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A ciência árabe na Europa renascentista: a tradição hay’a e a astronomia europeia
| Summary: | A descoberta de um conjunto de teorias astronómicas associadas à tradição hay’a tem provocado uma polémica em História das Ciências durante os últimos 60 anos. Tratando-se de uma forma de astronomia medieval árabe, semelhante à que Copérnico propôs cerca de 150 anos mais tarde, a sua descoberta implicou a revisão de algumas teorias geralmente aceites. Se, por um lado, se evidenciou uma tradição árabe cujos modelos e mecanismos se distinguiam dos ptolemaicos, por outro, iniciou-se uma discussão sobre a influência que esta tradição teria tido na astronomia europeia. Considerando a relevância atribuída ao astrónomo polaco em narrativas sobre o início da ciência moderna, a polémica tem sido abordada por historiadores de ciências matemáticas, árabes e ocidentais. Partindo das interpretações propostas por alguns destes, assim como de determinadas fontes associadas ao problema, o principal objectivo desta dissertação é desenvolver uma visão crítica acerca da polémica historiográfica. Propõem-se, nesse sentido, dois capítulos: um primeiro, relacionado com a revisão de conceitos centrais, assim como da hipótese de circulação de conhecimento na Europa renascentista; e um segundo, relacionado com uma análise da própria polémica, ou seja, com a procura de entender o que foi a tradição hay’a, de que forma esta se assemelha à astronomia coperniciana e quais as possibilidades de transmissão ou descoberta independente. Investigando também narrativas sobre o início da ciência moderna, contrastaram-se três abordagens diferentes: uma fundamentalmente matemática, preocupada com a comparação técnica das teorias astronómicas; outra que, baseada na comparação das próprias tradições de astronomia, propõe uma reflexão sobre a possibilidade de transmissão; e uma última que, na ausência de uma prova de transmissão, tem dispensado uma consideração aprofundada sobre a polémica. Concluiu-se, finalmente, que existe uma falta de diálogo principalmente entre a segunda e a terceira abordagem, na medida em que, em algumas das narrativas recentes sobre Copérnico, a “revolução científica”, ou o início da ciência moderna, parecem conhecer a tradição hay’a apenas parcialmente. |
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| Main Authors: | Costa, Inês Noronha Bénard da |
| Subject: | Hay’a Copérnico Astronomia medieval Astronomia árabe Circulação de conhecimento Teses de mestrado - 2019 |
| Year: | 2019 |
| Country: | Portugal |
| Document type: | master thesis |
| Access type: | open access |
| Associated institution: | Universidade de Lisboa |
| Language: | Portuguese |
| Origin: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Summary: | A descoberta de um conjunto de teorias astronómicas associadas à tradição hay’a tem provocado uma polémica em História das Ciências durante os últimos 60 anos. Tratando-se de uma forma de astronomia medieval árabe, semelhante à que Copérnico propôs cerca de 150 anos mais tarde, a sua descoberta implicou a revisão de algumas teorias geralmente aceites. Se, por um lado, se evidenciou uma tradição árabe cujos modelos e mecanismos se distinguiam dos ptolemaicos, por outro, iniciou-se uma discussão sobre a influência que esta tradição teria tido na astronomia europeia. Considerando a relevância atribuída ao astrónomo polaco em narrativas sobre o início da ciência moderna, a polémica tem sido abordada por historiadores de ciências matemáticas, árabes e ocidentais. Partindo das interpretações propostas por alguns destes, assim como de determinadas fontes associadas ao problema, o principal objectivo desta dissertação é desenvolver uma visão crítica acerca da polémica historiográfica. Propõem-se, nesse sentido, dois capítulos: um primeiro, relacionado com a revisão de conceitos centrais, assim como da hipótese de circulação de conhecimento na Europa renascentista; e um segundo, relacionado com uma análise da própria polémica, ou seja, com a procura de entender o que foi a tradição hay’a, de que forma esta se assemelha à astronomia coperniciana e quais as possibilidades de transmissão ou descoberta independente. Investigando também narrativas sobre o início da ciência moderna, contrastaram-se três abordagens diferentes: uma fundamentalmente matemática, preocupada com a comparação técnica das teorias astronómicas; outra que, baseada na comparação das próprias tradições de astronomia, propõe uma reflexão sobre a possibilidade de transmissão; e uma última que, na ausência de uma prova de transmissão, tem dispensado uma consideração aprofundada sobre a polémica. Concluiu-se, finalmente, que existe uma falta de diálogo principalmente entre a segunda e a terceira abordagem, na medida em que, em algumas das narrativas recentes sobre Copérnico, a “revolução científica”, ou o início da ciência moderna, parecem conhecer a tradição hay’a apenas parcialmente. |
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