetivamente, europeu e ibérico. Foram encontradas associações significativas entre o parasitismo e suas características, e as variáveis ecológicas, clínicas e hematológicas consideradas, nomeadamente o grupo funcional, a causa de ingresso e o valor relativo de linfócitos. Estes resultados sugerem que a predisposição à parasitose depende dos hábitos ecológicos, estado hígido prévio do animal e interação entre parasitas. O presente estudo poderá servir de base para investigação futura deste tema, fornecendo mais dados de forma a facilitar a deteção e resposta adequadas a alterações no ecossistema.
Autores principais:Mendes, Susana Cristina Morgado
Assunto:Aves silvestres Parasitismo interno Características hematológicas Hemoparasitas Helmintes Coccídeas GREFA Espanha Avian Wildlife Internal parasites Hematological characteristics Blood parasites Helminths Coccidea Spain
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:As aves e sua fauna parasitológica são excelentes indicadores do ecossistema, refletindo não só a saúde deste, mas de toda a cadeia alimentar. Um método para a avaliação do seu estado clínico é a hematologia, que revela o estado de saúde e resposta do indivíduo a vários fatores, sendo uma ferramenta importante na conservação de espécies silvestres. Tendo por objetivo o estudo da fauna parasitológica interna das aves e da existência de relações entre os parâmetros hematológicos e o parasitismo, foram realizadas entre os meses de janeiro e maio de 2015, análises hematológicas e coprológicas em 40 aves ingressadas no Grupo de Rehabilitación de la Fauna Autóctona y su Habitat (GREFA) em Madrid, Espanha, pertencentes a 19 espécies, posteriormente divididas em seis grupos funcionais. Foi analisada a relação entre a ecologia das espécies analisadas, causa de ingresso dos indivíduos e a existência do parasitismo e respetivas características, bem como a relação entre as características referidas do parasitismo e alguns parâmetros hematológicos considerados relevantes. A prevalência de infeção nas amostras fecais foi de 58,82%, tendo-se identificado Capillaria sp., Synhimantus sp., exemplares de Cestoda e Coccidia (Sarcocystis sp. e oocistos não esporulados). Nos esfregaços sanguíneos a prevalência foi de 23,3%, tendo-se identificado Leucocytozoon sp. e Plasmodium sp. Foi identificado poliparasitismo gastrointestinal e hemático em 20% da amostra. Este é também potencialmente o primeiro registo europeu de relação parasita-hospedeiro entre o género Capillaria sp. e as espécies Circus aeruginosus e Falco columbarius. As relações entre Plasmodium sp. e Circus aeruginosus e Falco tinnunculus são também potencialmente os primeiros registos, respetivamente, europeu e ibérico. Foram encontradas associações significativas entre o parasitismo e suas características, e as variáveis ecológicas, clínicas e hematológicas consideradas, nomeadamente o grupo funcional, a causa de ingresso e o valor relativo de linfócitos. Estes resultados sugerem que a predisposição à parasitose depende dos hábitos ecológicos, estado hígido prévio do animal e interação entre parasitas. O presente estudo poderá servir de base para investigação futura deste tema, fornecendo mais dados de forma a facilitar a deteção e resposta adequadas a alterações no ecossistema.