Publicação

Istmocelo : revisão da literatura

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Atualmente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza que a taxa de cesarianas não deve ultrapassar os 10% do número total de partos 1. No entanto, segundo o mais recente relatório da OCDE, "Health at a Glance 2019: OECD Indicators”, em Portugal esta taxa encontra-se acima dos valores recomendados (32,5%) 2. Com a taxa crescente do número de cesarianas realizadas, torna-se necessário discutir as possíveis complicações ginecológicas e obstétricas que possam advir deste procedimento, já que, também elas, poderão aumentar. Algumas dessas complicações já se encontram bem caracterizadas e documentadas na literatura, no entanto há outras que só agora estão a emergir, como é o caso do istmocelo/nicho uterino. Não existe ainda uma definição completamente consensual daquilo que é o istmocelo. A grande maioria dos estudos descrevem-o como sendo uma descontinuidade miometrial ou um triângulo hipoecogénico localizado a nível do miométrio da parede uterina anterior, no local da histerotomia de cesariana prévia, muitas vezes detetado em ecografia transvaginal ou em histerosonografia em mulheres não grávidas. Por ser uma complicação associada à cicatriz de cesariana, deve figurar como proposta de diagnóstico diferencial em mulheres com queixas ginecológicas (nomeadamente hemorragias uterinas anómalas e infertilidade secundária) previamente submetidas a este procedimento. O objetivo deste trabalho é apresentar uma revisão integrada da literatura disponível até à data, apresentando não só a definição, classificação e principais fatores de risco para o aparecimento de um istmocelo, mas estabelecendo também uma análise comparativa entre os diversos meios complementares de diagnóstico disponíveis e a melhor conduta terapêutica a adotar: conservadora ou cirúrgica.
Autores principais:Garcia, Ana Rita Dias
Assunto:Cesariana Istmocelo Hemorragias uterinas anómalas Infertilidade Histeroscopia Laparoscopia
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Atualmente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza que a taxa de cesarianas não deve ultrapassar os 10% do número total de partos 1. No entanto, segundo o mais recente relatório da OCDE, "Health at a Glance 2019: OECD Indicators”, em Portugal esta taxa encontra-se acima dos valores recomendados (32,5%) 2. Com a taxa crescente do número de cesarianas realizadas, torna-se necessário discutir as possíveis complicações ginecológicas e obstétricas que possam advir deste procedimento, já que, também elas, poderão aumentar. Algumas dessas complicações já se encontram bem caracterizadas e documentadas na literatura, no entanto há outras que só agora estão a emergir, como é o caso do istmocelo/nicho uterino. Não existe ainda uma definição completamente consensual daquilo que é o istmocelo. A grande maioria dos estudos descrevem-o como sendo uma descontinuidade miometrial ou um triângulo hipoecogénico localizado a nível do miométrio da parede uterina anterior, no local da histerotomia de cesariana prévia, muitas vezes detetado em ecografia transvaginal ou em histerosonografia em mulheres não grávidas. Por ser uma complicação associada à cicatriz de cesariana, deve figurar como proposta de diagnóstico diferencial em mulheres com queixas ginecológicas (nomeadamente hemorragias uterinas anómalas e infertilidade secundária) previamente submetidas a este procedimento. O objetivo deste trabalho é apresentar uma revisão integrada da literatura disponível até à data, apresentando não só a definição, classificação e principais fatores de risco para o aparecimento de um istmocelo, mas estabelecendo também uma análise comparativa entre os diversos meios complementares de diagnóstico disponíveis e a melhor conduta terapêutica a adotar: conservadora ou cirúrgica.