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Encenação do Estado Novo na exposição Quinze Anos de Obras Públicas (Lisboa, 1948)

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A exposição Quinze Anos de Obras Públicas (1932-1947), decorrida por empenho oficial em Lisboa, em 1948, apresentou o progresso alcançado no domínio das obras públicas e comunicações desde 1932. Realizada num contexto de legitimação do Estado Novo como regime moderno e socialmente empenhado no pós-guerra, a exposição enquadrou-se numa lógica de recuperação e adaptação de estratégias propagandísticas empregues na década de 1930. Neste artigo, consideramos tratar-se de uma exposição política que funcionou como mecanismo de suporte da permanência do regime, com afinidades conceptuais com certames de temática similar realizados sob Hitler e Franco. Através do cruzamento de fontes e bibliografia, e comparando a exposição de 1948 com exposições oficiais portuguesas anteriores, são analisados dois aspetos pouco explorados pela historiografia: o recurso a uma comissão executiva próxima do Governo e a decoradores com atividade comprovada e coadunada com a estética oficial, e o emprego de uma linguagem expositiva já testada anteriormente, embora relegando o papel simbólico das artes plásticas para um plano secundário. Argumenta-se que tais fatores contribuíram para sustentar o objetivo da exposição de transmissão de sentimentos de pertença coletiva como o combate a movimentos oposicionistas, através da tónica no progresso infraestrutural a nível nacional, fundamento da estratégia de melhoramentos rurais então lançada, e no triunfo da regeneração proporcionada pelo regime sobre a decadência prévia.
Autores principais:Pascoal, Ana Mehnert
Assunto:Exposição temporária História das exposições Estado Novo Obras públicas Identidade nacional Propaganda
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A exposição Quinze Anos de Obras Públicas (1932-1947), decorrida por empenho oficial em Lisboa, em 1948, apresentou o progresso alcançado no domínio das obras públicas e comunicações desde 1932. Realizada num contexto de legitimação do Estado Novo como regime moderno e socialmente empenhado no pós-guerra, a exposição enquadrou-se numa lógica de recuperação e adaptação de estratégias propagandísticas empregues na década de 1930. Neste artigo, consideramos tratar-se de uma exposição política que funcionou como mecanismo de suporte da permanência do regime, com afinidades conceptuais com certames de temática similar realizados sob Hitler e Franco. Através do cruzamento de fontes e bibliografia, e comparando a exposição de 1948 com exposições oficiais portuguesas anteriores, são analisados dois aspetos pouco explorados pela historiografia: o recurso a uma comissão executiva próxima do Governo e a decoradores com atividade comprovada e coadunada com a estética oficial, e o emprego de uma linguagem expositiva já testada anteriormente, embora relegando o papel simbólico das artes plásticas para um plano secundário. Argumenta-se que tais fatores contribuíram para sustentar o objetivo da exposição de transmissão de sentimentos de pertença coletiva como o combate a movimentos oposicionistas, através da tónica no progresso infraestrutural a nível nacional, fundamento da estratégia de melhoramentos rurais então lançada, e no triunfo da regeneração proporcionada pelo regime sobre a decadência prévia.