Publicação

Novos dados sobre o grupo megalítico de Reguengos de Monsaraz : o limite oriental

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:A evolução das linhas de investigação que a equipa da UNIARQ tem vindo a prosseguir em Reguengos de Monsaraz desde 1995 talvez a não conduzisse de raiz à periferia do Grupo megalítico, mas a realização de um plano de minimizações de impacte subvencionada pela EDIA inverteu os rumos do projecto, colocando novas problemáticas e permitindo que outras fossem retomadas. Estamos, portanto, confrontados com um conjunto de intervenções muito recentes ou ainda em curso quando o presente estudo começou a ser elaborado. Em termos da história da investigação do megalitismo de Reguengos de Monsaraz, deparámo-nos assim com uma situação inédita: a possibilidade de estudar integralmente um conjunto de monumentos e uma dada problemática numa calendarização relativamente curta (1998-2000). A investigação do megalitismo, mesmo sob um regime contratual, não se pode constranger a uma abordagem monográfica de monumentos e sítios, sendo também importante a compreensão em termos globais de conjuntos determinados dentro do grupo megalítico de Reguengos de Monsaraz e particularmente das suas áreas limítrofes. O presente trabalho oscila assim entre duas escalas de análise, privilegiando-se uma leitura transversal do posicionamento relativo deste conjunto de monumentos (o grupo oriental), o seu posicionamento absoluto face à paisagem (pedra, água, relevo, solos), as suas opções arquitectónicas e uma primeira leitura da sua utilização (o estudo de materiais encontra-se ainda numa fase inicial). Na verdade, as próprias características dos monumentos e a sua implantação parecem indicar uma subdivisão dentro da franja oriental: 1. Núcleo do Piornal: PRN2, MPN, PRN1, PRN3, CPL1 e 2; 2. Anta do Xarez, com posicionamento isolado. O núcleo do Piornal estrutura-se em ambas margens da Ribeira do Álamo. Considerando as plantas e o espólio, os monumentos escavados parecem apontar para um período inicial do megalitismo da região (monumentos com câmara poligonal simples, corredor com esquema 1+1 ou 2+2 curto, dimensão pequena/média, paralelizáveis com alguns dos monumentos mais antigos da região; escasso espólio). Estes elementos parecem indicar um reduzido número de deposições funerárias previsto de origem, e realmente efectuadas, com um âmbito individual ou unifamiliar previsto no momento da sua construção. A anta 2 do Piornal e a anta 3 do Piornal integram-se neste quadro global, com algumas variantes. A anta 1 do Xarez parece assumir uma posição mais isolada na chamada “Baixa do Xarez”, próximo do Guadiana, tendo Monsaraz no seu horizonte próximo. Não havendo outras antas conhecidas nas suas imediações, verifica-se no entanto a presença de megalitismo não funerário, nomeadamente o conhecido menir do Xarez e o “pseudo-cromeleque” construído já na segunda metade do século XX em torno dele. Com um esquema simples de arquitectura, este monumento foi intensamente usado durante o Neolítico final/Calcolítico, a avaliar pela abundância de espólio nele recolhido. Ainda na Pré-História, este monumento sofreu uma remodelação consubstanciada no esvaziamento parcial do espólio para o exterior da câmara e na colocação de lajes de xisto em posição anexa ao exterior da Câmara e com intenção indeterminada. O posicionamento destes monumentos parece conferir uma provável inicial ligação entre eles. Esta correlação poderá não constituir apenas uma simples hipótese ou instrumento de trabalho e já em 1992 um dos signatários, ao efectuar um primeiro ensaio de leitura de “grupos dentro do grupo”, considerara duas áreas, a Norte e a Sul da Ribeira do Álamo, e a presença de duas “periferias”, a Oeste (sensivelmente na área de Reguengos de Monsaraz) e a Este, próximo do Guadiana, o subgrupo oriental. A questão dos “centros” e “periferias” destes megalitismos prende-se aliás com a existência de uma evidente “estratigrafia horizontal” nas construções dos espaços da morte do grupo megalítico de Reguengos de Monsaraz. Estando agora comprovada a presença de uma ocupação de Neolítico antigo, sobretudo junto ao Guadiana, de que forma se estabeleceu a dispersão do megalitismo funerário? É justamente neste “subgrupo periférico oriental” que este conjunto se enquadra. Estaremos assim na presença de uma periferia autonomizada no “grupo oriental” na transição entre o grupo megalítico de Reguengos de Monsaraz e a área do Guadiana? A resposta não é tão simples como se poderia crer.
Autores principais:Gonçalves, Victor S.
Outros Autores:Sousa, Ana Catarina
Ano:2003
País:Portugal
Tipo de documento:capítulo de livro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A evolução das linhas de investigação que a equipa da UNIARQ tem vindo a prosseguir em Reguengos de Monsaraz desde 1995 talvez a não conduzisse de raiz à periferia do Grupo megalítico, mas a realização de um plano de minimizações de impacte subvencionada pela EDIA inverteu os rumos do projecto, colocando novas problemáticas e permitindo que outras fossem retomadas. Estamos, portanto, confrontados com um conjunto de intervenções muito recentes ou ainda em curso quando o presente estudo começou a ser elaborado. Em termos da história da investigação do megalitismo de Reguengos de Monsaraz, deparámo-nos assim com uma situação inédita: a possibilidade de estudar integralmente um conjunto de monumentos e uma dada problemática numa calendarização relativamente curta (1998-2000). A investigação do megalitismo, mesmo sob um regime contratual, não se pode constranger a uma abordagem monográfica de monumentos e sítios, sendo também importante a compreensão em termos globais de conjuntos determinados dentro do grupo megalítico de Reguengos de Monsaraz e particularmente das suas áreas limítrofes. O presente trabalho oscila assim entre duas escalas de análise, privilegiando-se uma leitura transversal do posicionamento relativo deste conjunto de monumentos (o grupo oriental), o seu posicionamento absoluto face à paisagem (pedra, água, relevo, solos), as suas opções arquitectónicas e uma primeira leitura da sua utilização (o estudo de materiais encontra-se ainda numa fase inicial). Na verdade, as próprias características dos monumentos e a sua implantação parecem indicar uma subdivisão dentro da franja oriental: 1. Núcleo do Piornal: PRN2, MPN, PRN1, PRN3, CPL1 e 2; 2. Anta do Xarez, com posicionamento isolado. O núcleo do Piornal estrutura-se em ambas margens da Ribeira do Álamo. Considerando as plantas e o espólio, os monumentos escavados parecem apontar para um período inicial do megalitismo da região (monumentos com câmara poligonal simples, corredor com esquema 1+1 ou 2+2 curto, dimensão pequena/média, paralelizáveis com alguns dos monumentos mais antigos da região; escasso espólio). Estes elementos parecem indicar um reduzido número de deposições funerárias previsto de origem, e realmente efectuadas, com um âmbito individual ou unifamiliar previsto no momento da sua construção. A anta 2 do Piornal e a anta 3 do Piornal integram-se neste quadro global, com algumas variantes. A anta 1 do Xarez parece assumir uma posição mais isolada na chamada “Baixa do Xarez”, próximo do Guadiana, tendo Monsaraz no seu horizonte próximo. Não havendo outras antas conhecidas nas suas imediações, verifica-se no entanto a presença de megalitismo não funerário, nomeadamente o conhecido menir do Xarez e o “pseudo-cromeleque” construído já na segunda metade do século XX em torno dele. Com um esquema simples de arquitectura, este monumento foi intensamente usado durante o Neolítico final/Calcolítico, a avaliar pela abundância de espólio nele recolhido. Ainda na Pré-História, este monumento sofreu uma remodelação consubstanciada no esvaziamento parcial do espólio para o exterior da câmara e na colocação de lajes de xisto em posição anexa ao exterior da Câmara e com intenção indeterminada. O posicionamento destes monumentos parece conferir uma provável inicial ligação entre eles. Esta correlação poderá não constituir apenas uma simples hipótese ou instrumento de trabalho e já em 1992 um dos signatários, ao efectuar um primeiro ensaio de leitura de “grupos dentro do grupo”, considerara duas áreas, a Norte e a Sul da Ribeira do Álamo, e a presença de duas “periferias”, a Oeste (sensivelmente na área de Reguengos de Monsaraz) e a Este, próximo do Guadiana, o subgrupo oriental. A questão dos “centros” e “periferias” destes megalitismos prende-se aliás com a existência de uma evidente “estratigrafia horizontal” nas construções dos espaços da morte do grupo megalítico de Reguengos de Monsaraz. Estando agora comprovada a presença de uma ocupação de Neolítico antigo, sobretudo junto ao Guadiana, de que forma se estabeleceu a dispersão do megalitismo funerário? É justamente neste “subgrupo periférico oriental” que este conjunto se enquadra. Estaremos assim na presença de uma periferia autonomizada no “grupo oriental” na transição entre o grupo megalítico de Reguengos de Monsaraz e a área do Guadiana? A resposta não é tão simples como se poderia crer.