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A ascensão do nacionalismo e a securitização dos fluxos migratórios no espaço europeu: o caso do governo italiano Cinco Estrelas-Liga (2018-2019).

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Ao longo da década de 2010, intensos fluxos de migrantes e refugiados pelo Mar Mediterrâneo em direção à Europa coexistem com crescentes discursos e movimentos nacionalistas anti-imigração. Nesta conjuntura, a política migratória da Itália é marcadamente securitizada no governo de coligação do autodeclarado antissistema Movimento Cinco Estrelas com o partido populista-nacionalista Liga (junho de 2018-setembro de 2019). Em um país que é uma das principais “portas de entrada” e áreas de trânsito de migrantes na União Europeia, a gestão dos fluxos migratórios neste período (a cargo de Matteo Salvini, ministro do Interior e líder da Liga) é marcada por restrições a resgates e desembarques de migrantes em situação irregular e mudanças legais que crescentemente dificultam condições para concessão de proteção e asilo. Dado que as práticas adotadas são contestadas por diferentes setores sociais ao resultarem em potenciais violações aos direitos humanos e internacional, esta tese propõe-se a investigar de que modo a política migratória italiana é securitizada e gerida através da legitimação de ações excepcionais, em um período em que o país já verificava decréscimo dos fluxos migratórios. Para isto, conduzimos um estudo de caso baseado na síntese entre a teoria da securitização e a teoria pós-estruturalista do discurso, apoiado empiricamente por uma análise de discurso de Salvini e Liga focada em eventos-chave nos quais a imigração é posta no centro da agenda política durante este governo. Esta análise problematiza a influência das retóricas populistas-nacionalistas destes atores na hegemonização de uma antagonização migratória, clarificando a contingência e marcadores identitários de seus discursos que enquadram imigrantes e refugiados como ameaças de segurança. Assim, buscamos evidenciar como o processo ajuda a normalizar a excepcionalidade nas dimensões interna e externa de sua política migratória. Por fim, diante das contestações a esta dinâmica, identificamos projetos alternativos que materializam identidades e práticas mais inclusivas frente a estes desafios migratórios.
Autores principais:Salvador, Breno
Assunto:Securitização política migratória nacionalismo Itália União Europeia teoria pós-estruturalista do discurso Securitization migratory policy nationalism Italy European Union post-structuralist discourse theory
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Ao longo da década de 2010, intensos fluxos de migrantes e refugiados pelo Mar Mediterrâneo em direção à Europa coexistem com crescentes discursos e movimentos nacionalistas anti-imigração. Nesta conjuntura, a política migratória da Itália é marcadamente securitizada no governo de coligação do autodeclarado antissistema Movimento Cinco Estrelas com o partido populista-nacionalista Liga (junho de 2018-setembro de 2019). Em um país que é uma das principais “portas de entrada” e áreas de trânsito de migrantes na União Europeia, a gestão dos fluxos migratórios neste período (a cargo de Matteo Salvini, ministro do Interior e líder da Liga) é marcada por restrições a resgates e desembarques de migrantes em situação irregular e mudanças legais que crescentemente dificultam condições para concessão de proteção e asilo. Dado que as práticas adotadas são contestadas por diferentes setores sociais ao resultarem em potenciais violações aos direitos humanos e internacional, esta tese propõe-se a investigar de que modo a política migratória italiana é securitizada e gerida através da legitimação de ações excepcionais, em um período em que o país já verificava decréscimo dos fluxos migratórios. Para isto, conduzimos um estudo de caso baseado na síntese entre a teoria da securitização e a teoria pós-estruturalista do discurso, apoiado empiricamente por uma análise de discurso de Salvini e Liga focada em eventos-chave nos quais a imigração é posta no centro da agenda política durante este governo. Esta análise problematiza a influência das retóricas populistas-nacionalistas destes atores na hegemonização de uma antagonização migratória, clarificando a contingência e marcadores identitários de seus discursos que enquadram imigrantes e refugiados como ameaças de segurança. Assim, buscamos evidenciar como o processo ajuda a normalizar a excepcionalidade nas dimensões interna e externa de sua política migratória. Por fim, diante das contestações a esta dinâmica, identificamos projetos alternativos que materializam identidades e práticas mais inclusivas frente a estes desafios migratórios.