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La forma del construito costiero non accreditato

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Resumo:Premissa Em Arquitectura, o desenvolvimento, a confirmação ou a negação de alguns paradigmas culturais e teóricos deve ser antecedido pelo mesmo processo em relação ao mais básico e prioritário dos objetos em questão, ou seja, o veículo das mesmas conjeturas, o produto de estes três anos de formação de terceiro ciclo: a tese de doutoramento. Esta é precisamente uma pesquisa, uma investigação de carácter experimental, original e inédita, confrontada meticulosamente com capacidades e técnicas capazes de controlar o seu processo. Não constitui uma prática de deificação de verdade dogmática, não tem validade universal, não revela a soma absoluta do saber. Pelo contrário, quer gostemos quer não, a investigação, como atividade, é de natureza duplamente parcial: epistemológica e temporal. Por sua vez, derivado de visões anteriores e baseado em inúmeros estudos, é um segmento do saber com uma certa legitimidade, transmissível entre pensadores e operadores da comunidade científica. Ao mesmo tempo, não tem validade cronológica ilimitada e não constitui uma meta invejada, mas sim um ponto de partida para futuras pesquisas académicas, próprias e de outrem, para um avanço disciplinar contínuo. É também importante precisar que o objeto de estudo não é produto de um capricho, e a investigação que dele resulta não constitui um exercício ocioso. Persiste, no entanto, a convicção de que é necessário que sejamos comedidos, mantendo-nos o mais possível dentro do nosso campo disciplinar específico, agora cada vez mais adulterado por desvios e fascinações sócio-antropológicas, com as condições da contemporaneidade na esfera de um realismo saudável. Objeto da pesquisa O objeto desta pesquisa é, portanto, aquela paisagem moderna dos segmentos costeiros do sul da Europa feita de geografia e de objets trouves, formas e materiais comuns, arquiteturas ainda “não acreditadas”, resultantes de práticas não muito claras – traços de cidades informais litorais, produtos de auto-construção, ilegalidades, e ambiguidade normativa – que têm normalmente origem, necessidade, sentido e uso autónomos, relativamente a eventuais leituras formais e convencionais, mas que podem interessar bastante a quem se ocupa do território contemporâneo antrópico. Quer se queira quer não, estes manufatos, pela presença cénica por vezes tão imponente e violenta, outras vezes insignificante e camuflada, representam uma quota consistente da paisagem contemporânea e das ocasiões profissionais de nós arquitetos, cada vez mais forçados a manipular, com o olhar e com as nossas obras, a transformar e a corrigir este tipo de situações complexas, em vez de enriquecer os nossos territórios com nova edificação. Só os edifícios abusivos em Itália chegam aos 17%, enquanto que a percentagem aumenta entre os 30% e os 40% se considerarmos as construções que persistem ao longo da costa; a vizinha Grécia evidencia práticas semelhantes; se considerarmos também os edifícios autorizados do ponto de vista normativo, mas nunca ‘dirigidos’ a quem os observa, é óbvio que falamos pelo menos de metade daquilo que há anos temos constantemente debaixo dos olhos. Um fenómeno de quantidades e dimensões tais que é legítimo, por um lado, reconhecer que o atual sistema positivista normativo é, resumidamente, bastante ineficaz, e, por outro, falar de situações inadiáveis, e não de dissertação teorética gratuita. Talvez tenhamos realmente passado um ponto sem retorno. É possível conjeturar a demolição de quilómetros e quilómetros de construção ao longo da costa? Como reutilizar e armazenar os milhares de restos de metros cúbicos de materiais de construção civil não recicláveis? É economicamente sustentável? É dialeticamente correto? É culturalmente sincrónico? Cada empreendimento demiúrgico, adequado a reimplantar uma hipotética idade de ouro ou o sublimado “ponto zero” do estado natural das coisas, arrisca a parecer mais arrogante e insensato – mesmo que não seja considerado assim pelo senso comum – que uma humilde e realista tentativa de reconhecer certas formas que adornam o território honestamente rejeitado na consciência da autonomia disciplinar e dos limites – dentro dos quais a nossa investigação pode definir-se, de um certo modo, como científica – das nossas competências de estudiosos de arquitetura, que não se confundem com as nossas aspirações vagas de cidadãos e utentes sociais. Trata-se, na verdade, de abandonar por um momento os impulsos políticos e sociológicos e a prática da “reportagem da degradação” – muito em voga hoje – para se limitar, e não se trata de limites, pelo contrário, a investigar, na qualidade de arquiteto, a forma, e compreender até que ponto, objetos e linguagem, não considerados áulicos e sem acreditação, possam constituir, pelo contrário, materiais de construção de interesse. Exatamente como outros, não só no campo arquitetónico, têm repetidamente tentado, ao longo da história, uma cultura nova de partilha. O significado de acreditação A tese de doutoramento entende, portanto, propor uma leitura da paisagem contemporânea, olhando a dinâmica da acreditação como o principal instrumento de reavaliação de alguns objetos e segmentos costeiros da nossa área geográfico-cultural, a fim de enfrentar mais adequadamente a complexidade da gestão de território. A pesquisa explora, portanto, algumas técnicas compositivas para a acreditação, ou seja, contextualiza o objeto, ou o conjunto de objetos, em novos e variados possíveis sistemas de relações funcionais da construção da paisagem, do espaço coletivo, da forma e da contemporaneidade. A acreditação de um objeto está ligada a características intrínsecas e extrínsecas ao mesmo. Esta reside seguramente em atributos formais – forma, dimensões, escala, relação com a paisagem, materiais utilizados – mas sobretudo, amaldiçoando um estéril e perigoso elenco numérico das qualidades a registar, evitando a redução da arquitetura a sistemas meramente quantitativos, em características extrínsecas ao próprio objeto. Em primeiro lugar, a capacidade de criação – aliás, compositiva - que descreve o objeto a ser acreditado, a partir da operação de lançar um olhar sobre este, que é já projeto, transformando-o e tornando evidente com a produção de uma forma (seja ela uma fotografia, uma colagem, um desenho, um poema, uma composição musical) esta transformação. Uma transformação que consiste sobretudo na ativação de novas relações entre o objeto e outros elementos e layers do território, sejam estes materiais ou imateriais. Método e resultados esperados A acumulação de fragmentos da contemporaneidade sobre a forma de um ábaco de elementos de um vocabulário possível, a abstração das formas que adornam a nossa geografia, o confronto sistemático entre “objetos encontrados”, esquecimento de hoje, e casos do passado pelos quais existe uma clara e universal atribuição de qualidade, o desnivelamento de um diálogo organizado entre elementos de pontuação, geneticamente heterogéneos, de diversas frentes costeiras, pode constituir um exercício saudável de observação para poder superar o paradigma do pitoresco e da lente da retórica, principais limites da pesquisa de onde é sempre difícil libertar-se. Desta forma, os investigadores, estudiosos, e administradores que colocarem as lentes dadas por esta pesquisa, e através das quais observarem a paisagem, poderão dialogar, debater e criar avanços disciplinares significativos no sentido de compreender as formas do território, concentrando-se nos mecanismos de reconhecimento e acreditação dos elementos que contribuem para a definição da paisagem contemporânea. A utilidade da dissertação é modernizar e atualizar o paradigma em vez de forçar a realidade a uma evolução improvável de “regresso ao futuro”, para constituir uma base disciplinar, seja para elaborar cenários possíveis, seja para estruturar sistemas de avaliação de propostas de criação, seja para uma articulação normativa territorial de nova geração para áreas distintas.
Autores principais:Antoniadis, Stefanos
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:Língua italiana
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Premissa Em Arquitectura, o desenvolvimento, a confirmação ou a negação de alguns paradigmas culturais e teóricos deve ser antecedido pelo mesmo processo em relação ao mais básico e prioritário dos objetos em questão, ou seja, o veículo das mesmas conjeturas, o produto de estes três anos de formação de terceiro ciclo: a tese de doutoramento. Esta é precisamente uma pesquisa, uma investigação de carácter experimental, original e inédita, confrontada meticulosamente com capacidades e técnicas capazes de controlar o seu processo. Não constitui uma prática de deificação de verdade dogmática, não tem validade universal, não revela a soma absoluta do saber. Pelo contrário, quer gostemos quer não, a investigação, como atividade, é de natureza duplamente parcial: epistemológica e temporal. Por sua vez, derivado de visões anteriores e baseado em inúmeros estudos, é um segmento do saber com uma certa legitimidade, transmissível entre pensadores e operadores da comunidade científica. Ao mesmo tempo, não tem validade cronológica ilimitada e não constitui uma meta invejada, mas sim um ponto de partida para futuras pesquisas académicas, próprias e de outrem, para um avanço disciplinar contínuo. É também importante precisar que o objeto de estudo não é produto de um capricho, e a investigação que dele resulta não constitui um exercício ocioso. Persiste, no entanto, a convicção de que é necessário que sejamos comedidos, mantendo-nos o mais possível dentro do nosso campo disciplinar específico, agora cada vez mais adulterado por desvios e fascinações sócio-antropológicas, com as condições da contemporaneidade na esfera de um realismo saudável. Objeto da pesquisa O objeto desta pesquisa é, portanto, aquela paisagem moderna dos segmentos costeiros do sul da Europa feita de geografia e de objets trouves, formas e materiais comuns, arquiteturas ainda “não acreditadas”, resultantes de práticas não muito claras – traços de cidades informais litorais, produtos de auto-construção, ilegalidades, e ambiguidade normativa – que têm normalmente origem, necessidade, sentido e uso autónomos, relativamente a eventuais leituras formais e convencionais, mas que podem interessar bastante a quem se ocupa do território contemporâneo antrópico. Quer se queira quer não, estes manufatos, pela presença cénica por vezes tão imponente e violenta, outras vezes insignificante e camuflada, representam uma quota consistente da paisagem contemporânea e das ocasiões profissionais de nós arquitetos, cada vez mais forçados a manipular, com o olhar e com as nossas obras, a transformar e a corrigir este tipo de situações complexas, em vez de enriquecer os nossos territórios com nova edificação. Só os edifícios abusivos em Itália chegam aos 17%, enquanto que a percentagem aumenta entre os 30% e os 40% se considerarmos as construções que persistem ao longo da costa; a vizinha Grécia evidencia práticas semelhantes; se considerarmos também os edifícios autorizados do ponto de vista normativo, mas nunca ‘dirigidos’ a quem os observa, é óbvio que falamos pelo menos de metade daquilo que há anos temos constantemente debaixo dos olhos. Um fenómeno de quantidades e dimensões tais que é legítimo, por um lado, reconhecer que o atual sistema positivista normativo é, resumidamente, bastante ineficaz, e, por outro, falar de situações inadiáveis, e não de dissertação teorética gratuita. Talvez tenhamos realmente passado um ponto sem retorno. É possível conjeturar a demolição de quilómetros e quilómetros de construção ao longo da costa? Como reutilizar e armazenar os milhares de restos de metros cúbicos de materiais de construção civil não recicláveis? É economicamente sustentável? É dialeticamente correto? É culturalmente sincrónico? Cada empreendimento demiúrgico, adequado a reimplantar uma hipotética idade de ouro ou o sublimado “ponto zero” do estado natural das coisas, arrisca a parecer mais arrogante e insensato – mesmo que não seja considerado assim pelo senso comum – que uma humilde e realista tentativa de reconhecer certas formas que adornam o território honestamente rejeitado na consciência da autonomia disciplinar e dos limites – dentro dos quais a nossa investigação pode definir-se, de um certo modo, como científica – das nossas competências de estudiosos de arquitetura, que não se confundem com as nossas aspirações vagas de cidadãos e utentes sociais. Trata-se, na verdade, de abandonar por um momento os impulsos políticos e sociológicos e a prática da “reportagem da degradação” – muito em voga hoje – para se limitar, e não se trata de limites, pelo contrário, a investigar, na qualidade de arquiteto, a forma, e compreender até que ponto, objetos e linguagem, não considerados áulicos e sem acreditação, possam constituir, pelo contrário, materiais de construção de interesse. Exatamente como outros, não só no campo arquitetónico, têm repetidamente tentado, ao longo da história, uma cultura nova de partilha. O significado de acreditação A tese de doutoramento entende, portanto, propor uma leitura da paisagem contemporânea, olhando a dinâmica da acreditação como o principal instrumento de reavaliação de alguns objetos e segmentos costeiros da nossa área geográfico-cultural, a fim de enfrentar mais adequadamente a complexidade da gestão de território. A pesquisa explora, portanto, algumas técnicas compositivas para a acreditação, ou seja, contextualiza o objeto, ou o conjunto de objetos, em novos e variados possíveis sistemas de relações funcionais da construção da paisagem, do espaço coletivo, da forma e da contemporaneidade. A acreditação de um objeto está ligada a características intrínsecas e extrínsecas ao mesmo. Esta reside seguramente em atributos formais – forma, dimensões, escala, relação com a paisagem, materiais utilizados – mas sobretudo, amaldiçoando um estéril e perigoso elenco numérico das qualidades a registar, evitando a redução da arquitetura a sistemas meramente quantitativos, em características extrínsecas ao próprio objeto. Em primeiro lugar, a capacidade de criação – aliás, compositiva - que descreve o objeto a ser acreditado, a partir da operação de lançar um olhar sobre este, que é já projeto, transformando-o e tornando evidente com a produção de uma forma (seja ela uma fotografia, uma colagem, um desenho, um poema, uma composição musical) esta transformação. Uma transformação que consiste sobretudo na ativação de novas relações entre o objeto e outros elementos e layers do território, sejam estes materiais ou imateriais. Método e resultados esperados A acumulação de fragmentos da contemporaneidade sobre a forma de um ábaco de elementos de um vocabulário possível, a abstração das formas que adornam a nossa geografia, o confronto sistemático entre “objetos encontrados”, esquecimento de hoje, e casos do passado pelos quais existe uma clara e universal atribuição de qualidade, o desnivelamento de um diálogo organizado entre elementos de pontuação, geneticamente heterogéneos, de diversas frentes costeiras, pode constituir um exercício saudável de observação para poder superar o paradigma do pitoresco e da lente da retórica, principais limites da pesquisa de onde é sempre difícil libertar-se. Desta forma, os investigadores, estudiosos, e administradores que colocarem as lentes dadas por esta pesquisa, e através das quais observarem a paisagem, poderão dialogar, debater e criar avanços disciplinares significativos no sentido de compreender as formas do território, concentrando-se nos mecanismos de reconhecimento e acreditação dos elementos que contribuem para a definição da paisagem contemporânea. A utilidade da dissertação é modernizar e atualizar o paradigma em vez de forçar a realidade a uma evolução improvável de “regresso ao futuro”, para constituir uma base disciplinar, seja para elaborar cenários possíveis, seja para estruturar sistemas de avaliação de propostas de criação, seja para uma articulação normativa territorial de nova geração para áreas distintas.