Publicação
Química-mineral de pirocloros associados a formações carbonatíticas do Bailundo (Angola): sua utilização como possíveis indicadores petrogenéticos e metalogenéticos
| Resumo: | A mega-província carbonatítica Brasil-Angola é descrita em Lapido Loureiro (1995) como uma enorme unidade geológica, petrograficamente semelhante nas suas litologias constituintes, metalogeneticamente homogénea pelas suas mineralizações, e geográfico/geocronologicamente coerente quando considerada no contexto ante-abertura do Atlântico. Esta unidade é constituída por um vasto conjunto de complexos carbonatíticos que se distribuem segundo uma direcção NE-SW em ambas as margens do Atlântico Sul. O Complexo Carbonatítico do Bailundo (CCB, em Mungo, Angola) insere-se na Diagonal Transangolana, uma subunidade da mega-província carbonatítica Brasil-Angola, e corresponde a uma estrutura sub-intrusiva anelar, constituída por um núcleo ferro-carbonatítico, um anel sovítico interno, um anel fenítico exterior sobrelevado e um espesso manto colúvio-eluvionar; em profundidade ocorrem também veios glimeríticos. O corpo carbonatítico do Bailundo contém numerosas fases minerais acessórias de interesse geológico e/ou económico, entre as quais de pirocloro, cuja composição é descrita pela fórmula geral A2–m B2 X6–w Y1–n, (em que A = Na, Ca, Ba, Sr, Fe2+, Pb2+, ETR, U, Th, □; B = Nb, Ti, Ta, Zr; X = O ± OH e F; Y = OH–, F, O, □). Os minerais do grupo do pirocloro do Bailundo caracterizam-se pela sua enorme variabilidade composicional, o que os torna úteis à compreensão da evolução dos sistemas onde ocorrem, uma vez que registam na sua química mineral os diferentes eventos a que foram sujeitos após a sua génese, nomeadamente modificações metassomáticas e supergénicas tardias. O pirocloro pode ainda servir como guia para mineralizações interessantes (e.g. Nb, Fe) pois assinala na sua composição química indícios de eventuais episódios de concentração de metais económicos. Nos capítulos introdutórios desta dissertação pretende-se descrever de uma forma relativamente pormenorizada: i) a génese dos complexos carbonatíticos, nomeadamente de Angola, com enfâse individual no complexo do Bailundo, ii) a caracterização dos minerais do supergrupo do pirocloro (onde se enquadra o grupo do pirocloro), relatando as suas propriedades cristaloquímicas, efeitos de alteração mais comuns, entre outras particularidades, iii) as metodologias utilizadas neste estudo, e iv) uma análise petrográfica sumária das várias amostras do Bailundo disponibilizadas. Segue-se o estudo mais detalhado da química mineral e dos zonamentos primários e texturas de alteração, em função da litologia/profundidade em que ocorrem, tendo sido distinguidas várias populações de pirocloros, o que permitiu inferir algumas ilações sobre a evolução química do mineral: ▪ Pirocloros primários (flúor-cálciopirocloros e hidroxi-cálciopirocloros primários), síncronos da intrusão carbonatítica, com zonamentos concêntricos ou sem qualquer zonamento, ricos essencialmente em Ca, Na e F. Ocorrem em cálcio-carbonatitos frescos e alguns glimeritos, em profundidade, e numa amostra do fenito à superfície. ▪ Pirocloros metassomatizados (hidroxi-cálciopirocloros secundários), destabilizados por processos tardi-magmáticos, onde texturas complexas e difusas obliteram parcial ou totalmente os zonamentos primários, observando-se um empobrecimento sistemático em Na, Ca e F, concomitantes com o aumento de Ti, U, Th, grupos OH- e □. Ocorrem essencialmente em cálcio-carbonatitos metassomatizados e rochas glimeríticas, em profundidade, e numa amostra do fenito à superfície. ▪ Pirocloros supergénicos (hidroxi-cálciopirocloros secundários e hidroxi-báriopirocloros), onde se observam efeitos dos processos da meteorização química (preferencialmente em zonas fracturadas), essencialmente na lixiviação/substituição de Na, Ca, U, Th e F por Ba, Pb, □. Ocorrem em todas as amostras de cálcio-carbonatito e ferro-carbonatito aflorantes. Os pirocloros mais próximos da mineralização de Fe do Bailundo apresentam preenchimentos de óxi-hidróxidos de Fe em veios e fracturas e teores em Pb, F, Ca e Na superiores (e inferiores em Ba, Th, U e □) em relação aos pirocloros das litologias envolventes, o que poderá servir como indicador ou guia de prospecção. Para além dos objectivos principais deste estudo, especulou-se ainda sobre a potencialidade do CCB como hospedeiro de mineralizações de Ba, Ti, P, F, U, Th e ETR com base em diferenciais de concentrações nestes elementos na composição do pirocloro, uma vez que maiores teores no sistema poderão indicar anomalias geoquímicas espaciais. Contudo, é necessário continuar os trabalhos neste depósito para uma compreensão mais aprofundada de possíveis mineralizações. Mais do que um estudo detalhado dos minerais do grupo do pirocloro, esta dissertação serve ainda para corroborar e refinar os dados obtidos em estudos prévios efectuados ao Complexo Carbonatítico do Bailundo, nomeadalmente as dissertações de Lapido Loureiro (1995), Santos (2010), Beleque (2010) e Pereira (2011). |
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| Autores principais: | Roseiro, José Diogo Bivar Weinholtz |
| Assunto: | Pirocloro Complexo carbonítico do Bailundo Geoquímica Metalogenia Prospecção mineral Teses de mestrado - 2017 |
| Ano: | 2017 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A mega-província carbonatítica Brasil-Angola é descrita em Lapido Loureiro (1995) como uma enorme unidade geológica, petrograficamente semelhante nas suas litologias constituintes, metalogeneticamente homogénea pelas suas mineralizações, e geográfico/geocronologicamente coerente quando considerada no contexto ante-abertura do Atlântico. Esta unidade é constituída por um vasto conjunto de complexos carbonatíticos que se distribuem segundo uma direcção NE-SW em ambas as margens do Atlântico Sul. O Complexo Carbonatítico do Bailundo (CCB, em Mungo, Angola) insere-se na Diagonal Transangolana, uma subunidade da mega-província carbonatítica Brasil-Angola, e corresponde a uma estrutura sub-intrusiva anelar, constituída por um núcleo ferro-carbonatítico, um anel sovítico interno, um anel fenítico exterior sobrelevado e um espesso manto colúvio-eluvionar; em profundidade ocorrem também veios glimeríticos. O corpo carbonatítico do Bailundo contém numerosas fases minerais acessórias de interesse geológico e/ou económico, entre as quais de pirocloro, cuja composição é descrita pela fórmula geral A2–m B2 X6–w Y1–n, (em que A = Na, Ca, Ba, Sr, Fe2+, Pb2+, ETR, U, Th, □; B = Nb, Ti, Ta, Zr; X = O ± OH e F; Y = OH–, F, O, □). Os minerais do grupo do pirocloro do Bailundo caracterizam-se pela sua enorme variabilidade composicional, o que os torna úteis à compreensão da evolução dos sistemas onde ocorrem, uma vez que registam na sua química mineral os diferentes eventos a que foram sujeitos após a sua génese, nomeadamente modificações metassomáticas e supergénicas tardias. O pirocloro pode ainda servir como guia para mineralizações interessantes (e.g. Nb, Fe) pois assinala na sua composição química indícios de eventuais episódios de concentração de metais económicos. Nos capítulos introdutórios desta dissertação pretende-se descrever de uma forma relativamente pormenorizada: i) a génese dos complexos carbonatíticos, nomeadamente de Angola, com enfâse individual no complexo do Bailundo, ii) a caracterização dos minerais do supergrupo do pirocloro (onde se enquadra o grupo do pirocloro), relatando as suas propriedades cristaloquímicas, efeitos de alteração mais comuns, entre outras particularidades, iii) as metodologias utilizadas neste estudo, e iv) uma análise petrográfica sumária das várias amostras do Bailundo disponibilizadas. Segue-se o estudo mais detalhado da química mineral e dos zonamentos primários e texturas de alteração, em função da litologia/profundidade em que ocorrem, tendo sido distinguidas várias populações de pirocloros, o que permitiu inferir algumas ilações sobre a evolução química do mineral: ▪ Pirocloros primários (flúor-cálciopirocloros e hidroxi-cálciopirocloros primários), síncronos da intrusão carbonatítica, com zonamentos concêntricos ou sem qualquer zonamento, ricos essencialmente em Ca, Na e F. Ocorrem em cálcio-carbonatitos frescos e alguns glimeritos, em profundidade, e numa amostra do fenito à superfície. ▪ Pirocloros metassomatizados (hidroxi-cálciopirocloros secundários), destabilizados por processos tardi-magmáticos, onde texturas complexas e difusas obliteram parcial ou totalmente os zonamentos primários, observando-se um empobrecimento sistemático em Na, Ca e F, concomitantes com o aumento de Ti, U, Th, grupos OH- e □. Ocorrem essencialmente em cálcio-carbonatitos metassomatizados e rochas glimeríticas, em profundidade, e numa amostra do fenito à superfície. ▪ Pirocloros supergénicos (hidroxi-cálciopirocloros secundários e hidroxi-báriopirocloros), onde se observam efeitos dos processos da meteorização química (preferencialmente em zonas fracturadas), essencialmente na lixiviação/substituição de Na, Ca, U, Th e F por Ba, Pb, □. Ocorrem em todas as amostras de cálcio-carbonatito e ferro-carbonatito aflorantes. Os pirocloros mais próximos da mineralização de Fe do Bailundo apresentam preenchimentos de óxi-hidróxidos de Fe em veios e fracturas e teores em Pb, F, Ca e Na superiores (e inferiores em Ba, Th, U e □) em relação aos pirocloros das litologias envolventes, o que poderá servir como indicador ou guia de prospecção. Para além dos objectivos principais deste estudo, especulou-se ainda sobre a potencialidade do CCB como hospedeiro de mineralizações de Ba, Ti, P, F, U, Th e ETR com base em diferenciais de concentrações nestes elementos na composição do pirocloro, uma vez que maiores teores no sistema poderão indicar anomalias geoquímicas espaciais. Contudo, é necessário continuar os trabalhos neste depósito para uma compreensão mais aprofundada de possíveis mineralizações. Mais do que um estudo detalhado dos minerais do grupo do pirocloro, esta dissertação serve ainda para corroborar e refinar os dados obtidos em estudos prévios efectuados ao Complexo Carbonatítico do Bailundo, nomeadalmente as dissertações de Lapido Loureiro (1995), Santos (2010), Beleque (2010) e Pereira (2011). |
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