Publicação

Intervenção do enfermeiro na prevenção das perturbações emocionais no primeiro mês pós-parto

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:As intervenções de enfermagem em ambiente domiciliário durante o puerpério podem constituir um importante instrumento de prevenção das perturbações emocionais da puérpera e da sua família, no período post partum. A investigação decorreu de março de 2010 a novembro de 2012 na área de influência da Unidade Local de Saúde de Castelo Branco e teve como objetivos: determinar a incidência de puérperas que apresentam blues pós-parto entre o 5º e o 10º dia de puerpério; avaliar a influência da intervenção do enfermeiro na incidência de blues pós-parto nas puérperas, entre o 5º e o 10º dia de puerpério; determinar a incidência e a prevalência de puérperas com “risco elevado” de depressão pós-parto entre as 6 e as 9 semanas pós-parto; avaliar a influência da intervenção do enfermeiro na incidência e prevalência de puérperas com “risco elevado” de depressão pós-parto entre as 6 e as 9 semanas pós-parto; avaliar a influência da intervenção do enfermeiro, na promoção da saúde da díade mãe/filho. O estudo, com um desenho quase-experimental envolveu 200 primíparas com parto eutócico, das quais 100 no grupo de intervenção (GI) e 100 no grupo de controlo (GC). No GI cada puérpera foi sujeita pelo menos a duas visitas domiciliárias ao longo do primeiro mês pós-parto. A obtenção de dados ocorreu entre as 35 e 40 semanas de gravidez, entre o 5º e o 10º dia pós-parto e entre as 6 e as 9 semanas pós-parto, a partir de três questionários. O primeiro incluía a Escala Ansiedade Depressão e Stress de 21 itens (EADS); o segundo a Escala de Avaliação das Alterações Psicoemocionais do Puerpério (EAAPP); o terceiro, a Edinburgh Postnatal Depression Scale (EPDS). A escala EAAPP mostrou a “ausência de alterações psicoemocionais do puerpério” na maioria das participantes - 65% (GC) e 77% (GI), não havendo diferenças significativas entre os grupos (p = 0,066). Quanto ao risco da puérpera desenvolver depressão pós-parto (EPDS) havia diferenças significativas entre os grupos (p = 0,013). Há mais participantes do grupo controlo com “risco elevado” de depressão pós-parto (14%), comparativamente com as do grupo intervenção (4%). A análise estatística revelou ainda diferenças significativas entre o GC e o GI relativamente a algumas variáveis analisadas no estudo (p<0,05): maior prevalência de aleitamento materno exclusivo entre as 6 e as 9 semanas nas puérperas do GI; menor procura dos serviços de saúde, por problemas relacionados com a criança no GI; referência a menos dificuldades significativas no final do puerpério nas puérperas do GI; menos dificuldades em lidar com as alterações psicológicas das participantes do GI. Este estudo revelou a importância das visitas domiciliárias ao longo do primeiro mês pós-parto na diminuição do risco das puérperas desenvolverem depressão pós-parto, e ainda em variáveis que conduzem a um puerpério mais saudável como sejam o aleitamento materno, problemas de saúde relacionados com as crianças, e as dificuldades sentidas pela mulher durante o puerpério.
Autores principais:Mendes, Alda Maria Pires Silva, 1963-
Assunto:Puerpério Depressão pós-parto Visitas domiciliárias Cuidados de enfermagem Teses de doutoramento - 2015
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:As intervenções de enfermagem em ambiente domiciliário durante o puerpério podem constituir um importante instrumento de prevenção das perturbações emocionais da puérpera e da sua família, no período post partum. A investigação decorreu de março de 2010 a novembro de 2012 na área de influência da Unidade Local de Saúde de Castelo Branco e teve como objetivos: determinar a incidência de puérperas que apresentam blues pós-parto entre o 5º e o 10º dia de puerpério; avaliar a influência da intervenção do enfermeiro na incidência de blues pós-parto nas puérperas, entre o 5º e o 10º dia de puerpério; determinar a incidência e a prevalência de puérperas com “risco elevado” de depressão pós-parto entre as 6 e as 9 semanas pós-parto; avaliar a influência da intervenção do enfermeiro na incidência e prevalência de puérperas com “risco elevado” de depressão pós-parto entre as 6 e as 9 semanas pós-parto; avaliar a influência da intervenção do enfermeiro, na promoção da saúde da díade mãe/filho. O estudo, com um desenho quase-experimental envolveu 200 primíparas com parto eutócico, das quais 100 no grupo de intervenção (GI) e 100 no grupo de controlo (GC). No GI cada puérpera foi sujeita pelo menos a duas visitas domiciliárias ao longo do primeiro mês pós-parto. A obtenção de dados ocorreu entre as 35 e 40 semanas de gravidez, entre o 5º e o 10º dia pós-parto e entre as 6 e as 9 semanas pós-parto, a partir de três questionários. O primeiro incluía a Escala Ansiedade Depressão e Stress de 21 itens (EADS); o segundo a Escala de Avaliação das Alterações Psicoemocionais do Puerpério (EAAPP); o terceiro, a Edinburgh Postnatal Depression Scale (EPDS). A escala EAAPP mostrou a “ausência de alterações psicoemocionais do puerpério” na maioria das participantes - 65% (GC) e 77% (GI), não havendo diferenças significativas entre os grupos (p = 0,066). Quanto ao risco da puérpera desenvolver depressão pós-parto (EPDS) havia diferenças significativas entre os grupos (p = 0,013). Há mais participantes do grupo controlo com “risco elevado” de depressão pós-parto (14%), comparativamente com as do grupo intervenção (4%). A análise estatística revelou ainda diferenças significativas entre o GC e o GI relativamente a algumas variáveis analisadas no estudo (p<0,05): maior prevalência de aleitamento materno exclusivo entre as 6 e as 9 semanas nas puérperas do GI; menor procura dos serviços de saúde, por problemas relacionados com a criança no GI; referência a menos dificuldades significativas no final do puerpério nas puérperas do GI; menos dificuldades em lidar com as alterações psicológicas das participantes do GI. Este estudo revelou a importância das visitas domiciliárias ao longo do primeiro mês pós-parto na diminuição do risco das puérperas desenvolverem depressão pós-parto, e ainda em variáveis que conduzem a um puerpério mais saudável como sejam o aleitamento materno, problemas de saúde relacionados com as crianças, e as dificuldades sentidas pela mulher durante o puerpério.