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A Idade de Penélope: para uma teoria da pós-secularização
| Resumo: | Com este artigo pretendemos discutir, de forma exploratória, a posição do religioso nas sociedades atuais, assumindo como ponto de partida sucessivas revisões de algumas teses centrais sobre o processo de secularização e ensaiando a viabilidade da formulação teórica da “era da pós-secularização”. O objectivo consiste no estabelecimento de uma compreensão sobre o lugar do religioso que remeta para um modelo de cooperação entre distintas esferas, contrastando com algumas das percepções generalizadas no debate político e nas ciências sociais. Em perspectiva histórica, o caso português é particularmente interessante, por comportar sucessivas etapas que permitem uma abordagem modelar dos processos societais e políticos em observação. Não está em causa, portanto, fazer um balanço ou discutir o êxito ou a falência da secularização enquanto modelo explicativo das transições operadas, desde o século XVIII e até aos nossos dias, nas sociedades ocidentais, nas relações entre esfera religiosa e a esfera política. Constatamos que não se confirmou a modalidade das teorias sobre secularização que apontava para um desaparecimento gradual do religioso, com alguns autores a reclamarem, ao invés, o seu retorno. Na nossa perspectiva, justifica-se a utilização do paradigma secularizador enquanto processo de longa duração que permitiu a reconfiguração do lugar do religioso, sem veleidades sobre posições hegemónicas ou tutelares sobre a organização social e política, mas num quadro de cooperação, também reclamada pela esfera que pugnara por uma emancipação ou separação. O texto encontra-se organizado em quatro secções. Num primeiro momento, discutimos como as teorias da secularização assentaram numa compreensão das sociedades modernas a partir de processos de autonomização e distinção entre esferas. Sobretudo no plano da política e da religião, mas também na cultura, na produção simbólica e nas consciências, afectando pretensões hegemónicas e tutelares das religiões. Formulada no âmbito de algumas teses sobre a secularização, a redução progressiva da área de actuação do religioso no espaço público, no sentido da sua privatização acentuada ou até extinção, constitui o foco analítico da secção seguinte. As revisões do paradigma da modernidade foram acompanhadas pelo debate em torno do retorno do religioso, verificando-se a persistência de certas expressões e também a irrupção de novas manifestações. Finalmente, ensaiamos a formulação da “era da secularização”, como resultado de um processo de longa duração sobre o posicionamento do religioso nas sociedades hodiernas. |
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| Autores principais: | Franco, José Eduardo |
| Outros Autores: | Ferreira, Nuno Estêvão |
| Assunto: | Religião Secularização |
| Ano: | 2015 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | artigo |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Com este artigo pretendemos discutir, de forma exploratória, a posição do religioso nas sociedades atuais, assumindo como ponto de partida sucessivas revisões de algumas teses centrais sobre o processo de secularização e ensaiando a viabilidade da formulação teórica da “era da pós-secularização”. O objectivo consiste no estabelecimento de uma compreensão sobre o lugar do religioso que remeta para um modelo de cooperação entre distintas esferas, contrastando com algumas das percepções generalizadas no debate político e nas ciências sociais. Em perspectiva histórica, o caso português é particularmente interessante, por comportar sucessivas etapas que permitem uma abordagem modelar dos processos societais e políticos em observação. Não está em causa, portanto, fazer um balanço ou discutir o êxito ou a falência da secularização enquanto modelo explicativo das transições operadas, desde o século XVIII e até aos nossos dias, nas sociedades ocidentais, nas relações entre esfera religiosa e a esfera política. Constatamos que não se confirmou a modalidade das teorias sobre secularização que apontava para um desaparecimento gradual do religioso, com alguns autores a reclamarem, ao invés, o seu retorno. Na nossa perspectiva, justifica-se a utilização do paradigma secularizador enquanto processo de longa duração que permitiu a reconfiguração do lugar do religioso, sem veleidades sobre posições hegemónicas ou tutelares sobre a organização social e política, mas num quadro de cooperação, também reclamada pela esfera que pugnara por uma emancipação ou separação. O texto encontra-se organizado em quatro secções. Num primeiro momento, discutimos como as teorias da secularização assentaram numa compreensão das sociedades modernas a partir de processos de autonomização e distinção entre esferas. Sobretudo no plano da política e da religião, mas também na cultura, na produção simbólica e nas consciências, afectando pretensões hegemónicas e tutelares das religiões. Formulada no âmbito de algumas teses sobre a secularização, a redução progressiva da área de actuação do religioso no espaço público, no sentido da sua privatização acentuada ou até extinção, constitui o foco analítico da secção seguinte. As revisões do paradigma da modernidade foram acompanhadas pelo debate em torno do retorno do religioso, verificando-se a persistência de certas expressões e também a irrupção de novas manifestações. Finalmente, ensaiamos a formulação da “era da secularização”, como resultado de um processo de longa duração sobre o posicionamento do religioso nas sociedades hodiernas. |
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