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Extracellular vesicles in liver cancer

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Resumo:O cancro do fígado, particularmente o carcinoma hepatocelular e o colangiocarcinoma, continua a ser um desafio para a saúde global. É o sexto cancro mais diagnosticado e a terceira causa de morte oncológica a nível mundial. O cancro do fígado desenvolve-se tipicamente a partir de doenças hepáticas crónicas e cirrose, com etiologias diversas, incluindo infeções virais, distúrbios metabólicos, consumo excessivo de álcool e colangite esclerosante primária, entre outras. O prognóstico não é favorável devido ao diagnóstico em fases avançadas, quando as opções terapêuticas são limitadas. Estudos recentes destacaram o papel central das vesículas extracelulares (VEs) na progressão do cancro do fígado, oferecendo novas perspetivas sobre os mecanismos da doença e potenciais estratégias terapêuticas. As VEs, incluindo exossomas e microvesículas, são partículas nanométricas, secretadas por praticamente todos os tipos de células. Elas mediam a comunicação intercelular através da transferência de moléculas bioativas, como proteínas, ácidos nucleicos e lípidos. No cancro do fígado, as VEs contribuem para o crescimento tumoral, evasão imunitária, angiogénese, metástase e resistência a fármacos. De facto, influenciam vários processos chave como a remodelação do microambiente tumoral, a modulação imunitária e a formação dos nichos pré-metastáticos, contribuindo para um ambiente favorável ao tumor, o que torna o cancro mais agressivo e de difícil tratamento. Dada a sua estabilidade, proteção contra a degradação enzimática, presença em praticamente todos os fluidos biológicos e capacidade de refletir a heterogeneidade tumoral e o estado da doença, as VEs têm elevado potencial como biomarcadores não invasivos para diagnóstico precoce, prognóstico e aplicações terapêuticas. No âmbito terapêutico, as VEs revelam-se promissoras como sistemas de entrega de fármacos, devido à sua baixa imunogenicidade e elevada biocompatibilidade. Além disso, estratégias direcionadas para as VEs incluem a inibição da sua secreção, o bloqueio da sua captação ou a eliminação das VEs circulantes. Por fim, as VEs podem também ser utilizadas como vacinas para ativar as células imunes e restaurar a imunidade antitumoral. Apesar dos avanços consideráveis, subsistem desafios na padronização das técnicas de isolamento, na identificação de biomarcadores fiáveis e na transposição dos resultados da investigação para a prática clínica. A investigação contínua é fundamental para desbloquear totalmente o potencial de diagnóstico e terapêutico das VEs no cancro do fígado.
Autores principais:Abreu, Catarina Calca
Assunto:Biomarkers Cholangiocarcinoma EV-based therapeutics Extracellular vesicles Hepatocellular carcinoma Mestrado Integrado - 2024
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:inglês
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O cancro do fígado, particularmente o carcinoma hepatocelular e o colangiocarcinoma, continua a ser um desafio para a saúde global. É o sexto cancro mais diagnosticado e a terceira causa de morte oncológica a nível mundial. O cancro do fígado desenvolve-se tipicamente a partir de doenças hepáticas crónicas e cirrose, com etiologias diversas, incluindo infeções virais, distúrbios metabólicos, consumo excessivo de álcool e colangite esclerosante primária, entre outras. O prognóstico não é favorável devido ao diagnóstico em fases avançadas, quando as opções terapêuticas são limitadas. Estudos recentes destacaram o papel central das vesículas extracelulares (VEs) na progressão do cancro do fígado, oferecendo novas perspetivas sobre os mecanismos da doença e potenciais estratégias terapêuticas. As VEs, incluindo exossomas e microvesículas, são partículas nanométricas, secretadas por praticamente todos os tipos de células. Elas mediam a comunicação intercelular através da transferência de moléculas bioativas, como proteínas, ácidos nucleicos e lípidos. No cancro do fígado, as VEs contribuem para o crescimento tumoral, evasão imunitária, angiogénese, metástase e resistência a fármacos. De facto, influenciam vários processos chave como a remodelação do microambiente tumoral, a modulação imunitária e a formação dos nichos pré-metastáticos, contribuindo para um ambiente favorável ao tumor, o que torna o cancro mais agressivo e de difícil tratamento. Dada a sua estabilidade, proteção contra a degradação enzimática, presença em praticamente todos os fluidos biológicos e capacidade de refletir a heterogeneidade tumoral e o estado da doença, as VEs têm elevado potencial como biomarcadores não invasivos para diagnóstico precoce, prognóstico e aplicações terapêuticas. No âmbito terapêutico, as VEs revelam-se promissoras como sistemas de entrega de fármacos, devido à sua baixa imunogenicidade e elevada biocompatibilidade. Além disso, estratégias direcionadas para as VEs incluem a inibição da sua secreção, o bloqueio da sua captação ou a eliminação das VEs circulantes. Por fim, as VEs podem também ser utilizadas como vacinas para ativar as células imunes e restaurar a imunidade antitumoral. Apesar dos avanços consideráveis, subsistem desafios na padronização das técnicas de isolamento, na identificação de biomarcadores fiáveis e na transposição dos resultados da investigação para a prática clínica. A investigação contínua é fundamental para desbloquear totalmente o potencial de diagnóstico e terapêutico das VEs no cancro do fígado.