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Importância dos fatores de insulino-resistência em gatos com diabetes mellitus

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A diabetes mellitus tipo 2 é uma endocrinopatia complexa com uma prevalência elevada nos gatos domésticos. Essencialmente esta doença caracteriza-se por uma incapacidade dos tecidos periféricos responderem adequadamente à insulina (insulino-resistência) e por uma incapacidade relativa ou absoluta por parte das células-β do pâncreas em produzir insulina, alterações estas que culminam num estado de hiperglicemia crónico. A administração de insulina exógena, o maneio alimentar e o exercício físico (para controlo de obesidade) devem ser instituídos correta e precocemente estando, nestas condições, associados a taxas de remissão até aos 80%. Infelizmente, embora sujeitos a uma terapêutica adequada, nem todos os gatos conseguem atingir um bom controlo da doença, nem tão pouco a sua remissão. Em cerca de 20% da população felídea diabética este facto deve-se à chamada “diabetes mellitus secundária”, que surge como sequela de outras doenças nomeadamente a acromegalia, a pancreatite e o hiperadrenocorticismo. Estas doenças concomitantes induzem e exacerbam estados de insulino-resistência e de diminuição da produção de insulina pelas células-β pancreáticas. Deste modo, o conhecimento, o diagnóstico e o tratamento destas doenças concomitantes à diabetes mellitus têm um papel ímpar no controlo e estabilização da doença e eventual remissão da mesma. Na sequência da carência de estudos nesta área em Portugal, o presente trabalho teve como objetivo primordial perceber a importância, dos diferentes fatores de insulino-resistência, nomeadamente a obesidade, a pancreatite e a acromegalia em gatos com diagnóstico de diabetes mellitus, no Hospital Escolar da Faculdade de Medicina Veterinária (HEFMV). Assim, os resultados obtidos sugerem: 1) que mais de 50% dos gatos desta região que desenvolveram diabetes tinham história de excesso de peso ou obesidade; 2) que a pancreatite felina é um fator destabilizador da diabetes comum nos gatos desta região (38,5% a 47,8%) que requer doses mais elevada de insulina exógena (p <0.05); 3) que a acromegalia deve ser, cada vez mais, considerada pelo médico veterinário em gatos diabéticos mal controlados, mesmo com doses muito altas de insulina (> 6 UI/kg), e que surjam com ganho de peso.
Autores principais:Pereira, Miguel Simões dos Reis Silva
Assunto:Diabetes mellitus felina secundária Insulino-resistência Obesidade Pancreatite Secondary feline diabetes mellitus Insulin-resistance Obesity Pancreatitis Acromegalia Acromegaly
Ano:2014
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A diabetes mellitus tipo 2 é uma endocrinopatia complexa com uma prevalência elevada nos gatos domésticos. Essencialmente esta doença caracteriza-se por uma incapacidade dos tecidos periféricos responderem adequadamente à insulina (insulino-resistência) e por uma incapacidade relativa ou absoluta por parte das células-β do pâncreas em produzir insulina, alterações estas que culminam num estado de hiperglicemia crónico. A administração de insulina exógena, o maneio alimentar e o exercício físico (para controlo de obesidade) devem ser instituídos correta e precocemente estando, nestas condições, associados a taxas de remissão até aos 80%. Infelizmente, embora sujeitos a uma terapêutica adequada, nem todos os gatos conseguem atingir um bom controlo da doença, nem tão pouco a sua remissão. Em cerca de 20% da população felídea diabética este facto deve-se à chamada “diabetes mellitus secundária”, que surge como sequela de outras doenças nomeadamente a acromegalia, a pancreatite e o hiperadrenocorticismo. Estas doenças concomitantes induzem e exacerbam estados de insulino-resistência e de diminuição da produção de insulina pelas células-β pancreáticas. Deste modo, o conhecimento, o diagnóstico e o tratamento destas doenças concomitantes à diabetes mellitus têm um papel ímpar no controlo e estabilização da doença e eventual remissão da mesma. Na sequência da carência de estudos nesta área em Portugal, o presente trabalho teve como objetivo primordial perceber a importância, dos diferentes fatores de insulino-resistência, nomeadamente a obesidade, a pancreatite e a acromegalia em gatos com diagnóstico de diabetes mellitus, no Hospital Escolar da Faculdade de Medicina Veterinária (HEFMV). Assim, os resultados obtidos sugerem: 1) que mais de 50% dos gatos desta região que desenvolveram diabetes tinham história de excesso de peso ou obesidade; 2) que a pancreatite felina é um fator destabilizador da diabetes comum nos gatos desta região (38,5% a 47,8%) que requer doses mais elevada de insulina exógena (p <0.05); 3) que a acromegalia deve ser, cada vez mais, considerada pelo médico veterinário em gatos diabéticos mal controlados, mesmo com doses muito altas de insulina (> 6 UI/kg), e que surjam com ganho de peso.