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Momentos de não saber em sessões desafiantes : um estudo qualitativo com psicoterapeutas

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O trabalho psicoterapêutico está repleto de momentos desafiantes tanto para o terapeuta como para o paciente, que podem influenciar a eficácia da terapia em função do modo como são geridos. Desta forma, o presente estudo pretende explorar a experiência dos terapeutas face a desafios clínicos designados de Momentos de Não-Saber (Moments of Not Knowing - MONK). MONK é definido como experiências significativas e repetidas de incerteza e dúvida por parte dos terapeutas durante as sessões, sendo caracterizado por momentos em que os terapeutas são desafiados na forma mais comum de trabalharem, levando-os a experienciar sentimentos de improdutividade ou a sentirem-se de alguma forma perdidos no processo terapêutico, sem saber o que fazer, comunicar ou como estar. Foi construído um guião para recolher os dados especificamente ancorados num momento concreto e além dele. Com este guião, tenta-se a) compreender como MONK são experienciados e percebidos pelos terapeutas; b) explorar o que estes fazem concretamente para lidar com MONK; c) averiguar sobre a existência prévia de treino formal ou informal que os ajude a lidar com MONK; e ainda d) compreender as lições e aprendizagens adquiridas com momentos MONK ao longo da sua carreira em geral. Os dados foram recolhidos numa amostra de 44 psicoterapeutas internacionais. Os resultados demonstram a influência que as rupturas na aliança terapêutica mostram ter para a ocorrência de Momentos de Não-Saber e os sentimentos dolorosos que os terapeutas experienciam face a MONK. A meta-comunicação e a postura de presença terapêutica e mindfulness, destacam-se enquanto estratégias adoptadas pelos terapeutas para lidarem com MONK. Os resultados revelam também possíveis tipos de treino que mais auxiliam os terapeutas nestes momentos, entre eles a supervisão e o treino em mindfulness. Discutem-se limitações do estudo e implicações dos resultados para o treino e prática psicoterapêutica. São apresentadas considerações metodológicas e sugerem-se linhas de investigação futuras.
Autores principais:Valente, Inês Castelo Branco Pulido
Assunto:Aliança terapêutica Tomada de decisão Psicoterapeutas Teses de mestrado - 2015
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O trabalho psicoterapêutico está repleto de momentos desafiantes tanto para o terapeuta como para o paciente, que podem influenciar a eficácia da terapia em função do modo como são geridos. Desta forma, o presente estudo pretende explorar a experiência dos terapeutas face a desafios clínicos designados de Momentos de Não-Saber (Moments of Not Knowing - MONK). MONK é definido como experiências significativas e repetidas de incerteza e dúvida por parte dos terapeutas durante as sessões, sendo caracterizado por momentos em que os terapeutas são desafiados na forma mais comum de trabalharem, levando-os a experienciar sentimentos de improdutividade ou a sentirem-se de alguma forma perdidos no processo terapêutico, sem saber o que fazer, comunicar ou como estar. Foi construído um guião para recolher os dados especificamente ancorados num momento concreto e além dele. Com este guião, tenta-se a) compreender como MONK são experienciados e percebidos pelos terapeutas; b) explorar o que estes fazem concretamente para lidar com MONK; c) averiguar sobre a existência prévia de treino formal ou informal que os ajude a lidar com MONK; e ainda d) compreender as lições e aprendizagens adquiridas com momentos MONK ao longo da sua carreira em geral. Os dados foram recolhidos numa amostra de 44 psicoterapeutas internacionais. Os resultados demonstram a influência que as rupturas na aliança terapêutica mostram ter para a ocorrência de Momentos de Não-Saber e os sentimentos dolorosos que os terapeutas experienciam face a MONK. A meta-comunicação e a postura de presença terapêutica e mindfulness, destacam-se enquanto estratégias adoptadas pelos terapeutas para lidarem com MONK. Os resultados revelam também possíveis tipos de treino que mais auxiliam os terapeutas nestes momentos, entre eles a supervisão e o treino em mindfulness. Discutem-se limitações do estudo e implicações dos resultados para o treino e prática psicoterapêutica. São apresentadas considerações metodológicas e sugerem-se linhas de investigação futuras.