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A moda e as modistas em Portugal durante o Estado Novo : as mudanças do pós-guerra (1945-1974)

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Resumo:Propomo-nos, na presente dissertação, contextualizar e apresentar a Moda em Portugal, durante um período assinalável do regime político que em Portugal se designou Estado Novo (1945-1974), com destaque para as influências que recebeu e para as modistas portuguesas que constituíram um marco importante para a Moda nacional nesse tempo. Para tal, serão indicados objectivos específicos de forma a enquadrar o tema de estudo deste trabalho. Começaremos por traçar um enquadramento relativo ao período histórico a ser estudado, fazendo assim a ponte entre a mulher portuguesa, no Estado Novo, o seu estatuto social e o seu contexto na Segunda Guerra Mundial ao fim da ditadura. De seguida, abordaremos o ponto principal da nossa dissertação: a Moda e as Modistas em Portugal no Estado Novo. Este aspecto é fundamental para fazer a ligação entre a moda em Portugal e no estrangeiro, com especial incidência na moda em Paris, uma vez que constituía a maior referência para as mulheres portuguesas da época. Em Portugal, desenvolveram-se várias “Casas de Costura” orientadas por pessoas ditas de “muito bom gosto”, numa altura em que a formação especializada na criação de moda era inexistente no nosso país. De entre as várias Casas de Costura, destacaram-se, em Lisboa, a da Bobone, a da Ana Maravilhas e a da Beatriz Chagas. No Porto, a casa de maior referência é a da Candidinha, cujo nome era incontornável na moda da época. Existiram outras, mas a esta última foi a única que estendeu o seu negócio até à capital. Ainda dentro deste capítulo, faremos referência aos clientes e ao mercado neste sector na época em estudo, onde daremos destaque ao Chiado como centro da Moda em Lisboa e zona privilegiada de aquisição da matéria-prima utilizada na concepção de vestuário. Era também no Chiado que se localizavam os grandes armazéns que divulgavam os últimos figurinos vindos de Paris. Ao falarmos do Chiado e das grandes casas e armazéns que forneciam os tecidos e onde as modistas os adquiriam, não poderemos deixar de referir os desfiles de moda aos quais, na altura, era dada uma grande importância. Para além de haver desfiles nos Grandes Armazéns do Chiado e Grandella, também aconteceram outros, com elevada importância, em edifícios históricos e/ou com elevado interesse arquitectónico e artístico como o Palácio Foz, o Coliseu dos Recreios, o Hotel Ritz, o Casino Estoril e o Palace Hotel (Hotel Palácio do Estoril). Neste último caso, os desfiles ocorreram mais na década de 1960, quando a moda atingiu o seu auge. No período em estudo, a moda feminina, além de muito difundida através das revistas da especialidade (magazines) fonte à qual dedicamos a nossa análise, foi também representada na Pintura de Retrato. Constatado este facto, considerámos pertinente fazer uma abordagem particular a esta fonte iconográfica. Dois pintores de grande referência e aos quais vamos dar destaque como exemplo foram Eduardo Malta (1900-1968) e Henrique Medina (1901-1988), devido ao seu extenso trabalho enquanto retratistas. Em relação ao primeiro, acresce a relação de proximidade que desenvolveu com Oliveira Salazar, a quem retratou. Concluiremos a dissertação fazendo uma menção ao Museu Nacional do Traje, considerado uma instituição pública de referência no que concerne ao traje e à moda em Portugal. Ainda que inaugurado em 1977, o projecto ideológico subjacente à sua criação remete para a década anterior. Assim, ao mesmo tempo que os anos 60 correspondem, a um período de liberdade no domínio da indumentária, traduzindo-se na abertura de casas de Alta-costura no nosso país, cuja revolução continua na década seguinte, originando o romper com os antigos conceitos da elegância e do chique, também se proclama a valorização, conhecimento e divulgação da moda do passado. Em Portugal seguiu-se assim, ainda que tardiamente, o exemplo de outros países onde existiam museus especializados na temática do traje, nomeadamente em Paris com o Musée de la Mode et du Textile, fundado em 1905 e em Madrid com Museo del Traje e Regional e Histórico, fundado em 1925.
Autores principais:Gameiro, Alexandra Weber Ramos Reis
Assunto:Moda - Portugal - 1945-1974 Moda - Periódicos - Portugal - 1945-1974 Desfiles de moda - Portugal - 1945-1974 Moda - Na arte Mulheres - Condições sociais - Portugal - 1945-1974 Teses de mestrado - 2017
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Propomo-nos, na presente dissertação, contextualizar e apresentar a Moda em Portugal, durante um período assinalável do regime político que em Portugal se designou Estado Novo (1945-1974), com destaque para as influências que recebeu e para as modistas portuguesas que constituíram um marco importante para a Moda nacional nesse tempo. Para tal, serão indicados objectivos específicos de forma a enquadrar o tema de estudo deste trabalho. Começaremos por traçar um enquadramento relativo ao período histórico a ser estudado, fazendo assim a ponte entre a mulher portuguesa, no Estado Novo, o seu estatuto social e o seu contexto na Segunda Guerra Mundial ao fim da ditadura. De seguida, abordaremos o ponto principal da nossa dissertação: a Moda e as Modistas em Portugal no Estado Novo. Este aspecto é fundamental para fazer a ligação entre a moda em Portugal e no estrangeiro, com especial incidência na moda em Paris, uma vez que constituía a maior referência para as mulheres portuguesas da época. Em Portugal, desenvolveram-se várias “Casas de Costura” orientadas por pessoas ditas de “muito bom gosto”, numa altura em que a formação especializada na criação de moda era inexistente no nosso país. De entre as várias Casas de Costura, destacaram-se, em Lisboa, a da Bobone, a da Ana Maravilhas e a da Beatriz Chagas. No Porto, a casa de maior referência é a da Candidinha, cujo nome era incontornável na moda da época. Existiram outras, mas a esta última foi a única que estendeu o seu negócio até à capital. Ainda dentro deste capítulo, faremos referência aos clientes e ao mercado neste sector na época em estudo, onde daremos destaque ao Chiado como centro da Moda em Lisboa e zona privilegiada de aquisição da matéria-prima utilizada na concepção de vestuário. Era também no Chiado que se localizavam os grandes armazéns que divulgavam os últimos figurinos vindos de Paris. Ao falarmos do Chiado e das grandes casas e armazéns que forneciam os tecidos e onde as modistas os adquiriam, não poderemos deixar de referir os desfiles de moda aos quais, na altura, era dada uma grande importância. Para além de haver desfiles nos Grandes Armazéns do Chiado e Grandella, também aconteceram outros, com elevada importância, em edifícios históricos e/ou com elevado interesse arquitectónico e artístico como o Palácio Foz, o Coliseu dos Recreios, o Hotel Ritz, o Casino Estoril e o Palace Hotel (Hotel Palácio do Estoril). Neste último caso, os desfiles ocorreram mais na década de 1960, quando a moda atingiu o seu auge. No período em estudo, a moda feminina, além de muito difundida através das revistas da especialidade (magazines) fonte à qual dedicamos a nossa análise, foi também representada na Pintura de Retrato. Constatado este facto, considerámos pertinente fazer uma abordagem particular a esta fonte iconográfica. Dois pintores de grande referência e aos quais vamos dar destaque como exemplo foram Eduardo Malta (1900-1968) e Henrique Medina (1901-1988), devido ao seu extenso trabalho enquanto retratistas. Em relação ao primeiro, acresce a relação de proximidade que desenvolveu com Oliveira Salazar, a quem retratou. Concluiremos a dissertação fazendo uma menção ao Museu Nacional do Traje, considerado uma instituição pública de referência no que concerne ao traje e à moda em Portugal. Ainda que inaugurado em 1977, o projecto ideológico subjacente à sua criação remete para a década anterior. Assim, ao mesmo tempo que os anos 60 correspondem, a um período de liberdade no domínio da indumentária, traduzindo-se na abertura de casas de Alta-costura no nosso país, cuja revolução continua na década seguinte, originando o romper com os antigos conceitos da elegância e do chique, também se proclama a valorização, conhecimento e divulgação da moda do passado. Em Portugal seguiu-se assim, ainda que tardiamente, o exemplo de outros países onde existiam museus especializados na temática do traje, nomeadamente em Paris com o Musée de la Mode et du Textile, fundado em 1905 e em Madrid com Museo del Traje e Regional e Histórico, fundado em 1925.