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A lucidez do poema. A meditação metapoética como caminho filosófico e sapiencial em António Ramos Rosa

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Protagonista de uma obsessiva interrogação da palavra e do poema, por via de um trânsito contínuo entre escrita poética e reflexão crítica sobre o fenómeno poético, António Ramos Rosa (1924-2013) emerge como um autor singular no quadro da poesia portuguesa da segunda metade do século XX. Estando a leitura/recepção da obra poética rosiana ainda marcada pela associação da sua forte dimensão metapoética à ideia de uma certa circularidade monotemática e estéril, ou de uma poesia “racional”, importa-nos iluminar o alcance sensorial e ontológico, cósmico e mesmo sapiencial que a poesia rosiana lograria. Nesse sentido, este trabalho procurará mostrar que a meditação metapoética desenvolvida por Ramos Rosa ao longo da sua extensíssima obra não só não condenou a sua poesia a uma fria clausura no plano textual, como contribuiu decisivamente para a abertura ao real, para o efeito de evidência e o sentido de comunhão que se tornariam cada vez mais sensíveis na sua escrita. Para tal, propomo-nos aclarar o fio que, sob a égide da lucidez poética consagrada pelo autor, nos conduz da sua meditação metapoética a uma meditação poética de cariz ontofenomenológico e sapiencial, ou seja, da sua metapoesia a uma poesia cuja sageza propicia um conjunto de intuições de acento filosófico-sapiencial. É nosso intento contribuir, desta forma, para a compreensão da exigência e do alcance (cognitivo e ontológico) do percurso poético de Ramos Rosa, bem como, colateralmente, para o debate em torno de tópicos como a (auto-)referência poética, o estatuto ontológico do texto poético ou a relação filosofia-literatura.
Autores principais:Carvalho, Maria Helena Costa de
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Protagonista de uma obsessiva interrogação da palavra e do poema, por via de um trânsito contínuo entre escrita poética e reflexão crítica sobre o fenómeno poético, António Ramos Rosa (1924-2013) emerge como um autor singular no quadro da poesia portuguesa da segunda metade do século XX. Estando a leitura/recepção da obra poética rosiana ainda marcada pela associação da sua forte dimensão metapoética à ideia de uma certa circularidade monotemática e estéril, ou de uma poesia “racional”, importa-nos iluminar o alcance sensorial e ontológico, cósmico e mesmo sapiencial que a poesia rosiana lograria. Nesse sentido, este trabalho procurará mostrar que a meditação metapoética desenvolvida por Ramos Rosa ao longo da sua extensíssima obra não só não condenou a sua poesia a uma fria clausura no plano textual, como contribuiu decisivamente para a abertura ao real, para o efeito de evidência e o sentido de comunhão que se tornariam cada vez mais sensíveis na sua escrita. Para tal, propomo-nos aclarar o fio que, sob a égide da lucidez poética consagrada pelo autor, nos conduz da sua meditação metapoética a uma meditação poética de cariz ontofenomenológico e sapiencial, ou seja, da sua metapoesia a uma poesia cuja sageza propicia um conjunto de intuições de acento filosófico-sapiencial. É nosso intento contribuir, desta forma, para a compreensão da exigência e do alcance (cognitivo e ontológico) do percurso poético de Ramos Rosa, bem como, colateralmente, para o debate em torno de tópicos como a (auto-)referência poética, o estatuto ontológico do texto poético ou a relação filosofia-literatura.