Publicação

Contributo da química forense na detecção de drogas de abuso

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Em Portugal e no resto do mundo, o consumo de drogas de abuso tem graves consequências quer ao nível de saúde pública, quer ao nível socio-económico. O conhecimento das drogas, bem como a sua história, evoluíu em paralelo com a história da humanidade, já que desde sempre fizeram parte da sua cultura, religião e relações humanas. O termo “droga” abrange uma grande variedade de significados. Por um lado, este termo, faz referência a um elevado número de substâncias com distintos efeitos sobre a percepção, pensamentos ou emoções e com diferente capacidade para produzir dependência. Por outro lado, reflecte diferentes significados para os que as consomem. De forma a combater o seu aumento de produção e consumo, entidades públicas, através da análise química de amostras apreendidas, obtêm informações importantes para o conhecimento destas substâncias enquanto drogas, nomeadamente a identificação e quantificação dos componentes minoritários, isto é, impurezas relacionadas com a sua origem e produção. Por outro lado, estes conhecimentos servem para controlar o consumo de drogas no ambiente de trabalho, em actividades desportivas e na prática forense. As drogas podem ser classificadas como drogas lícitas e ilícitas. São de origem natural, semi-sintética ou sintética, as quais, por sua vez, se podem classificar em substâncias estimulantes do sistema nervoso central (SNC), depressoras do SNC ou alucinogénicas. A análise de drogas de abuso, em matrizes biológicas, tem por finalidade detectar indícios de exposição ou consumo de substâncias tóxicas, existindo dois tipos de testes laboratoriais: os baseados em fluídos corporais e os baseados em amostras de queratina (cabelos ou pêlos). Os fluídos corporais possuem um período de detecção pequena, em média de 1 a 3 dias, dependendo da droga em análise, com excepção dos canabinóides que pode chegar aos 20 dias. Já as amostras de queratina possuem uma janela de detecção mais longa, que pode ser de anos. A escolha desta matriz dependerá do objectivo final da análise, no entanto verifica-se que o cabelo é especialmente útil quando se pretende um historial do consumo de drogas, por outro lado é o sangue que detecta o consumo mais recente de drogas. Já a urina é particularmente eficiente na detecção de canabinóides e a saliva apresenta-se como uma alternativa eficaz ás restantes matrizes, por apresentar altas concentrações de droga. As técnicas de análise toxicológica das drogas de abuso variam desde os clássicos métodos não instrumentais, como reacções volumétricas ou colorimétricas, até outros métodos mais sensíveis e com tecnologia mais avançada, como a cromatografia gasosa (GC) e a cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC) acopladas à espectrometria de massa (MS). Em Portugal, a descriminalização do consumo de drogas, condicionou um aumento da reabilitação dos toxicodependentes, sem no entanto haver diminuição do consumo. A presente dissertação surge com o intuito de apresentar, através de revisão bibliográfica, as características principais das drogas de abuso mais consumidas em Portugal e no mundo, nomeadamente os seus mecanismos de acção e efeitos psicossociais. Paralelamente pretende-se verificar qual a matriz biológica mais eficaz, na detecção de cada uma das drogas de abuso, bem como o melhor método analítico para o efeito.
Autores principais:Gomes, Miriam Silva
Assunto:Drogas de abuso Matrizes biológicas Análise toxicológica Legislação em Portugal Teses de mestrado - 2013
Ano:2013
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Em Portugal e no resto do mundo, o consumo de drogas de abuso tem graves consequências quer ao nível de saúde pública, quer ao nível socio-económico. O conhecimento das drogas, bem como a sua história, evoluíu em paralelo com a história da humanidade, já que desde sempre fizeram parte da sua cultura, religião e relações humanas. O termo “droga” abrange uma grande variedade de significados. Por um lado, este termo, faz referência a um elevado número de substâncias com distintos efeitos sobre a percepção, pensamentos ou emoções e com diferente capacidade para produzir dependência. Por outro lado, reflecte diferentes significados para os que as consomem. De forma a combater o seu aumento de produção e consumo, entidades públicas, através da análise química de amostras apreendidas, obtêm informações importantes para o conhecimento destas substâncias enquanto drogas, nomeadamente a identificação e quantificação dos componentes minoritários, isto é, impurezas relacionadas com a sua origem e produção. Por outro lado, estes conhecimentos servem para controlar o consumo de drogas no ambiente de trabalho, em actividades desportivas e na prática forense. As drogas podem ser classificadas como drogas lícitas e ilícitas. São de origem natural, semi-sintética ou sintética, as quais, por sua vez, se podem classificar em substâncias estimulantes do sistema nervoso central (SNC), depressoras do SNC ou alucinogénicas. A análise de drogas de abuso, em matrizes biológicas, tem por finalidade detectar indícios de exposição ou consumo de substâncias tóxicas, existindo dois tipos de testes laboratoriais: os baseados em fluídos corporais e os baseados em amostras de queratina (cabelos ou pêlos). Os fluídos corporais possuem um período de detecção pequena, em média de 1 a 3 dias, dependendo da droga em análise, com excepção dos canabinóides que pode chegar aos 20 dias. Já as amostras de queratina possuem uma janela de detecção mais longa, que pode ser de anos. A escolha desta matriz dependerá do objectivo final da análise, no entanto verifica-se que o cabelo é especialmente útil quando se pretende um historial do consumo de drogas, por outro lado é o sangue que detecta o consumo mais recente de drogas. Já a urina é particularmente eficiente na detecção de canabinóides e a saliva apresenta-se como uma alternativa eficaz ás restantes matrizes, por apresentar altas concentrações de droga. As técnicas de análise toxicológica das drogas de abuso variam desde os clássicos métodos não instrumentais, como reacções volumétricas ou colorimétricas, até outros métodos mais sensíveis e com tecnologia mais avançada, como a cromatografia gasosa (GC) e a cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC) acopladas à espectrometria de massa (MS). Em Portugal, a descriminalização do consumo de drogas, condicionou um aumento da reabilitação dos toxicodependentes, sem no entanto haver diminuição do consumo. A presente dissertação surge com o intuito de apresentar, através de revisão bibliográfica, as características principais das drogas de abuso mais consumidas em Portugal e no mundo, nomeadamente os seus mecanismos de acção e efeitos psicossociais. Paralelamente pretende-se verificar qual a matriz biológica mais eficaz, na detecção de cada uma das drogas de abuso, bem como o melhor método analítico para o efeito.