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A participação das pessoas idosas em serviços de apoio domiciliário:a perspetiva do cliente face à intervenção social

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Detalhes bibliográficos
Resumo:As sociedades modernas encontram-se demograficamente envelhecidas. A população idosa procura cada vez mais cuidados no domicílio procurando adiar ao máximo a institucionalização. Nesse sentido, a resposta social serviço de apoio domiciliário tem sido muito procurada desde a década de 90. A oferta desta resposta social aumentou muito desde então, todavia, importa também que aumente a qualidade dos serviços que esta desenvolve. Ao nível do Serviço Social constata-se que no acesso ao serviço e durante o processo de intervenção, o profissional decide pela pessoa idosa impondo-lhe a sua vontade. Nesses casos, o interventor não coloca a pessoa idosa no centro da intervenção social negligenciando por vezes os seus direitos. Desse modo a pessoa idosa perde a possibilidade de participar: participar da decisão nas matérias que a ela lhe dizem respeito, participar nos serviços que lhe serão prestados e até mesmo, participar na intervenção social, colocando em causa a autodeterminação. O objetivo da presente investigação foi estudar este fenómeno procurando conhecer como é percebida pelos clientes a participação no que diz respeito à defesa da sua vontade, no contexto das intervenções de Serviço Social no âmbito do serviço de apoio domiciliário. O presente estudo foi efetuado com recurso a métodos quantitativos e qualitativos e com técnicas mistas: a entrevista semidirigida e o inquérito por questionário. O universo do estudo foi composto por dois serviços de apoio domiciliário localizados na cidade Lisboa. Neste âmbito foi definida uma amostra intencional não probabilística. Aplicou-se o inquérito por questionário a 31 clientes de serviços de apoio domiciliário. Concomitantemente foram entrevistados dois profissionais de Serviço Social coordenadores dos serviços de apoio domiciliário estudados. O tratamento dos dados quantitativos foi efetuado através de um programa próprio para análise estatística: SPSS. Por seu lado, o tratamento dos dados qualitativos foi realizado por via da análise de conteúdo.Concluímos que os clientes consideram-se plenamente participantes e plenamente respeitados quanto à sua participação e decisão, no âmbito da intervenção social. (Mas ficamos sem saber se estas respostas não ocorrem porque os clientes não desejam pôr em causa o serviço que lhes é prestado, demonstrando ainda mais a sua condição de fragilidade a nível da participação). Pois todavia, os mesmos clientes apontam posteriormente a ocorrência de variadas falhas, na consideração da vontade/autodeterminação dos clientes e na promoção da participação na intervenção social, por parte dos assistentes sociais. Isto sucede porque os clientes não estão integrados como seria desejável nos serviços e as intervenções não promovem a participação social efetiva devido às fragilidades físicas e cognitivas das pessoas idosas.
Autores principais:Jerónimo, Miguel Nuno Ramos Leite Cordeiro
Assunto:Envelhecimento Pessoas idosas Serviço de apoio domiciliário Participação Vontade Autodeterminação Ageing Elderly people Home care service Participation will Self-determination
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:As sociedades modernas encontram-se demograficamente envelhecidas. A população idosa procura cada vez mais cuidados no domicílio procurando adiar ao máximo a institucionalização. Nesse sentido, a resposta social serviço de apoio domiciliário tem sido muito procurada desde a década de 90. A oferta desta resposta social aumentou muito desde então, todavia, importa também que aumente a qualidade dos serviços que esta desenvolve. Ao nível do Serviço Social constata-se que no acesso ao serviço e durante o processo de intervenção, o profissional decide pela pessoa idosa impondo-lhe a sua vontade. Nesses casos, o interventor não coloca a pessoa idosa no centro da intervenção social negligenciando por vezes os seus direitos. Desse modo a pessoa idosa perde a possibilidade de participar: participar da decisão nas matérias que a ela lhe dizem respeito, participar nos serviços que lhe serão prestados e até mesmo, participar na intervenção social, colocando em causa a autodeterminação. O objetivo da presente investigação foi estudar este fenómeno procurando conhecer como é percebida pelos clientes a participação no que diz respeito à defesa da sua vontade, no contexto das intervenções de Serviço Social no âmbito do serviço de apoio domiciliário. O presente estudo foi efetuado com recurso a métodos quantitativos e qualitativos e com técnicas mistas: a entrevista semidirigida e o inquérito por questionário. O universo do estudo foi composto por dois serviços de apoio domiciliário localizados na cidade Lisboa. Neste âmbito foi definida uma amostra intencional não probabilística. Aplicou-se o inquérito por questionário a 31 clientes de serviços de apoio domiciliário. Concomitantemente foram entrevistados dois profissionais de Serviço Social coordenadores dos serviços de apoio domiciliário estudados. O tratamento dos dados quantitativos foi efetuado através de um programa próprio para análise estatística: SPSS. Por seu lado, o tratamento dos dados qualitativos foi realizado por via da análise de conteúdo.Concluímos que os clientes consideram-se plenamente participantes e plenamente respeitados quanto à sua participação e decisão, no âmbito da intervenção social. (Mas ficamos sem saber se estas respostas não ocorrem porque os clientes não desejam pôr em causa o serviço que lhes é prestado, demonstrando ainda mais a sua condição de fragilidade a nível da participação). Pois todavia, os mesmos clientes apontam posteriormente a ocorrência de variadas falhas, na consideração da vontade/autodeterminação dos clientes e na promoção da participação na intervenção social, por parte dos assistentes sociais. Isto sucede porque os clientes não estão integrados como seria desejável nos serviços e as intervenções não promovem a participação social efetiva devido às fragilidades físicas e cognitivas das pessoas idosas.