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Práticas avaliativas da capacidade de argumentação matemática de alunos do ensino secundário:um estudo com professores de matemática A

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Resumo:Esta investigação teve por objetivo estudar, em contexto colaborativo, práticas avaliativas dos professores sobre a argumentação matemática de alunos do ensino secundário, procurando compreender os aspetos que contribuem para a elaboração de tarefas promotoras do desenvolvimento desta capacidade, as dificuldades com que o professor se debate durante o processo de avaliação reguladora, concretizado, em particular, através de escrita avaliativa ou feedback dado ao aluno e os processos de articulação usados pelo professor, entre a avaliação formativa e a sumativa.O quadro de referência teórico integra dois temas: argumentação e avaliação. Procurámos aprofundar e clarificar os conceitos de argumentação em matemática e demonstração, a partir da perspetiva de vários investigadores e clarificar o significado de duas modalidades de avaliação – formativa e sumativa –, procurando e discutindo o sentido de avaliação com intencionalidade reguladora das aprendizagens dos alunos, bem como a melhor forma de a operacionalizar.A investigação seguiu uma metodologia de natureza interpretativa, com design de estudo de caso. A recolha de dados foi realizada durante o ano letivo 2009/10, através de: (1) observação de reuniões e de aulas das duas participantes Laura e Rita, professoras de Matemática A do 11.º ano de escolaridade; (2) entrevistas às participantes e (3) recolha documental. Durante todo o trabalho de campo, a recolha de dados foi dominante em relação à sua análise, pelo que podemos considerar ter usado um modelo não exclusivamente interativo, mas também não sequencial.Laura e Rita percecionam a argumentação matemática como uma capacidade, a desenvolver ao longo do ano e envolvendo qualquer tópico matemático, configurando-se como a expressão de um raciocínio possível, uma tentativa de justificar enunciados, a partir do que se acredita como verdadeiro. Contudo, ao longo do estudo, registámos alguma evolução no significado deste constructo, por parte de ambas as participantes. O processo argumentativo privilegiado, por Laura e Rita, na seleção ou conceção das sete tarefas implementadas foi, essencialmente, a justificação, ainda que perspetivada com sentidos ligeiramente diferentes. Enquanto Rita valoriza, por excelência, a justificação, entendida como prova intelectual, Laura privilegia a justificação, percebida como a fundamentação de uma propriedade ou afirmação, a apresentação das causas ou da razão de ser. As suas práticas avaliativas, sobre a argumentação matemática dos alunos, caraterizam-se pela intencionalidade reguladora das aprendizagens, verificando-se que, por exemplo, no recurso ao feedback escrito existe um padrão semelhante para as duas participantes, o que poderá decorrer do facto de se ter iniciado, em contexto colaborativo e de forma sistemática, a análise das primeiras produções, para cada tarefa, e de, por vezes, ser objeto de discussão o registo mais adequado a elaborar. Laura revelou, frequentemente, preocupação em conseguir estabelecer uma estreita relação entre avaliação com intencionalidade reguladora e avaliação sumativa e em usar com fim formativo as tarefas solicitadas para fins sumativos. Rita, apesar de considerar que os dois tipos de avaliação têm natureza diferente, entende que se encontram articulados, sendo a avaliação sumativa subordinada à formativa, defendendo, ainda, que uma avaliação formativa de qualidade irá influenciar, decisivamente, a avaliação sumativa. Porém, a articulação entre os dois tipos de avaliação não é muito visível, nomeadamente no que diz respeito à argumentação matemática.
Autores principais:Monteiro, Maria do Rosário Contente, 1954-
Assunto:Didáctica da matemática Argumentação Avaliação em educação Teses de doutoramento - 2013
Ano:2013
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Esta investigação teve por objetivo estudar, em contexto colaborativo, práticas avaliativas dos professores sobre a argumentação matemática de alunos do ensino secundário, procurando compreender os aspetos que contribuem para a elaboração de tarefas promotoras do desenvolvimento desta capacidade, as dificuldades com que o professor se debate durante o processo de avaliação reguladora, concretizado, em particular, através de escrita avaliativa ou feedback dado ao aluno e os processos de articulação usados pelo professor, entre a avaliação formativa e a sumativa.O quadro de referência teórico integra dois temas: argumentação e avaliação. Procurámos aprofundar e clarificar os conceitos de argumentação em matemática e demonstração, a partir da perspetiva de vários investigadores e clarificar o significado de duas modalidades de avaliação – formativa e sumativa –, procurando e discutindo o sentido de avaliação com intencionalidade reguladora das aprendizagens dos alunos, bem como a melhor forma de a operacionalizar.A investigação seguiu uma metodologia de natureza interpretativa, com design de estudo de caso. A recolha de dados foi realizada durante o ano letivo 2009/10, através de: (1) observação de reuniões e de aulas das duas participantes Laura e Rita, professoras de Matemática A do 11.º ano de escolaridade; (2) entrevistas às participantes e (3) recolha documental. Durante todo o trabalho de campo, a recolha de dados foi dominante em relação à sua análise, pelo que podemos considerar ter usado um modelo não exclusivamente interativo, mas também não sequencial.Laura e Rita percecionam a argumentação matemática como uma capacidade, a desenvolver ao longo do ano e envolvendo qualquer tópico matemático, configurando-se como a expressão de um raciocínio possível, uma tentativa de justificar enunciados, a partir do que se acredita como verdadeiro. Contudo, ao longo do estudo, registámos alguma evolução no significado deste constructo, por parte de ambas as participantes. O processo argumentativo privilegiado, por Laura e Rita, na seleção ou conceção das sete tarefas implementadas foi, essencialmente, a justificação, ainda que perspetivada com sentidos ligeiramente diferentes. Enquanto Rita valoriza, por excelência, a justificação, entendida como prova intelectual, Laura privilegia a justificação, percebida como a fundamentação de uma propriedade ou afirmação, a apresentação das causas ou da razão de ser. As suas práticas avaliativas, sobre a argumentação matemática dos alunos, caraterizam-se pela intencionalidade reguladora das aprendizagens, verificando-se que, por exemplo, no recurso ao feedback escrito existe um padrão semelhante para as duas participantes, o que poderá decorrer do facto de se ter iniciado, em contexto colaborativo e de forma sistemática, a análise das primeiras produções, para cada tarefa, e de, por vezes, ser objeto de discussão o registo mais adequado a elaborar. Laura revelou, frequentemente, preocupação em conseguir estabelecer uma estreita relação entre avaliação com intencionalidade reguladora e avaliação sumativa e em usar com fim formativo as tarefas solicitadas para fins sumativos. Rita, apesar de considerar que os dois tipos de avaliação têm natureza diferente, entende que se encontram articulados, sendo a avaliação sumativa subordinada à formativa, defendendo, ainda, que uma avaliação formativa de qualidade irá influenciar, decisivamente, a avaliação sumativa. Porém, a articulação entre os dois tipos de avaliação não é muito visível, nomeadamente no que diz respeito à argumentação matemática.