Publicação
Enfermagem à procura de si : integrando modalidades terapêuticas não convencionais no processo de cuidados
| Resumo: | A prática de modalidades terapêuticas não convencionais, por enfermeiros, foi-nos trazida e questionada pelos estudantes, na sequência do ensino clínico. A resposta legitimamente esperada conduziu-nos ao estudo científico desta realidade. Foi nosso objectivo compreender o processo de integração deste tipo de modalidades terapêuticas na prática de enfermagem, delimitando as seguintes dimensões: a identificação das modalidades terapêuticas que os enfermeiros utilizam na sua prática; os significados que lhes atribuem; as estratégias que desenvolvem na sua utilização; a eficácia que avaliam, enfermeiros e doentes. A investigação foi realizada em contexto hospitalar. Envolveu 15 enfermeiros que trabalham em 9 hospitais públicos, de níveis distrital e central, do norte, centro e sul do País, e uma equipa de 10 enfermeiros e 17 utentes de um serviço de dor, de um hospital oncológico. O método utilizado foi a Grounded Theory, na perspectiva de Kathy Charmaz. As principais técnicas de colheita de dados foram a entrevista intensiva e a observação participante; subsidiariamente recorreu-se à análise documental. Dos resultados salientamos: Os enfermeiros utilizam modalidades terapêuticas não convencionais de natureza ambiental, manipulativa, mental-cognitiva, energética e de relação; constituem-se, também, como instrumentos terapêuticos, através de um tipo de presença e de toque particulares. O ambiente físico, social e normativo condicionam a prática destas modalidades; dos modos de acção evidencia-se: a importância que conferem aos aspectos éticos; a dissimulação/ocultação destas práticas face aos outros profissionais da equipa de saúde; e a desmontagem e recombinação de várias técnicas das modalidades praticadas, de que resulta a individualização dos cuidados. Os enfermeiros identificam um sentido de elevada coerência conceptual deste tipo de modalidades terapêuticas com a enfermagem, razão da sua abertura à integração das mesmas no processo de cuidados. Afirmam a importância do ensino destas modalidades terapêuticas como parte integrante da formação em enfermagem, cujos resultados avaliam de elevado interesse terapêutico, o que é amplamente corroborado pelos utentes. Evidenciam-se indicadores de resultados fisiológicos, comportamentais e de bem-estar. |
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| Autores principais: | Santos, Maria Irene Mendes Pedro, 1958- |
| Assunto: | Cuidados de enfermagem Terapêuticas Teoria fundamentada nos dados Investigação qualitativa Teses de doutoramento - 2012 |
| Ano: | 2011 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A prática de modalidades terapêuticas não convencionais, por enfermeiros, foi-nos trazida e questionada pelos estudantes, na sequência do ensino clínico. A resposta legitimamente esperada conduziu-nos ao estudo científico desta realidade. Foi nosso objectivo compreender o processo de integração deste tipo de modalidades terapêuticas na prática de enfermagem, delimitando as seguintes dimensões: a identificação das modalidades terapêuticas que os enfermeiros utilizam na sua prática; os significados que lhes atribuem; as estratégias que desenvolvem na sua utilização; a eficácia que avaliam, enfermeiros e doentes. A investigação foi realizada em contexto hospitalar. Envolveu 15 enfermeiros que trabalham em 9 hospitais públicos, de níveis distrital e central, do norte, centro e sul do País, e uma equipa de 10 enfermeiros e 17 utentes de um serviço de dor, de um hospital oncológico. O método utilizado foi a Grounded Theory, na perspectiva de Kathy Charmaz. As principais técnicas de colheita de dados foram a entrevista intensiva e a observação participante; subsidiariamente recorreu-se à análise documental. Dos resultados salientamos: Os enfermeiros utilizam modalidades terapêuticas não convencionais de natureza ambiental, manipulativa, mental-cognitiva, energética e de relação; constituem-se, também, como instrumentos terapêuticos, através de um tipo de presença e de toque particulares. O ambiente físico, social e normativo condicionam a prática destas modalidades; dos modos de acção evidencia-se: a importância que conferem aos aspectos éticos; a dissimulação/ocultação destas práticas face aos outros profissionais da equipa de saúde; e a desmontagem e recombinação de várias técnicas das modalidades praticadas, de que resulta a individualização dos cuidados. Os enfermeiros identificam um sentido de elevada coerência conceptual deste tipo de modalidades terapêuticas com a enfermagem, razão da sua abertura à integração das mesmas no processo de cuidados. Afirmam a importância do ensino destas modalidades terapêuticas como parte integrante da formação em enfermagem, cujos resultados avaliam de elevado interesse terapêutico, o que é amplamente corroborado pelos utentes. Evidenciam-se indicadores de resultados fisiológicos, comportamentais e de bem-estar. |
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