Publicação

Análise da perigosidade de tsunami para a cidade da Beira, Moçambique

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:A neotectónica de Moçambique está relacionada com o Sistema do Rifte do Leste Africano, que vários autores defendem ter uma extensão de 3000 km desde Afar no Norte até Moçambique no Sul. Em Moçambique manifesta-se em dois sectores: o sector ocidental, principal, que parte do Quénia atravessando a região dos grandes lagos até ao Lago Niassa, e prologando-se até à região Sul de Moçambique, e o sector oriental, secundário, que corresponde a um ramo do Rifte do Leste Africano que se prolonga desde o norte da Tanzânia até ao Oceano Índico, continuando-se, no sector submarino, pela estrutura Davie Ridge e bacias tectónicas associadas. Para compreender a actividade do sector oriental e avaliar a sua potencialidade tsunamigénica foram calculados os parâmetros das falhas correlativas no Canal de Moçambique, através de modelos de regressão de Wells & Coppersmith (1994) e de Manighetti et al (2006) considerando três regiões sismogénicas de acordo com a informação morfotectónica e a actividade sísmica regional (Davie Ridge, Eixo sísmico de Quathlamba e Mozambique Ridge). Assumiu-se um comprimento máximo de ruptura de 100 km e determinou-se a Mw máxima espectável de 7,4. Desta magnitude foi determinado o deslocamento médio através do modelo de Wells & Coppersmith (1994). Este parâmetro foi igualmente calculado pelo modelo de Manighetti et al (2006) assumindo uma espessura da camada sismogénica de 35 km proposto por Chen e Yang, (2010). A utilização de dois modelos na determinação deste parâmetro visava encontrar a solução que apresentasse valores mais conservativos e para o presente caso foi o modelo de Manighetti et al com o deslocamento médio de 4,5 m. Com base nos resultados obtidos fez-se a modelação do tsunami para a Cidade da Beira e concluiu-se que, dos três cenários, o primeiro e o segundo é que podem gerar ondas capazes de atingir a linha de costa da cidade da Beira com uma altura máxima próxima de 0,5 m. O tempo de propagação da onda de tsunami desde a fonte até à cidade da Beira, no litoral moçambicano, é de 2 horas e 30 minutos para o tsunami gerado no Eixo Sísmico de Quathlamba e 3 horas para o gerado em Davie Ridge.
Autores principais:Manuel, Alberto Fernando
Assunto:Deslocamento médio Falha Ruptura Sismo Tsunami Teses de mestrado - 2015
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A neotectónica de Moçambique está relacionada com o Sistema do Rifte do Leste Africano, que vários autores defendem ter uma extensão de 3000 km desde Afar no Norte até Moçambique no Sul. Em Moçambique manifesta-se em dois sectores: o sector ocidental, principal, que parte do Quénia atravessando a região dos grandes lagos até ao Lago Niassa, e prologando-se até à região Sul de Moçambique, e o sector oriental, secundário, que corresponde a um ramo do Rifte do Leste Africano que se prolonga desde o norte da Tanzânia até ao Oceano Índico, continuando-se, no sector submarino, pela estrutura Davie Ridge e bacias tectónicas associadas. Para compreender a actividade do sector oriental e avaliar a sua potencialidade tsunamigénica foram calculados os parâmetros das falhas correlativas no Canal de Moçambique, através de modelos de regressão de Wells & Coppersmith (1994) e de Manighetti et al (2006) considerando três regiões sismogénicas de acordo com a informação morfotectónica e a actividade sísmica regional (Davie Ridge, Eixo sísmico de Quathlamba e Mozambique Ridge). Assumiu-se um comprimento máximo de ruptura de 100 km e determinou-se a Mw máxima espectável de 7,4. Desta magnitude foi determinado o deslocamento médio através do modelo de Wells & Coppersmith (1994). Este parâmetro foi igualmente calculado pelo modelo de Manighetti et al (2006) assumindo uma espessura da camada sismogénica de 35 km proposto por Chen e Yang, (2010). A utilização de dois modelos na determinação deste parâmetro visava encontrar a solução que apresentasse valores mais conservativos e para o presente caso foi o modelo de Manighetti et al com o deslocamento médio de 4,5 m. Com base nos resultados obtidos fez-se a modelação do tsunami para a Cidade da Beira e concluiu-se que, dos três cenários, o primeiro e o segundo é que podem gerar ondas capazes de atingir a linha de costa da cidade da Beira com uma altura máxima próxima de 0,5 m. O tempo de propagação da onda de tsunami desde a fonte até à cidade da Beira, no litoral moçambicano, é de 2 horas e 30 minutos para o tsunami gerado no Eixo Sísmico de Quathlamba e 3 horas para o gerado em Davie Ridge.