Publicação
Acute kidney injury in asphyxiated newborns treated with therapeutic hypothermia
| Resumo: | Introdução: A asfixia perinatal é uma causa major de disfunção multiorgânica em recém-nascidos. De acordo com a literatura atual22, a lesão renal aguda é comum em recém-nascidos com encefalopatia hipóxico-isquémica, caracterizada por um quadro de coma e convulsões, em consequência de um processo de isquémia e hipoxia no período perinatal. Objetivos: Este estudo tem como objetivos: 1) Determinar a incidência de lesão renal aguda em recém-nascidos que desenvolveram encefalopatia hipóxico-isquémica, tendo sido submetidos a hipotermia induzida, e 2) Averiguar a correlação entre a gravidade do prognóstico neurológico a curto-prazo destes recém-nascidos com o desenvolvimento de lesão renal aguda. Métodos: Foi realizado um estudo prospetivo dos recém-nascidos com encefalopatia hipóxico-isquémica, submetidos a hipotermia induzida no Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, EPE, desde a implantação do programa (2010) até 2017. De acordo, com o seu prognóstico neurológico expectável a curto-prazo, a população em estudo foi dividida em dois grupos (Favorável/Desfavorável), com base no eletroencefalograma de amplitude integrada (aEEG) e na ressonância magnética realizada às 2 semanas de vida. Para a definição de lesão renal aguda, foram utilizados os critérios modificados para o período neonatal, definidos pela Kidney Disease: Improving Global Outcomes (KDIGO)28. Os parâmetros renais (creatinina sérica e débito urinário) da população foram monitorizados durante a hospitalização. Após a colheita dos dados, foi realizada a sua análise estatística, recorrendo-se ao programa SPSS, versão 26. Resultados: Neste estudo foram incluídos 92 pacientes, dos quais 59 (64%) eram do sexo masculino, enquanto 32 (35%) eram do sexo feminino. A média de peso ao nascer foi 3161 ± 615.7g e a idade gestacional média foi 39.06 ± 1.63 semanas. Verificou-se que 44 (48%) dos recém-nascidos estudados desenvolveram lesão renal aguda (LRA), dos quais 38 (86%) tiveram LRA estádio I, 2 (5%) desenvolveram LRA estádio II, enquanto os restantes 4 (9%) recém-nascidos desenvolveram LRA estádio III. No recém-nascidos com LRA, verificou-se, embora não estatisticamente significativa, uma maior mortalidade (17% vs. 10%) e uma hospitalização cerca de 2.1 dias mais prolongada na Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais, quando comparados com o recém-nascidos sem LRA. No que concerne ao prognóstico neurológico expectável a curto-prazo, este foi determinado em 61 (66%) dos recém-nascidos em estudo, sendo que destes 39/61 (6%) apresentavam prognóstico desfavorável. Globalmente, verificou-se uma maior incidência de lesão renal aguda nos recém-nascidos com prognóstico neurológico a curto-prazo desfavorável (64% vs. 36%). Conclusões: A realização deste estudo permitiu concluir que a lesão renal aguda ocorre frequentemente em recém-nascidos com encefalopatia hipóxico-isquémica, submetidos a hipotermia induzida, bem como quando a associada a lesão renal aguda, os recém-nascidos apresentam maior taxa de mortalidade e tempo de internamento em Unidade de cuidados intensivos. Observou-se uma correlação, estatisticamente significativa, entre a severidade do prognóstico neurológico a curto-prazo na encefalopatia hipóxico-isquémica e o desenvolvimento de lesão renal aguda. A realização de novos estudos, tendo como objetivo a deteção precoce de lesão renal aguda, possíveis estratégias renoprotetoras e o esclarecimento das possíveis sequelas a longo prazo nesta população de elevado risco de atingimento renal é recomendada. |
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| Autores principais: | Boto, Catarina Miguel Santos |
| Assunto: | Asfixia perinatal Encefalopatia hipóxico-isquémica Lesão renal aguda Recém-nascido Hipotermia induzida |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | inglês |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Introdução: A asfixia perinatal é uma causa major de disfunção multiorgânica em recém-nascidos. De acordo com a literatura atual22, a lesão renal aguda é comum em recém-nascidos com encefalopatia hipóxico-isquémica, caracterizada por um quadro de coma e convulsões, em consequência de um processo de isquémia e hipoxia no período perinatal. Objetivos: Este estudo tem como objetivos: 1) Determinar a incidência de lesão renal aguda em recém-nascidos que desenvolveram encefalopatia hipóxico-isquémica, tendo sido submetidos a hipotermia induzida, e 2) Averiguar a correlação entre a gravidade do prognóstico neurológico a curto-prazo destes recém-nascidos com o desenvolvimento de lesão renal aguda. Métodos: Foi realizado um estudo prospetivo dos recém-nascidos com encefalopatia hipóxico-isquémica, submetidos a hipotermia induzida no Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, EPE, desde a implantação do programa (2010) até 2017. De acordo, com o seu prognóstico neurológico expectável a curto-prazo, a população em estudo foi dividida em dois grupos (Favorável/Desfavorável), com base no eletroencefalograma de amplitude integrada (aEEG) e na ressonância magnética realizada às 2 semanas de vida. Para a definição de lesão renal aguda, foram utilizados os critérios modificados para o período neonatal, definidos pela Kidney Disease: Improving Global Outcomes (KDIGO)28. Os parâmetros renais (creatinina sérica e débito urinário) da população foram monitorizados durante a hospitalização. Após a colheita dos dados, foi realizada a sua análise estatística, recorrendo-se ao programa SPSS, versão 26. Resultados: Neste estudo foram incluídos 92 pacientes, dos quais 59 (64%) eram do sexo masculino, enquanto 32 (35%) eram do sexo feminino. A média de peso ao nascer foi 3161 ± 615.7g e a idade gestacional média foi 39.06 ± 1.63 semanas. Verificou-se que 44 (48%) dos recém-nascidos estudados desenvolveram lesão renal aguda (LRA), dos quais 38 (86%) tiveram LRA estádio I, 2 (5%) desenvolveram LRA estádio II, enquanto os restantes 4 (9%) recém-nascidos desenvolveram LRA estádio III. No recém-nascidos com LRA, verificou-se, embora não estatisticamente significativa, uma maior mortalidade (17% vs. 10%) e uma hospitalização cerca de 2.1 dias mais prolongada na Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais, quando comparados com o recém-nascidos sem LRA. No que concerne ao prognóstico neurológico expectável a curto-prazo, este foi determinado em 61 (66%) dos recém-nascidos em estudo, sendo que destes 39/61 (6%) apresentavam prognóstico desfavorável. Globalmente, verificou-se uma maior incidência de lesão renal aguda nos recém-nascidos com prognóstico neurológico a curto-prazo desfavorável (64% vs. 36%). Conclusões: A realização deste estudo permitiu concluir que a lesão renal aguda ocorre frequentemente em recém-nascidos com encefalopatia hipóxico-isquémica, submetidos a hipotermia induzida, bem como quando a associada a lesão renal aguda, os recém-nascidos apresentam maior taxa de mortalidade e tempo de internamento em Unidade de cuidados intensivos. Observou-se uma correlação, estatisticamente significativa, entre a severidade do prognóstico neurológico a curto-prazo na encefalopatia hipóxico-isquémica e o desenvolvimento de lesão renal aguda. A realização de novos estudos, tendo como objetivo a deteção precoce de lesão renal aguda, possíveis estratégias renoprotetoras e o esclarecimento das possíveis sequelas a longo prazo nesta população de elevado risco de atingimento renal é recomendada. |
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