Publicação
Grupo de pares, comportamentos de risco e a saúde dos adolescentes portugueses
| Resumo: | O grupo de pares tem sido identificado como um dos contextos mais importantes para os adolescentes. O presente trabalho tem como objectivo compreender como o grupo de pares influencia os comportamentos de risco e de saúde dos adolescentes portugueses e identificar quais são as variáveis que mais contribuem para essa influencia. Para atingir esse objectivo foram realizados sete estudos, que através de objectivos diversos tentaram chegar ao objectivo geral proposto. Para todos os estudos a amostra utilizada foi a dos adolescentes participantes no estudo nacional realizado em Portugal Continental em 2006, parte integrante do estudo Europeu HBSC – Health Beaviour in School-Aged Children (www.hbsc.org; www.fmh.utl.pt/aventurasocial; www.aventura social.com; Matos et al., 2006). O estudo Português incluiu alunos dos 6º, 8º e 10º anos do ensino público regular com média de idades de 14 anos (DP=1.89). A amostra nacional é constituída por 4877 estudantes. Os resultados obtidos nos estudos um e dois revelaram que o grupo de pares influencia o envolvimento em comportamentos de risco e de saúde dos adolescentes, quando comparados com o relacionamento dos adolescentes com os pais. Os pais surgem em ambos os estudos como mais protectores para a saúde dos adolescentes. No estudo três observou-se que a falta de amigos pode agir como risco para o maior envolvimento em comportamentos relacionados ao consumo de tabaco, álcool ou substâncias ilícitas. Que os adolescentes com menos amigos são mais infelizes, estão menos satisfeitos com a vida e têm menor bem-estar. Já no estudo quatro tentou-se verificar se a qualidade da amizade pode potenciar a influência positiva do grupo de pares e encontrou-se que os adolescentes com mais amigos com qualidade, dentro ou fora da escola, têm menor Resumo XII envolvimento em comportamentos de risco (consumo de tabaco, álcool e substâncias ilícitas), têm menor envolvimento em comportamentos de bullying, enquanto vítimas e provocadores, gostam mais da escola, são mais felizes, estão mais satisfeitos com a vida e têm maiores níveis de bem-estar. Os resultados dos estudos cinco e seis indicam que a influência dos pares ocorre em ambos os géneros, não se verificam evidências que as raparigas sejam mais resistentes à influência do que os rapazes. Quando o grupo de pares tem mais comportamentos de risco a influência surge como mais negativa, enquanto se os amigos têm mais comportamentos de protecção a influência tende a ser mais positiva. A monitorização parental é introduzida em ambos os estudos como variável moderadora da influência dos pares, no entanto o seu efeito moderador só é visível para os sintomas físicos e psicológicos e quando separamos as análises por géneros o seu efeito surge também nos comportamentos de violência. No estudo final (estudo sete) realizou-se um modelo explicativo da influência dos pares, onde se observa que a variável com maior impacto para o menor envolvimento em comportamentos de risco é ter menos amigos com comportamentos de risco. Ter amigos com comportamentos de protecção surge com maior impacto no menor envolvimento em comportamentos de violência. A comunicação com os pais foi a única variável com efeito mediador entre a relação dos adolescentes com os pares e os comportamentos analisados, no entanto esse efeito surge somente para o menor envolvimento em comportamentos de violência (num sentido inverso) e para o bem-estar. Com este trabalho concluímos que os pares têm grande impacto nos comportamentos de risco e de saúde dos adolescentes portugueses. Que a sua influência surge como protectora para o envolvimento em comportamentos de risco quando os amigos têm Resumo XIII menor envolvimento nesses comportamentos ou maior envolvimento em comportamentos de protecção e que potenciam o bem-estar e a saúde quando a comunicação com os amigos é fácil e a amizade é considerada como de qualidade e os amigos têm mais comportamentos de protecção. Com base nos resultados encontrados são adiantadas recomendações a nível da intervenção com os jovens na família, na escola e na comunidade. |
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| Autores principais: | Tomé, Gina Maria Quinás |
| Assunto: | Adolescentes Bem-estar Comportamentos de risco Comportamentos de saúde Grupo de pares Influência do grupo de pares Qualidade da amizade Sentimentos pela escola Solidão Tipo de amigos |
| Ano: | 2011 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O grupo de pares tem sido identificado como um dos contextos mais importantes para os adolescentes. O presente trabalho tem como objectivo compreender como o grupo de pares influencia os comportamentos de risco e de saúde dos adolescentes portugueses e identificar quais são as variáveis que mais contribuem para essa influencia. Para atingir esse objectivo foram realizados sete estudos, que através de objectivos diversos tentaram chegar ao objectivo geral proposto. Para todos os estudos a amostra utilizada foi a dos adolescentes participantes no estudo nacional realizado em Portugal Continental em 2006, parte integrante do estudo Europeu HBSC – Health Beaviour in School-Aged Children (www.hbsc.org; www.fmh.utl.pt/aventurasocial; www.aventura social.com; Matos et al., 2006). O estudo Português incluiu alunos dos 6º, 8º e 10º anos do ensino público regular com média de idades de 14 anos (DP=1.89). A amostra nacional é constituída por 4877 estudantes. Os resultados obtidos nos estudos um e dois revelaram que o grupo de pares influencia o envolvimento em comportamentos de risco e de saúde dos adolescentes, quando comparados com o relacionamento dos adolescentes com os pais. Os pais surgem em ambos os estudos como mais protectores para a saúde dos adolescentes. No estudo três observou-se que a falta de amigos pode agir como risco para o maior envolvimento em comportamentos relacionados ao consumo de tabaco, álcool ou substâncias ilícitas. Que os adolescentes com menos amigos são mais infelizes, estão menos satisfeitos com a vida e têm menor bem-estar. Já no estudo quatro tentou-se verificar se a qualidade da amizade pode potenciar a influência positiva do grupo de pares e encontrou-se que os adolescentes com mais amigos com qualidade, dentro ou fora da escola, têm menor Resumo XII envolvimento em comportamentos de risco (consumo de tabaco, álcool e substâncias ilícitas), têm menor envolvimento em comportamentos de bullying, enquanto vítimas e provocadores, gostam mais da escola, são mais felizes, estão mais satisfeitos com a vida e têm maiores níveis de bem-estar. Os resultados dos estudos cinco e seis indicam que a influência dos pares ocorre em ambos os géneros, não se verificam evidências que as raparigas sejam mais resistentes à influência do que os rapazes. Quando o grupo de pares tem mais comportamentos de risco a influência surge como mais negativa, enquanto se os amigos têm mais comportamentos de protecção a influência tende a ser mais positiva. A monitorização parental é introduzida em ambos os estudos como variável moderadora da influência dos pares, no entanto o seu efeito moderador só é visível para os sintomas físicos e psicológicos e quando separamos as análises por géneros o seu efeito surge também nos comportamentos de violência. No estudo final (estudo sete) realizou-se um modelo explicativo da influência dos pares, onde se observa que a variável com maior impacto para o menor envolvimento em comportamentos de risco é ter menos amigos com comportamentos de risco. Ter amigos com comportamentos de protecção surge com maior impacto no menor envolvimento em comportamentos de violência. A comunicação com os pais foi a única variável com efeito mediador entre a relação dos adolescentes com os pares e os comportamentos analisados, no entanto esse efeito surge somente para o menor envolvimento em comportamentos de violência (num sentido inverso) e para o bem-estar. Com este trabalho concluímos que os pares têm grande impacto nos comportamentos de risco e de saúde dos adolescentes portugueses. Que a sua influência surge como protectora para o envolvimento em comportamentos de risco quando os amigos têm Resumo XIII menor envolvimento nesses comportamentos ou maior envolvimento em comportamentos de protecção e que potenciam o bem-estar e a saúde quando a comunicação com os amigos é fácil e a amizade é considerada como de qualidade e os amigos têm mais comportamentos de protecção. Com base nos resultados encontrados são adiantadas recomendações a nível da intervenção com os jovens na família, na escola e na comunidade. |
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