Publicação

Performance, corpo e inconsciente

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Pretendemos revalorizar o corpo como espaço trágico de experiência pessoal e artística. As motivações que levaram ao surgir da performance recuperaram, para o discurso artístico, um conjunto de termos que remetem para um local indefinido e inacessível. Esse lugar é identificado de muitos modos: o lugar onde as almas se movem, o invisível que suporta o visível ou o inconsciente. A performance propõe valorizar um estado corporal de interrogação, um estado do ser, entre a arte e a vida, que abre e fecha corpo para deixar passar a paixão do conhecimento. Abrir e fechar o corpo para deixar que a arte e a vida se permeiem em discursos transformadores, adotando os dispositivos artísticos como seu léxico. Estes contêm um poder instável parente da interrogação, dando substância ao acontecimento das obras e ao seu desaparecimento. Os dispositivos artísticos revalorizam o poder do corpo do artista e do fruidor. O corpo do artista sublinha a força expressiva subjetiva e o espectador inscreve a obra de arte performativa no domínio social e histórico refazendo o passado. Ao se tornar expressão discursiva reorganizam a história, em função da visão pessoal dos seus autores, introduzindo tensão no sistema a-histórico, a cada nova performance. A união do artista com o fruidor introduz de modo similar às práticas religiosas e ao começo das psicologias analíticas, cujo denominador comum é a vinculação dos corpos (médico/paciente; padre/crente), um valor baseado num sistema de opostos. O corpo habitado por forças opostas expressa-se enquanto ponto plural intangível que ao longo dos tempos foi ganhando forma. Recorde-se o que são os sonhos ou as mitologias. Investigámos os movimentos da energia psíquica alheios à vontade consciente e que manifestam uma conexão íntima com o inconsciente através da performance. Esta revelou-se um espelho de sentimentos civilizacionais colectivos, ligados entre si através do inconsciente, que advertem contra a excessiva fragmentação do corpo nos sistemas externos da consciência. A problemática da performance liga a sua atividade artística ao mundo interior, abeirando-se de forças que o racional tecnológico desvaloriza. E, ao apropriarse dessa problemática, assume paradoxalmente, através dos seus dispositivos artísticos, fatores de enclausuramento tecnológico, transformando a vida através da arte em coisa artística. No entanto, ao fazê-lo, produz novas aberturas no presente interrogando-o simbolicamente. Deste modo, a performance recupera o fim da história e dá à experiência pessoal um valor artístico.
Autores principais:Santos, João
Assunto:Kantor, Tradeusz, 1915-1990 Rainer, Arnulf, 1929- Canibalismo Cósmico (Grupo de artistas) Performance art Corpo Aberto Fechado Conhecimento Vida Inconsciente Teses de doutoramento - 2017
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Pretendemos revalorizar o corpo como espaço trágico de experiência pessoal e artística. As motivações que levaram ao surgir da performance recuperaram, para o discurso artístico, um conjunto de termos que remetem para um local indefinido e inacessível. Esse lugar é identificado de muitos modos: o lugar onde as almas se movem, o invisível que suporta o visível ou o inconsciente. A performance propõe valorizar um estado corporal de interrogação, um estado do ser, entre a arte e a vida, que abre e fecha corpo para deixar passar a paixão do conhecimento. Abrir e fechar o corpo para deixar que a arte e a vida se permeiem em discursos transformadores, adotando os dispositivos artísticos como seu léxico. Estes contêm um poder instável parente da interrogação, dando substância ao acontecimento das obras e ao seu desaparecimento. Os dispositivos artísticos revalorizam o poder do corpo do artista e do fruidor. O corpo do artista sublinha a força expressiva subjetiva e o espectador inscreve a obra de arte performativa no domínio social e histórico refazendo o passado. Ao se tornar expressão discursiva reorganizam a história, em função da visão pessoal dos seus autores, introduzindo tensão no sistema a-histórico, a cada nova performance. A união do artista com o fruidor introduz de modo similar às práticas religiosas e ao começo das psicologias analíticas, cujo denominador comum é a vinculação dos corpos (médico/paciente; padre/crente), um valor baseado num sistema de opostos. O corpo habitado por forças opostas expressa-se enquanto ponto plural intangível que ao longo dos tempos foi ganhando forma. Recorde-se o que são os sonhos ou as mitologias. Investigámos os movimentos da energia psíquica alheios à vontade consciente e que manifestam uma conexão íntima com o inconsciente através da performance. Esta revelou-se um espelho de sentimentos civilizacionais colectivos, ligados entre si através do inconsciente, que advertem contra a excessiva fragmentação do corpo nos sistemas externos da consciência. A problemática da performance liga a sua atividade artística ao mundo interior, abeirando-se de forças que o racional tecnológico desvaloriza. E, ao apropriarse dessa problemática, assume paradoxalmente, através dos seus dispositivos artísticos, fatores de enclausuramento tecnológico, transformando a vida através da arte em coisa artística. No entanto, ao fazê-lo, produz novas aberturas no presente interrogando-o simbolicamente. Deste modo, a performance recupera o fim da história e dá à experiência pessoal um valor artístico.