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Envelhecimento e mercado de trabalho no setor hoteleiro brasileiro e português : uma perspectiva de gênero

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Resumo:A tese desenvolvida interliga três constructos por si só complexos: envelhecimento, gênero e mercado de trabalho. O processo de envelhecimento é vivido na singularidade por cada indivíduo, sendo que vários fatores intervém. Como não é um fenômeno livre de gênero (Casaca & Boud, 2012), para compreender a relação entre envelhecimento e mercado de trabalho é igualmente fundamental integrar a perspectiva de gênero considerando as especificidades de mulheres e homens ao envelhecer que, em alguns casos, acentuam-se com o envelhecimento (Perista & Perista). Partindo do pressuposto que o mercado de trabalho é dinâmico, relacional e historicamente construído (Rocha-de-Oliveira, 2009) o acesso às oportunidades de trabalho é pautado, muitas vezes, por mecanismos que escapam a racionalidade e remetem às crenças, aos valores e às normas destes mercados (Guimarães, 2009). Desta forma, nesta tese buscou-se defender que as características adscritas de idade – no caso, do processo de envelhecimento – e do gênero delimitam e constrangem as experiências laborais dos/as trabalhadores/as no mercado de trabalho em Hotelaria no Brasil e em Portugal. Para o efeito, realizou-se um estudo qualitativo e comparativo entre Brasil e Portugal. Foram analisados dados secundários oriundos de estatísticas oficiais dos dois países a fim de apresentar como o envelhecimento populacional está refletindo no envelhecimento da força de trabalho e caracterizar a situação do emprego para homens e mulheres mais velhos/as. Os dados primários foram coletados na cidade de Porto Alegre/RS (Brasil) e Lisboa e arredores (Portugal) via entrevistas semiestruturadas com informantes privilegiados/as, trabalhadores/as e estudantes em Hotelaria. Ao todo, foram realizadas 20 entrevistas no Brasil e 23 em Portugal. Os resultados apontam para uma forte segmentação por idade e por gênero no mercado de trabalho em hotelaria. Diversos elementos tanto mercantis quanto não mercantis interferem na delimitação dos espaços de circulação destes/as trabalhadores/as fazendo com que o setor seja associado ao trabalho dos jovens e das mulheres. Tanto os/as informantes privilegiados/as quanto os/as trabalhadores/as e estudantes sinalizam em suas entrevistas que o idadismo e o sexismo seguem presentes nas relações de trabalho em hotelaria, fazendo com que as demandas emocionais e corpóreas recaiam mais sobre as mulheres e estejam fortemente associadas às representações do que é ser um/a trabalhador/a mais velho/a em hotelaria. Logo, nas etapas finais da vida laboral o envelhecimento e o gênero funcionam como elementos articuladores das trajetórias no mercado de trabalho em Hotelaria, delimitando e constrangendo o acesso às oportunidades de trabalho em um cenário no qual os/as mais velhos/as tem sido os/as mais prejudicados/as.
Autores principais:Fontoura, Daniele dos Santos
Assunto:envelhecimento gênero mercado de trabalho trabalhadores/as mais velhos setor hoteleiro Brasil Portugal aging gender labor market older workers Hospitality Sector Brazil
Ano:2014
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A tese desenvolvida interliga três constructos por si só complexos: envelhecimento, gênero e mercado de trabalho. O processo de envelhecimento é vivido na singularidade por cada indivíduo, sendo que vários fatores intervém. Como não é um fenômeno livre de gênero (Casaca & Boud, 2012), para compreender a relação entre envelhecimento e mercado de trabalho é igualmente fundamental integrar a perspectiva de gênero considerando as especificidades de mulheres e homens ao envelhecer que, em alguns casos, acentuam-se com o envelhecimento (Perista & Perista). Partindo do pressuposto que o mercado de trabalho é dinâmico, relacional e historicamente construído (Rocha-de-Oliveira, 2009) o acesso às oportunidades de trabalho é pautado, muitas vezes, por mecanismos que escapam a racionalidade e remetem às crenças, aos valores e às normas destes mercados (Guimarães, 2009). Desta forma, nesta tese buscou-se defender que as características adscritas de idade – no caso, do processo de envelhecimento – e do gênero delimitam e constrangem as experiências laborais dos/as trabalhadores/as no mercado de trabalho em Hotelaria no Brasil e em Portugal. Para o efeito, realizou-se um estudo qualitativo e comparativo entre Brasil e Portugal. Foram analisados dados secundários oriundos de estatísticas oficiais dos dois países a fim de apresentar como o envelhecimento populacional está refletindo no envelhecimento da força de trabalho e caracterizar a situação do emprego para homens e mulheres mais velhos/as. Os dados primários foram coletados na cidade de Porto Alegre/RS (Brasil) e Lisboa e arredores (Portugal) via entrevistas semiestruturadas com informantes privilegiados/as, trabalhadores/as e estudantes em Hotelaria. Ao todo, foram realizadas 20 entrevistas no Brasil e 23 em Portugal. Os resultados apontam para uma forte segmentação por idade e por gênero no mercado de trabalho em hotelaria. Diversos elementos tanto mercantis quanto não mercantis interferem na delimitação dos espaços de circulação destes/as trabalhadores/as fazendo com que o setor seja associado ao trabalho dos jovens e das mulheres. Tanto os/as informantes privilegiados/as quanto os/as trabalhadores/as e estudantes sinalizam em suas entrevistas que o idadismo e o sexismo seguem presentes nas relações de trabalho em hotelaria, fazendo com que as demandas emocionais e corpóreas recaiam mais sobre as mulheres e estejam fortemente associadas às representações do que é ser um/a trabalhador/a mais velho/a em hotelaria. Logo, nas etapas finais da vida laboral o envelhecimento e o gênero funcionam como elementos articuladores das trajetórias no mercado de trabalho em Hotelaria, delimitando e constrangendo o acesso às oportunidades de trabalho em um cenário no qual os/as mais velhos/as tem sido os/as mais prejudicados/as.