Publicação
Análise das principias ameaças da gaivota-de-audouin (Larus audouinii) no sul de Portugal : estudo da população, de metais pesados, e de alterações patológicas
| Resumo: | A gaivota-de-audouin (Larus audouinii) é uma espécie endémica do Mediterrâneo e Saaara Ocidental, cuja maior colónia reprodutiva mundial se localiza na Ilha Deserta, no Algarve. Este estudo visou explorar as dinâmicas populacionais, causas de doença e níveis de metais contaminantes nesta população. Foi feita a recolha e caracterização dos dados de ingresso de 878 gaivotas-de-audouin no RIAS - Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens da Ria Formosa, entre Janeiro de 2010 e Dezembro de 2023, tendo sido efetuada necrópsia de 176 aves e análise histopatológica de 4 aves. Para a pesquisa e quantificação de metais, foi feita a recolha de amostras de rim, fígado e coração de 44 gaivotas-de-audouin e de 46 gaivotas-de-patas amarelas (Larus michahellis) do banco de amostras do RIAS, posteriormente analisadas por Espectrometria de Emissão Óptica por Plasma Acoplado Indutivamente. Os resultados obtidos revelaram que a evolução do número de ingressos no RIAS não acompanha o crescimento da colónia da Ilha Deserta, observando-se muito mais irregular, com fases de crescimento e de decréscimo, e que a morbilidade / mortalidade na colónia afeta sobretudo juvenis recolhidos na Estação de Tratamento de Águas Residuais de Faro / Olhão e arredores, manifestando-se por sinais de debilidade / desnutrição, com predominância de doença renal e articular compatíveis com quadros de gota. Observaram-se valores superiores de zinco e cobre nas gaivotas-de-audouin e valores superiores de cádmio, chumbo e ferro nas gaivotas-de-patas-amarelas, assim como evidências de bioacumulação de cobre, cádmio, ferro e zinco, nas gaivotas-de-audouin, e de cádmio nas gaivotas-de-patas-amarelas. Apenas a concentração de cádmio (e apenas na gaivota-de-audouin) apresentou variações significativas entre os diferentes anos de recolha. Finalmente, em ambas as espécies, o fígado apresentou maior concentração de zinco, ferro e manganês, enquanto o cobre e o cádmio (e o chumbo no caso da gaivota-de-patas amarelas) apresentaram maior afinidade para o rim. Na gaivota-de-audouin foi o coração o órgão que apresentou níveis mais elevados de chumbo. Os dados sugerem uma alteração do comportamento alimentar da gaivota-de-audouin após aplicação de uma nova política de moratórias e proibições sobre a pesca em 2019, justificando estudos futuros |
|---|---|
| Autores principais: | Almeida, João Silva |
| Assunto: | Gaivota-de-audouin Gaivota-de-patas-amarelas Ilha Deserta Metais Gota Audouin’s gull Yellow-legged gull Deserta Island Metals Gout |
| Ano: | 2025 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso embargado |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A gaivota-de-audouin (Larus audouinii) é uma espécie endémica do Mediterrâneo e Saaara Ocidental, cuja maior colónia reprodutiva mundial se localiza na Ilha Deserta, no Algarve. Este estudo visou explorar as dinâmicas populacionais, causas de doença e níveis de metais contaminantes nesta população. Foi feita a recolha e caracterização dos dados de ingresso de 878 gaivotas-de-audouin no RIAS - Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens da Ria Formosa, entre Janeiro de 2010 e Dezembro de 2023, tendo sido efetuada necrópsia de 176 aves e análise histopatológica de 4 aves. Para a pesquisa e quantificação de metais, foi feita a recolha de amostras de rim, fígado e coração de 44 gaivotas-de-audouin e de 46 gaivotas-de-patas amarelas (Larus michahellis) do banco de amostras do RIAS, posteriormente analisadas por Espectrometria de Emissão Óptica por Plasma Acoplado Indutivamente. Os resultados obtidos revelaram que a evolução do número de ingressos no RIAS não acompanha o crescimento da colónia da Ilha Deserta, observando-se muito mais irregular, com fases de crescimento e de decréscimo, e que a morbilidade / mortalidade na colónia afeta sobretudo juvenis recolhidos na Estação de Tratamento de Águas Residuais de Faro / Olhão e arredores, manifestando-se por sinais de debilidade / desnutrição, com predominância de doença renal e articular compatíveis com quadros de gota. Observaram-se valores superiores de zinco e cobre nas gaivotas-de-audouin e valores superiores de cádmio, chumbo e ferro nas gaivotas-de-patas-amarelas, assim como evidências de bioacumulação de cobre, cádmio, ferro e zinco, nas gaivotas-de-audouin, e de cádmio nas gaivotas-de-patas-amarelas. Apenas a concentração de cádmio (e apenas na gaivota-de-audouin) apresentou variações significativas entre os diferentes anos de recolha. Finalmente, em ambas as espécies, o fígado apresentou maior concentração de zinco, ferro e manganês, enquanto o cobre e o cádmio (e o chumbo no caso da gaivota-de-patas amarelas) apresentaram maior afinidade para o rim. Na gaivota-de-audouin foi o coração o órgão que apresentou níveis mais elevados de chumbo. Os dados sugerem uma alteração do comportamento alimentar da gaivota-de-audouin após aplicação de uma nova política de moratórias e proibições sobre a pesca em 2019, justificando estudos futuros |
|---|