Publicação
As formigas e os carreiros:uma abordagem de inspiração biográfica aos percursos de aprendizagem e à construção identitária de assistentes sociais
| Resumo: | Este trabalho de investigação resulta de um caminho de “prática-investigadora” que pretende aprofundar a reflexão sobre a profissão de Assistente Social numa perspectiva a partir de dentro do campo e no entendimento de que a profissão se constrói e se aprende, no diálogo entre a sua própria explicitação e as teorias sobre o mundo. A área científica em que se insere é uma das suas particularidades, já que foi desenvolvido no campo da Educação/Formação de Adultos e tem como eixo central o interesse pela compreensão dos percursos formativos e de construção identitária dos assistentes sociais. A análise realizada parte do pressuposto de que, num tempo de ultra-racionalidade instrumental, o conceito de profissão está em mutação; e, no caso, a profissionalidade dos assistentes sociais não será excepção, pela sua prática interventiva conotada com as pessoas em situação de pobreza e/ou vulnerabilidade social, «colada» às instituições e ao Estado-providência e estigmatizada como «placebo» do Capitalismo. Contudo, será importante pontuar que o trabalho social, com a complexidade, multidimensionalidade e transversalidade que lhe estão associadas, constitui um campo próprio onde exercem genericamente os chamados trabalhadores sociais e, de entre eles, @s assistentes sociais como grupo profissional específico. Estes profissionais partilham as problemáticas, os contextos e os riscos e são actores de «inclusão e exclusão» numa sociedade que tende a desvalorizar os seus fazeres e saberes, tal como o faz com as populações com que trabalham. Por um lado, branqueando a profissionalização e a profissionalidade numa categoria genérica de ‘técnicos superiores’ e, por outro, exigindo uma prática baseada em ‘evidências’ prescritas e quantificáveis que pouco têm a ver com o seu ‘Know-how’ específico e/ou com as respostas às necessidades das pessoas. Em simultâneo, os próprios profissionais, por vezes, não se descrevem nem se reconhecem como actores e autores ao serviço de uma cidadania democrática. A presente tese analisa e reflecte o Serviço Social, como uma profissão e uma disciplina que procuram novas legitimidades entre velhas dicotomias, num processo de reflexão emancipatória que equacione a construção profissional, entre as heranças e dinâmicas de um percurso histórico e o imperativo de explicitar a profissionalidade. Neste processo de explicitação, são questionados aspectos como a «colonização disciplinar», a adaptabilidade e a neutralidade da profissão, entre outros, que dificultam espaços de autonomia e produção de conhecimento e onde @s assistentes sociais parecem cada vez mais confinados a espaços de exercício sujeitos à ‘funcionalização’ e à ‘evidência’. Nesta conjuntura, a realização de entrevistas de inspiração biográfica a dezanove assistentes sociais e a análise das suas narrativas permitiu dar-lhes voz e esboçar tipologias de percursos de aprendizagem da profissão e tipologias de formas identitárias. O material empírico recolhido durante a pesquisa revela uma grande diversidade, mas também contradições e tensões presentes no campo profissional, a que não serão estranhas as relações de força e poder dentro e fora do campo científico e profissional. A passagem do comunitário ao societário implica uma modificação da própria estrutura da identidade pessoal, o aparecimento de novas formas de subjectividade e a conversão identitária que faz passar os indivíduos de membros submissos a sujeitos actores – o que, embora os torne muito mais incertos e expostos, pode fazer emergir oportunidades de transformação. O Serviço Social, na medida em que se afasta da identidade que o estigmatizou como mediador de um pensamento conformista, vai recuperando diversidade interna e oportunidades de construção de novas formas de participação nos processos de mudança social. E ao equacionar a necessidade de produzir conhecimento sobre os processos pelos quais se aprendem e se constroem saberes, numa tentativa de desocultar e nomear o que se vive e aquilo a que se atribui significado nestes contextos de intervenção, pode restaurar-se um espaço público de profissionalidade como lugar de visibilidade de si e do outro, pela acção e pela palavra. E também de identidades co – construídas na interacção com muitos «outros». |
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| Autores principais: | Passarinho, Isabel Cristina da Conceição, 1966- |
| Assunto: | Teses de doutoramento - 2013 |
| Ano: | 2013 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Este trabalho de investigação resulta de um caminho de “prática-investigadora” que pretende aprofundar a reflexão sobre a profissão de Assistente Social numa perspectiva a partir de dentro do campo e no entendimento de que a profissão se constrói e se aprende, no diálogo entre a sua própria explicitação e as teorias sobre o mundo. A área científica em que se insere é uma das suas particularidades, já que foi desenvolvido no campo da Educação/Formação de Adultos e tem como eixo central o interesse pela compreensão dos percursos formativos e de construção identitária dos assistentes sociais. A análise realizada parte do pressuposto de que, num tempo de ultra-racionalidade instrumental, o conceito de profissão está em mutação; e, no caso, a profissionalidade dos assistentes sociais não será excepção, pela sua prática interventiva conotada com as pessoas em situação de pobreza e/ou vulnerabilidade social, «colada» às instituições e ao Estado-providência e estigmatizada como «placebo» do Capitalismo. Contudo, será importante pontuar que o trabalho social, com a complexidade, multidimensionalidade e transversalidade que lhe estão associadas, constitui um campo próprio onde exercem genericamente os chamados trabalhadores sociais e, de entre eles, @s assistentes sociais como grupo profissional específico. Estes profissionais partilham as problemáticas, os contextos e os riscos e são actores de «inclusão e exclusão» numa sociedade que tende a desvalorizar os seus fazeres e saberes, tal como o faz com as populações com que trabalham. Por um lado, branqueando a profissionalização e a profissionalidade numa categoria genérica de ‘técnicos superiores’ e, por outro, exigindo uma prática baseada em ‘evidências’ prescritas e quantificáveis que pouco têm a ver com o seu ‘Know-how’ específico e/ou com as respostas às necessidades das pessoas. Em simultâneo, os próprios profissionais, por vezes, não se descrevem nem se reconhecem como actores e autores ao serviço de uma cidadania democrática. A presente tese analisa e reflecte o Serviço Social, como uma profissão e uma disciplina que procuram novas legitimidades entre velhas dicotomias, num processo de reflexão emancipatória que equacione a construção profissional, entre as heranças e dinâmicas de um percurso histórico e o imperativo de explicitar a profissionalidade. Neste processo de explicitação, são questionados aspectos como a «colonização disciplinar», a adaptabilidade e a neutralidade da profissão, entre outros, que dificultam espaços de autonomia e produção de conhecimento e onde @s assistentes sociais parecem cada vez mais confinados a espaços de exercício sujeitos à ‘funcionalização’ e à ‘evidência’. Nesta conjuntura, a realização de entrevistas de inspiração biográfica a dezanove assistentes sociais e a análise das suas narrativas permitiu dar-lhes voz e esboçar tipologias de percursos de aprendizagem da profissão e tipologias de formas identitárias. O material empírico recolhido durante a pesquisa revela uma grande diversidade, mas também contradições e tensões presentes no campo profissional, a que não serão estranhas as relações de força e poder dentro e fora do campo científico e profissional. A passagem do comunitário ao societário implica uma modificação da própria estrutura da identidade pessoal, o aparecimento de novas formas de subjectividade e a conversão identitária que faz passar os indivíduos de membros submissos a sujeitos actores – o que, embora os torne muito mais incertos e expostos, pode fazer emergir oportunidades de transformação. O Serviço Social, na medida em que se afasta da identidade que o estigmatizou como mediador de um pensamento conformista, vai recuperando diversidade interna e oportunidades de construção de novas formas de participação nos processos de mudança social. E ao equacionar a necessidade de produzir conhecimento sobre os processos pelos quais se aprendem e se constroem saberes, numa tentativa de desocultar e nomear o que se vive e aquilo a que se atribui significado nestes contextos de intervenção, pode restaurar-se um espaço público de profissionalidade como lugar de visibilidade de si e do outro, pela acção e pela palavra. E também de identidades co – construídas na interacção com muitos «outros». |
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