Publicação

Políticas de Empregabilidade em Portugal face às Perspetivas da Capacitação e do Desenvolvimento de Carreira

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Esta investigação insere-se num movimento critico às políticas ativas sociais de emprego, nomeadamente às de empregabilidade, a partir da abordagem capacitante, à qual se associou uma complementar, a teoria do desenvolvimento de carreira. Propôs-se um quadro alternativo para se analisar o sucesso na ativação para o emprego, marcado não pela obtenção de emprego a qualquer custo, mas pelo aumento da habilidade e liberdade para as pessoas refletirem, visualizarem e concretizarem a vida pessoal-profissional a que aspiram. Interessava saber em que medida a capacidade para o trabalho e o desenvolvimento de carreira, estavam presentes nas políticas de empregabilidade e no discurso dos atores chave, bem como se surgiam enquanto efeitos junto dos públicos-alvo a que se destinavam. O estudo foi desenvolvido recorrendo a metodologia qualitativa. Realizaram-se, em 2020, entrevistas semiestruturadas (n=11) a atores sociais (destinatários e técnicos), de um serviço público de empregabilidade (SPE) e analisaram-se documentos (n=27) de políticas de emprego-empregabilidade europeias, nacionais e local, entre 1997-2019. Os resultados discutem as consequências destas políticas, em pessoas específicas, com determinadas características sociodemográficas e trajetórias de carreira. As medidas do Serviço Público de Empregabilidade, influenciaram a capacidade para o trabalho e o desenvolvimento de carreira, embora o seu sucesso fosse relativo, pois apenas se deu aproximação à carreira valorizada e empoderamento do ser e fazer. De facto, interferiram na escolha, mas não na iniciativa. Provocaram ainda, mudanças nos atributos de empregabilidade e “deram voz”. Mostram ainda que orientações informaram essas políticas. Ora, as medidas do SPE embora apresentem elementos de abordagem capacitante e de desenvolvimento de carreira, não merecem o atributo de promotoras. Quanto às políticas europeias e nacionais, elas são informadas por referenciais de capital humano e não de abordagem capacitante. No atual cenário societário de crises contínuas, é crucial promoverem-se políticas de emprego – empregabilidade de base ecológica.
Autores principais:Garcia, Sónia Maria Henriques
Assunto:empregabilidade; abordagem capacitante; capacidade para o trabalho; desenvolvimento de carreira; políticas de emprego-empregabilidade; employability; capability approach; work capability; career development; employment-employability politics.
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Esta investigação insere-se num movimento critico às políticas ativas sociais de emprego, nomeadamente às de empregabilidade, a partir da abordagem capacitante, à qual se associou uma complementar, a teoria do desenvolvimento de carreira. Propôs-se um quadro alternativo para se analisar o sucesso na ativação para o emprego, marcado não pela obtenção de emprego a qualquer custo, mas pelo aumento da habilidade e liberdade para as pessoas refletirem, visualizarem e concretizarem a vida pessoal-profissional a que aspiram. Interessava saber em que medida a capacidade para o trabalho e o desenvolvimento de carreira, estavam presentes nas políticas de empregabilidade e no discurso dos atores chave, bem como se surgiam enquanto efeitos junto dos públicos-alvo a que se destinavam. O estudo foi desenvolvido recorrendo a metodologia qualitativa. Realizaram-se, em 2020, entrevistas semiestruturadas (n=11) a atores sociais (destinatários e técnicos), de um serviço público de empregabilidade (SPE) e analisaram-se documentos (n=27) de políticas de emprego-empregabilidade europeias, nacionais e local, entre 1997-2019. Os resultados discutem as consequências destas políticas, em pessoas específicas, com determinadas características sociodemográficas e trajetórias de carreira. As medidas do Serviço Público de Empregabilidade, influenciaram a capacidade para o trabalho e o desenvolvimento de carreira, embora o seu sucesso fosse relativo, pois apenas se deu aproximação à carreira valorizada e empoderamento do ser e fazer. De facto, interferiram na escolha, mas não na iniciativa. Provocaram ainda, mudanças nos atributos de empregabilidade e “deram voz”. Mostram ainda que orientações informaram essas políticas. Ora, as medidas do SPE embora apresentem elementos de abordagem capacitante e de desenvolvimento de carreira, não merecem o atributo de promotoras. Quanto às políticas europeias e nacionais, elas são informadas por referenciais de capital humano e não de abordagem capacitante. No atual cenário societário de crises contínuas, é crucial promoverem-se políticas de emprego – empregabilidade de base ecológica.