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Estudo da exequibilidade de um protocolo de avaliação de bem-estar em manadas de vacas de carne em Moçambique e Portugal

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Resumo:O bem-estar animal relaciona-se com a capacidade que o animal tem para lidar com fatores externos e internos. A avaliação de bem-estar de animais em extensivo ainda é uma área com pouca intervenção, sendo que ainda não existe um protocolo válido para o classificar. O objetivo deste trabalho foi o de testar um protocolo de avaliação de bem-estar em vacadas de carne em Moçambique e em Portugal. O protocolo utilizado resultou da adaptação do protocolo Welfare Quality ® complementado por dois estudos de avaliação de animais em extensivo. Em paralelo com esta componente do trabalho, também se realizou uma avaliação da opinião dos consumidores sobre o bem-estar na produção de carne de bovino. Nesta, observou-se que uma grande proporção dos participantes valorizavam produtos certificados em bem-estar animal. Para além disso, uma percentagem significativa de pessoas afirmou que gostariam de visitar uma exploração. No final deste estudo colocou-se a hipótese de que o mercado e a produção futura irão sofrer um impacto muito importante por parte dos consumidores no sentido de direcionar a produção para formas mais sustentáveis e com melhores níveis de bem-estar animal. Em relação ao protocolo de bem-estar, este foi implementado em três explorações moçambicanas e três portuguesas, sendo que em cada exploração avaliou-se uma amostra compreendida entre 60 e150 animais. Os resultados demonstraram que o maneio é um fator muito importante e que pode influenciar o comportamento dos animais, sendo que duas explorações moçambicanas tiveram os melhores valores relativamente ao indicador “relação tratador-animal”. As explorações moçambicanas, que tinham dimensões muito superiores às portuguesas, obtiveram as distâncias de fugas mais curtas deste estudo. Na Avaliação clínica duas explorações portuguesas e duas moçambicanas obtiveram os resultados muito semelhantes, sendo que houve uma presença reduzida e transversal de animais com lesões e sinais de doença. No entanto, as explorações portuguesas tiveram valores elevados de diarreia (30-60%). Por último, na avaliação do maneio observou-se que na descorna o melhor método praticado era da utilização de reprodutores mochos que contrariavam a necessidade de utilizar este procedimento. No final do estudo concluiu-se que a componente comportamental do bem-estar em explorações em extensivo está assegurada devido ao espaço das pastagens. Contudo, as outras componentes necessitam de auditorias porque variam consoante o maneio e as explorações. Para além disso, o protocolo deste estudo tem o potencial para vir a ser utilizado nestas avaliações
Autores principais:Naldo, Melissa Correia
Assunto:Bem-estar Extensivo Portugal Moçambique Bovinos Animal welfare Extensive Portugal Mozambique Cattle
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O bem-estar animal relaciona-se com a capacidade que o animal tem para lidar com fatores externos e internos. A avaliação de bem-estar de animais em extensivo ainda é uma área com pouca intervenção, sendo que ainda não existe um protocolo válido para o classificar. O objetivo deste trabalho foi o de testar um protocolo de avaliação de bem-estar em vacadas de carne em Moçambique e em Portugal. O protocolo utilizado resultou da adaptação do protocolo Welfare Quality ® complementado por dois estudos de avaliação de animais em extensivo. Em paralelo com esta componente do trabalho, também se realizou uma avaliação da opinião dos consumidores sobre o bem-estar na produção de carne de bovino. Nesta, observou-se que uma grande proporção dos participantes valorizavam produtos certificados em bem-estar animal. Para além disso, uma percentagem significativa de pessoas afirmou que gostariam de visitar uma exploração. No final deste estudo colocou-se a hipótese de que o mercado e a produção futura irão sofrer um impacto muito importante por parte dos consumidores no sentido de direcionar a produção para formas mais sustentáveis e com melhores níveis de bem-estar animal. Em relação ao protocolo de bem-estar, este foi implementado em três explorações moçambicanas e três portuguesas, sendo que em cada exploração avaliou-se uma amostra compreendida entre 60 e150 animais. Os resultados demonstraram que o maneio é um fator muito importante e que pode influenciar o comportamento dos animais, sendo que duas explorações moçambicanas tiveram os melhores valores relativamente ao indicador “relação tratador-animal”. As explorações moçambicanas, que tinham dimensões muito superiores às portuguesas, obtiveram as distâncias de fugas mais curtas deste estudo. Na Avaliação clínica duas explorações portuguesas e duas moçambicanas obtiveram os resultados muito semelhantes, sendo que houve uma presença reduzida e transversal de animais com lesões e sinais de doença. No entanto, as explorações portuguesas tiveram valores elevados de diarreia (30-60%). Por último, na avaliação do maneio observou-se que na descorna o melhor método praticado era da utilização de reprodutores mochos que contrariavam a necessidade de utilizar este procedimento. No final do estudo concluiu-se que a componente comportamental do bem-estar em explorações em extensivo está assegurada devido ao espaço das pastagens. Contudo, as outras componentes necessitam de auditorias porque variam consoante o maneio e as explorações. Para além disso, o protocolo deste estudo tem o potencial para vir a ser utilizado nestas avaliações