Publicação
Nicho temporal de mesocarnívoros numa área de montado de sobro: efeito do habitat e do ciclo lunar
| Resumo: | A complexidade dos ecossistemas terrestes é elevada e as espécies animais que os integram interagem entre si influenciando a forma como cada uma explora e usa o respetivo nicho ecológico. Contudo, este nicho é multidimensional e os recursos são limitados, e, por isso, são estabelecidas relações de cariz positivo (p. ex. comensalismo) ou negativo (p. ex. competição e predação). Devido a isso, os indíviduos enfrentam desafios à sua sobrevivência que moldam o respetivo comportamento. A partilha de recursos gera uma segregação entre os indíviduos de forma a evitar confrontos, e uma das dimensões onde segregação pode ocorrer é a temporal, sendo um mecanismo de coexistência que depende da plasticidade ecológica e fisiológica de cada espécie. Estas relações são muito comuns no grupo dos mamíferos carnívoros, espécies-chave na regulação e manutenção das comunidades biológicas, desempenhando papéis funcionais cruciais na estrutura e funcionamento dos ecossistemas. Porém, o crescimento das populações humanas e a sua intervenção nos habitats, com consequente alteração/degradação, criaram um conflito crescente entre o Homem e as comunidades de carnívoros. Este conflito tem consequências negativas para as referidas comunidades e consequentemente para todo o ecossistema. Como tal, e num contexto de reconciliação entre as atividades humanas e os princípios da conservação, é crucial avaliar as adaptações comportamentais que estas espécies desenvolveram para sobreviver em ambientes e comunidades alteradas pelo Homem. Tendo em conta esta realidade, com recurso a armadilhagem fotográfica, investigámos as relações temporais existentes na comunidade de mesocarnívoros na serra de Grândola, uma região de montado no sul de Portugal, e avaliámos a influência do habitat e das fases da lua no padrão de atividade de cada espécie. Os resultados sugerem que existem ajustes comportamentais, comprovados por uma segregação no eixo temporal, que promovem a coexistência destas espécies. A segregação ao longo do ciclo circadiano foi detetada entre o sacarrabos, a única espécie estritamente diurna, e as restantes espécies, noturnas (geneta, fuinha e texugo) e noturnas facultativas (raposa). Estas espécies noturnas demonstraram também um grau de segregação moderado dentro do respetivo período do dia indicando que provavelmente é um mecanismo que permite a coexistência. Contudo, a segregação temporal obtida na comunidade é muito influenciada pela atividade diurna do sacarrabos. Apesar de os resultados não serem conclusivos, a estutura do habitat parece influênciar a atividade destas espécies, sugerindo que este pode ser um fator condicionante da mesma. Também a fase lunar parece influenciar a atividade destas espécies, sendo esta influencia mais marcada para a geneta e raposa, em contraste com a fuinha que é a espécie que apresenta uma menor diferença na sua atividade entre períodos do ciclo lunar. Estes resultados carecem, contudo, de um maior esforço amostral para confirmação. Este estudo contribui para um melhor conhecimento da dinâmica e estratégias destas espécies de mesocarnívoros, crucial para a previsão de possíveis resultados provenientes de ações de conservação e gestão. |
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| Autores principais: | Almeida, Ana Luísa Guerreiro Baguinho de |
| Assunto: | Segregação Dimensão temporal Carnívoros Armadilhagem fotográfica Conflito Teses de mestrado - 2016 |
| Ano: | 2016 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A complexidade dos ecossistemas terrestes é elevada e as espécies animais que os integram interagem entre si influenciando a forma como cada uma explora e usa o respetivo nicho ecológico. Contudo, este nicho é multidimensional e os recursos são limitados, e, por isso, são estabelecidas relações de cariz positivo (p. ex. comensalismo) ou negativo (p. ex. competição e predação). Devido a isso, os indíviduos enfrentam desafios à sua sobrevivência que moldam o respetivo comportamento. A partilha de recursos gera uma segregação entre os indíviduos de forma a evitar confrontos, e uma das dimensões onde segregação pode ocorrer é a temporal, sendo um mecanismo de coexistência que depende da plasticidade ecológica e fisiológica de cada espécie. Estas relações são muito comuns no grupo dos mamíferos carnívoros, espécies-chave na regulação e manutenção das comunidades biológicas, desempenhando papéis funcionais cruciais na estrutura e funcionamento dos ecossistemas. Porém, o crescimento das populações humanas e a sua intervenção nos habitats, com consequente alteração/degradação, criaram um conflito crescente entre o Homem e as comunidades de carnívoros. Este conflito tem consequências negativas para as referidas comunidades e consequentemente para todo o ecossistema. Como tal, e num contexto de reconciliação entre as atividades humanas e os princípios da conservação, é crucial avaliar as adaptações comportamentais que estas espécies desenvolveram para sobreviver em ambientes e comunidades alteradas pelo Homem. Tendo em conta esta realidade, com recurso a armadilhagem fotográfica, investigámos as relações temporais existentes na comunidade de mesocarnívoros na serra de Grândola, uma região de montado no sul de Portugal, e avaliámos a influência do habitat e das fases da lua no padrão de atividade de cada espécie. Os resultados sugerem que existem ajustes comportamentais, comprovados por uma segregação no eixo temporal, que promovem a coexistência destas espécies. A segregação ao longo do ciclo circadiano foi detetada entre o sacarrabos, a única espécie estritamente diurna, e as restantes espécies, noturnas (geneta, fuinha e texugo) e noturnas facultativas (raposa). Estas espécies noturnas demonstraram também um grau de segregação moderado dentro do respetivo período do dia indicando que provavelmente é um mecanismo que permite a coexistência. Contudo, a segregação temporal obtida na comunidade é muito influenciada pela atividade diurna do sacarrabos. Apesar de os resultados não serem conclusivos, a estutura do habitat parece influênciar a atividade destas espécies, sugerindo que este pode ser um fator condicionante da mesma. Também a fase lunar parece influenciar a atividade destas espécies, sendo esta influencia mais marcada para a geneta e raposa, em contraste com a fuinha que é a espécie que apresenta uma menor diferença na sua atividade entre períodos do ciclo lunar. Estes resultados carecem, contudo, de um maior esforço amostral para confirmação. Este estudo contribui para um melhor conhecimento da dinâmica e estratégias destas espécies de mesocarnívoros, crucial para a previsão de possíveis resultados provenientes de ações de conservação e gestão. |
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