Publicação
O risco de pré-eclâmpsia em gravidezes resultantes de doação de oócitos
| Resumo: | A pré-eclâmpsia é uma doença hipertensiva da gravidez, que complica cerca de 2-8% das gestações e constitui uma das principais causas de morbilidade e mortalidade materno-fetal. Ainda são amplamente desconhecidos os mecanismos que culminam no estado inflamatório, anti-angiogénico e de hipercoagulação que a caracterizam. Contudo, a literatura parece deixar bem estabelecida uma associação entre as gravidezes resultantes de doação de oócitos e um risco de desenvolver pré-eclâmpsia maior do que o existente em casos de concepção espontânea, ou com técnicas que recorram a oócitos autólogos. A teoria fisiopatológica mais aceite atualmente postula que a utilização de oócitos doados, por resultar num embrião que é totalmente alogénico à mãe e, consequentemente, com maior dissemelhança antigénica, induz alterações imunológicas sistémicas e placentárias semelhantes às que ocorrem na pré-eclâmpsia, provavelmente aumentando precocemente a susceptibilidade materna para que esta seja despoletada mais tarde na gravidez. Todavia, ainda não estão bem estabelecidas as características que determinam o desenvolvimento ou não de complicações nesta população obstétrica. À partida, revela-se difícil individualizar o papel do oócito doado perante a presença de outras variáveis, potencialmente de risco, intrínsecas a esta técnica, como a manipulação dos gâmetas em laboratório e o controlo hormonal exógeno do ambiente uterino. Também se argumenta que as características basais da população que lhe recorre, como a idade materna avançada, a maior frequência de comorbilidades, a existência de uma causa de infertilidade de base e o número elevado de gestações múltiplas possam traduzir-se neste incremento do risco. Sendo a doação de oócitos uma realidade crescente, destaca-se a importância de aperfeiçoar a investigação nesta área, para que melhor sejam esclarecidos os factores com impacto no risco de pré-eclâmpsia. Isto permitirá não só a definição e implementação de medidas redutoras de risco dirigidas às mulheres que recorrem a oócitos doados, mas também uma melhor compreensão da fisiopatologia da pré-eclâmpsia. |
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| Autores principais: | Sereno, Sara Sousa de Melo |
| Assunto: | Gravidez Pré-eclâmpsia Doação de oócitos Risco Resposta imunológica Obstetrícia Ginecologia |
| Ano: | 2019 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A pré-eclâmpsia é uma doença hipertensiva da gravidez, que complica cerca de 2-8% das gestações e constitui uma das principais causas de morbilidade e mortalidade materno-fetal. Ainda são amplamente desconhecidos os mecanismos que culminam no estado inflamatório, anti-angiogénico e de hipercoagulação que a caracterizam. Contudo, a literatura parece deixar bem estabelecida uma associação entre as gravidezes resultantes de doação de oócitos e um risco de desenvolver pré-eclâmpsia maior do que o existente em casos de concepção espontânea, ou com técnicas que recorram a oócitos autólogos. A teoria fisiopatológica mais aceite atualmente postula que a utilização de oócitos doados, por resultar num embrião que é totalmente alogénico à mãe e, consequentemente, com maior dissemelhança antigénica, induz alterações imunológicas sistémicas e placentárias semelhantes às que ocorrem na pré-eclâmpsia, provavelmente aumentando precocemente a susceptibilidade materna para que esta seja despoletada mais tarde na gravidez. Todavia, ainda não estão bem estabelecidas as características que determinam o desenvolvimento ou não de complicações nesta população obstétrica. À partida, revela-se difícil individualizar o papel do oócito doado perante a presença de outras variáveis, potencialmente de risco, intrínsecas a esta técnica, como a manipulação dos gâmetas em laboratório e o controlo hormonal exógeno do ambiente uterino. Também se argumenta que as características basais da população que lhe recorre, como a idade materna avançada, a maior frequência de comorbilidades, a existência de uma causa de infertilidade de base e o número elevado de gestações múltiplas possam traduzir-se neste incremento do risco. Sendo a doação de oócitos uma realidade crescente, destaca-se a importância de aperfeiçoar a investigação nesta área, para que melhor sejam esclarecidos os factores com impacto no risco de pré-eclâmpsia. Isto permitirá não só a definição e implementação de medidas redutoras de risco dirigidas às mulheres que recorrem a oócitos doados, mas também uma melhor compreensão da fisiopatologia da pré-eclâmpsia. |
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