Publicação
Evisceração e colocação de prótese intraescleral em cães : a propósito de 50 casos clínicos
| Resumo: | A evisceração com colocação de prótese intraescleral (PIS) constitui um procedimento cirúrgico alternativo à enucleação, que oferece um maior benefício cosmético. Esta cirurgia está reservada para olhos cegos e dolorosos, nos quais a túnica fibrosa (esclera e córnea) se encontra íntegra e livre de neoplasia ou infeção. O objetivo deste estudo transversal retrospetivo, foi identificar as principais etiologias que motivam este tipo de cirurgia e, ainda, possíveis complicações pós-operatórias. Foram incluídos neste estudo 50 olhos, de 39 cães, que foram apresentados a consulta de oftalmologia do Hospital Escolar da Faculdade de Medicina Veterinária de Lisboa, entre janeiro de 2012 e fevereiro de 2023. Os donos deram o seu consentimento informado por escrito, para a inclusão dos dados dos seus animais neste estudo. Apenas olhos cegos e dolorosos sem sinais de neoplasia ou infeção e com a túnica fibrosa intacta foram elegíveis para este procedimento. Os donos tiveram sempre a opção de optar por enucleação ao invés de realizar a evisceração. Considerando cada caso um olho, do total, 48,7% (19/50) realizaram cirurgia unilateral direita, 23,1% (9/50) unilateral esquerda e 28,2% (11/39) cirurgia bilateral, 5 em momentos diferentes. A idade média de apresentação foi de 8,14 ± 3,97 anos, variando entre 0,5 e 15,1 anos. Relativamente ao sexo, 38,5% (15/39) eram machos e 61,5% (24/39) eram fêmeas. Referentemente às raças, a maioria dos animais eram de raça indeterminada num total de 25,6% (10/39), 12,8% (5/39) eram Buldogues Franceses e 12,8% (5/39) eram Labradores Retriever. A etiologia mais frequente foi glaucoma crónico primário em 52% (26/50) dos olhos, seguida de várias formas de glaucoma crónico secundário: a catarata em 26% (13/50) dos olhos, luxação da lente em 12% (6/50) e a hifema em 4% (2/50) casos. Por fim, a uveíte crónica não controlável correspondeu a 6% (3/50) dos olhos. O diâmetro da PIS variou entre 16 e 24 mm, sendo o tamanho mais frequentemente utilizado 17mm (27,1%). A complicação mais frequente a curto prazo (até 7 dias) foi infeção conjuntival em 4% (2/50) dos casos. Complicações a médio prazo (7 dias a 1 mês) foram erosão ou úlcera corneana em 6% (3/50) dos casos, infeção conjuntival 4% (2/50) e queratoconjuntivite seca (KCS) em 4% (2/50) dos olhos. A longo prazo (1 a 6 meses), as complicações observadas foram KCS em 14,3% (7/49) dos olhos e erosão ou úlcera corneana em 4,1% (2/49) dos casos. Ocorreu apenas um caso de extrusão de PIS, possivelmente devido a rejeição. Neste estudo, a cirurgia de evisceração com colocação de prótese intraescleral foi bem-sucedida em 98% dos olhos e o grau de complicações pós-operatórias foi baixo, sendo uma alternativa possível a considerar em olhos cegos e dolorosos |
|---|---|
| Autores principais: | Conde, Francisco António de Oliveira |
| Assunto: | Cirurgia Prótese Glaucoma Complicações Queratoconjuntivite seca Surgery Prosthesis Glaucoma Complications Keratoconjunctivitis sicca |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A evisceração com colocação de prótese intraescleral (PIS) constitui um procedimento cirúrgico alternativo à enucleação, que oferece um maior benefício cosmético. Esta cirurgia está reservada para olhos cegos e dolorosos, nos quais a túnica fibrosa (esclera e córnea) se encontra íntegra e livre de neoplasia ou infeção. O objetivo deste estudo transversal retrospetivo, foi identificar as principais etiologias que motivam este tipo de cirurgia e, ainda, possíveis complicações pós-operatórias. Foram incluídos neste estudo 50 olhos, de 39 cães, que foram apresentados a consulta de oftalmologia do Hospital Escolar da Faculdade de Medicina Veterinária de Lisboa, entre janeiro de 2012 e fevereiro de 2023. Os donos deram o seu consentimento informado por escrito, para a inclusão dos dados dos seus animais neste estudo. Apenas olhos cegos e dolorosos sem sinais de neoplasia ou infeção e com a túnica fibrosa intacta foram elegíveis para este procedimento. Os donos tiveram sempre a opção de optar por enucleação ao invés de realizar a evisceração. Considerando cada caso um olho, do total, 48,7% (19/50) realizaram cirurgia unilateral direita, 23,1% (9/50) unilateral esquerda e 28,2% (11/39) cirurgia bilateral, 5 em momentos diferentes. A idade média de apresentação foi de 8,14 ± 3,97 anos, variando entre 0,5 e 15,1 anos. Relativamente ao sexo, 38,5% (15/39) eram machos e 61,5% (24/39) eram fêmeas. Referentemente às raças, a maioria dos animais eram de raça indeterminada num total de 25,6% (10/39), 12,8% (5/39) eram Buldogues Franceses e 12,8% (5/39) eram Labradores Retriever. A etiologia mais frequente foi glaucoma crónico primário em 52% (26/50) dos olhos, seguida de várias formas de glaucoma crónico secundário: a catarata em 26% (13/50) dos olhos, luxação da lente em 12% (6/50) e a hifema em 4% (2/50) casos. Por fim, a uveíte crónica não controlável correspondeu a 6% (3/50) dos olhos. O diâmetro da PIS variou entre 16 e 24 mm, sendo o tamanho mais frequentemente utilizado 17mm (27,1%). A complicação mais frequente a curto prazo (até 7 dias) foi infeção conjuntival em 4% (2/50) dos casos. Complicações a médio prazo (7 dias a 1 mês) foram erosão ou úlcera corneana em 6% (3/50) dos casos, infeção conjuntival 4% (2/50) e queratoconjuntivite seca (KCS) em 4% (2/50) dos olhos. A longo prazo (1 a 6 meses), as complicações observadas foram KCS em 14,3% (7/49) dos olhos e erosão ou úlcera corneana em 4,1% (2/49) dos casos. Ocorreu apenas um caso de extrusão de PIS, possivelmente devido a rejeição. Neste estudo, a cirurgia de evisceração com colocação de prótese intraescleral foi bem-sucedida em 98% dos olhos e o grau de complicações pós-operatórias foi baixo, sendo uma alternativa possível a considerar em olhos cegos e dolorosos |
|---|