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A inovação tecnológica no sector de componentes para a indústria automóvel

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Resumo:A indústria automóvel tem desempenhado ao longo do último século um importante papel nas economias dos países mais desenvolvidos, devido em grande parte à capacidade de regeneração a nível tecnológico e organizativo. Actualmente, o mercado é dominado pelos grandes construtores americanos, europeus e japoneses. A estagnação tendencial das vendas, nestes mercados tem induzido estratégias de deslocalização da produção para as economias emergentes da Ásia, América Latina e Europa de Leste, com o propósito de aproveitar as oportunidades de crescimento que estes mercados têm conhecido nos últimos anos. Os vultuosos investimentos anunciados para os próximos anos nestas regiões, deverão contribuir para alargar o fosso actual, estimado em 25%, entre a capacidade instalada e a procura de veículos, fenómeno que prefigura, a médio/longo prazo, uma crise de sobrecapacidade que poderá levar ao encerramento de muitas fábricas a nível mundial. Há contudo outras tendências de mudança nesta indústria que devem necessariamente ser tomadas em consideração. Numa economia global em convergência, a competitividade-custo, está a ser superada por factores de natureza qualitativa, de entre os quais destacamos a inovação tecnológica, entendida esta como a aplicação de novos conhecimentos tecnológicos que resultam em novos ou melhorados produtos, processos ou serviços. Assim a primeira parte deste trabalho é dedicada ao estudo sintético do quadro conceptual que envolve a inovação. Na segunda e terceira partes, contextualizadas por aquela envolvente teórica, procedemos à avaliação da importância relativa da inovação tecnológica na autonomia e flexibilidade estratégica das empresas fabricantes de componentes para automóveis em Portugal. A indústria automóvel portuguesa tem vindo a sofrer, nos últimos anos, uma alteração profunda nos domínios tecnológico e de organização, associada a novas formas de cooperação empresarial e de concorrência nos mercados. A indústria de componentes, acompanhando este movimento, tem enfrentado fortes desafios que lhe vão sendo colocados pelos construtores, nomeadamente ao nível da qualidade e da gestão da produção. Apesar dos elevados índices de crescimento registados nos últimos anos, tanto nas vendas totais, como nas exportações, continua muito dependente das especificações técnicas dos seus clientes, facto que lhe inibe a autonomia e a flexibilidade estratégica. Neste estudo concluímos que há duas situações bem distintas, neste sector, em Portugal. Por um lado, temos as empresas isoladas, enquanto que, por outro, temos aquelas que estão inseridas em grupos ou em multinacionais. As primeiras, muito dependentes dos seus clientes e possuindo um reduzido poder de mercado, são obrigadas a trabalhar com margens apertadas. A menor capacidade de actualização tecnológica daí resultante, relega-as para uma posição de fornecedores de segundo e terceiro nível, facto que lhes dificulta a acumulação dos meios de capital necessários para fazer face a uma mudança radical da carteira de clientes, no caso de uma crise continuada na indústria automóvel. As segundas, com pouca autonomia de gestão e de decisão, seguem uma política definida pela casa mãe, não revelando problemas de inserção nos mercados. A gestão tecnológica é, também ela, assegurada a nível central, garantindo-lhes uma actualização constante e o acompanhamento das inovações mais recentes. É esta autonomia tecnológica que lhes confere o estatuto de fornecedores de primeiro nível, estando a sua sobrevivência especialmente dependente da capacidade em acompanharem os movimentos de deslocalização dos construtores e da capacidade em combinarem novas tecnologias, de molde a assegurarem o fornecimento de sistemas completos no cada vez mais modularizado automóvel.
Autores principais:Valente, Fernando Manuel
Assunto:Inovação tecnológica Competitividade Produção Flexível Cooperação Empresarial Sector de componentes para a indústria automóvel Technological Innovation Competition Flexible Production Managerial Cooperation Automotive Components Sector
Ano:1999
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A indústria automóvel tem desempenhado ao longo do último século um importante papel nas economias dos países mais desenvolvidos, devido em grande parte à capacidade de regeneração a nível tecnológico e organizativo. Actualmente, o mercado é dominado pelos grandes construtores americanos, europeus e japoneses. A estagnação tendencial das vendas, nestes mercados tem induzido estratégias de deslocalização da produção para as economias emergentes da Ásia, América Latina e Europa de Leste, com o propósito de aproveitar as oportunidades de crescimento que estes mercados têm conhecido nos últimos anos. Os vultuosos investimentos anunciados para os próximos anos nestas regiões, deverão contribuir para alargar o fosso actual, estimado em 25%, entre a capacidade instalada e a procura de veículos, fenómeno que prefigura, a médio/longo prazo, uma crise de sobrecapacidade que poderá levar ao encerramento de muitas fábricas a nível mundial. Há contudo outras tendências de mudança nesta indústria que devem necessariamente ser tomadas em consideração. Numa economia global em convergência, a competitividade-custo, está a ser superada por factores de natureza qualitativa, de entre os quais destacamos a inovação tecnológica, entendida esta como a aplicação de novos conhecimentos tecnológicos que resultam em novos ou melhorados produtos, processos ou serviços. Assim a primeira parte deste trabalho é dedicada ao estudo sintético do quadro conceptual que envolve a inovação. Na segunda e terceira partes, contextualizadas por aquela envolvente teórica, procedemos à avaliação da importância relativa da inovação tecnológica na autonomia e flexibilidade estratégica das empresas fabricantes de componentes para automóveis em Portugal. A indústria automóvel portuguesa tem vindo a sofrer, nos últimos anos, uma alteração profunda nos domínios tecnológico e de organização, associada a novas formas de cooperação empresarial e de concorrência nos mercados. A indústria de componentes, acompanhando este movimento, tem enfrentado fortes desafios que lhe vão sendo colocados pelos construtores, nomeadamente ao nível da qualidade e da gestão da produção. Apesar dos elevados índices de crescimento registados nos últimos anos, tanto nas vendas totais, como nas exportações, continua muito dependente das especificações técnicas dos seus clientes, facto que lhe inibe a autonomia e a flexibilidade estratégica. Neste estudo concluímos que há duas situações bem distintas, neste sector, em Portugal. Por um lado, temos as empresas isoladas, enquanto que, por outro, temos aquelas que estão inseridas em grupos ou em multinacionais. As primeiras, muito dependentes dos seus clientes e possuindo um reduzido poder de mercado, são obrigadas a trabalhar com margens apertadas. A menor capacidade de actualização tecnológica daí resultante, relega-as para uma posição de fornecedores de segundo e terceiro nível, facto que lhes dificulta a acumulação dos meios de capital necessários para fazer face a uma mudança radical da carteira de clientes, no caso de uma crise continuada na indústria automóvel. As segundas, com pouca autonomia de gestão e de decisão, seguem uma política definida pela casa mãe, não revelando problemas de inserção nos mercados. A gestão tecnológica é, também ela, assegurada a nível central, garantindo-lhes uma actualização constante e o acompanhamento das inovações mais recentes. É esta autonomia tecnológica que lhes confere o estatuto de fornecedores de primeiro nível, estando a sua sobrevivência especialmente dependente da capacidade em acompanharem os movimentos de deslocalização dos construtores e da capacidade em combinarem novas tecnologias, de molde a assegurarem o fornecimento de sistemas completos no cada vez mais modularizado automóvel.