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Impacto a longo prazo do excesso de peso e da obesidade na infância e adolescência

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A prevalência da obesidade tem escalado nas últimas décadas, tanto em Portugal, como em todo o mundo, e está cada vez mais presente num dos grupos mais vulneráveis da nossa sociedade, a população infantojuvenil. Esta doença está relacionada com o aparecimento de patologias como a diabetes mellitus tipo 2, doença cardiovascular e hepática, e é alarmante o aumento do seu diagnóstico nas faixas etárias mais jovens. É necessário perceber qual o impacto que a obesidade pode ter no aparecimento e evolução destas comorbilidades durante a juventude e na vida futura. O desenvolvimento de obesidade está principalmente associado a um excesso de ingestão calórica, que resulta num balaço energético positivo com acumulação de gordura no tecido adiposo. No século XXI, o estilo de vida sedentário e a má alimentação das crianças são os principais desencadeadores do ganho de peso, embora a presença de obesidade possa também ser secundária a patologias genéticas. Vários estudos têm demonstrado que o excesso de adiposidade desencadeia um estado de inflamação crónica e alterações na produção hormonal, que podem ter consequências em diversos órgãos e sistemas. A hipertensão arterial e a dislipidemia presente em crianças obesas, está intimamente relacionada com a ocorrência futura de eventos de risco cardiovascular. Também a saúde óssea e mental é negativamente afetada e os jovens obesos apresentam maior probabilidade de fraturas dos membros inferiores, assim como maior prevalência de episódios depressivos. O diagnóstico destas patologias em idades precoces tem consequências a longo prazo e pode ter um grande impacto na qualidade de vida destes jovens enquanto adultos. Está, no entanto, demonstrado que é possível reduzir as consequências, através da normalização do peso corporal. A implementação de alterações no estilo de vida numa fase inicial da doença pode contribuir para a diminuição do excesso de peso, podendo ser necessário recorrer a terapêutica farmacológica ou cirúrgica em casos de obesidade infantil severa, à qual já estejam associadas comorbilidades. O farmacêutico, como profissional de saúde, pela proximidade à população e pelo seu conhecimento científico, pode ter um papel ativo na prevenção da obesidade infantil e no acompanhamento do seu tratamento quando este é necessário.
Autores principais:Piteira, Joana dos Santos
Assunto:Crianças e jovens Excesso de peso Obesidade infantil Consequências futuras. Mestrado Integrado - 2023
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A prevalência da obesidade tem escalado nas últimas décadas, tanto em Portugal, como em todo o mundo, e está cada vez mais presente num dos grupos mais vulneráveis da nossa sociedade, a população infantojuvenil. Esta doença está relacionada com o aparecimento de patologias como a diabetes mellitus tipo 2, doença cardiovascular e hepática, e é alarmante o aumento do seu diagnóstico nas faixas etárias mais jovens. É necessário perceber qual o impacto que a obesidade pode ter no aparecimento e evolução destas comorbilidades durante a juventude e na vida futura. O desenvolvimento de obesidade está principalmente associado a um excesso de ingestão calórica, que resulta num balaço energético positivo com acumulação de gordura no tecido adiposo. No século XXI, o estilo de vida sedentário e a má alimentação das crianças são os principais desencadeadores do ganho de peso, embora a presença de obesidade possa também ser secundária a patologias genéticas. Vários estudos têm demonstrado que o excesso de adiposidade desencadeia um estado de inflamação crónica e alterações na produção hormonal, que podem ter consequências em diversos órgãos e sistemas. A hipertensão arterial e a dislipidemia presente em crianças obesas, está intimamente relacionada com a ocorrência futura de eventos de risco cardiovascular. Também a saúde óssea e mental é negativamente afetada e os jovens obesos apresentam maior probabilidade de fraturas dos membros inferiores, assim como maior prevalência de episódios depressivos. O diagnóstico destas patologias em idades precoces tem consequências a longo prazo e pode ter um grande impacto na qualidade de vida destes jovens enquanto adultos. Está, no entanto, demonstrado que é possível reduzir as consequências, através da normalização do peso corporal. A implementação de alterações no estilo de vida numa fase inicial da doença pode contribuir para a diminuição do excesso de peso, podendo ser necessário recorrer a terapêutica farmacológica ou cirúrgica em casos de obesidade infantil severa, à qual já estejam associadas comorbilidades. O farmacêutico, como profissional de saúde, pela proximidade à população e pelo seu conhecimento científico, pode ter um papel ativo na prevenção da obesidade infantil e no acompanhamento do seu tratamento quando este é necessário.