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A perceção do cuidador informal sobre a hospitalização de familiares com cancro

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Resumo:Enquadramento: Os doentes oncológicos com necessidade de cuidados paliativos continuam a ser internados em serviços cirúrgicos, onde os enfermeiros estão preparados para cuidar do doente cirúrgico e não para atender as suas necessidades específicas e as da sua família. Consideramos a família numa perspetiva sistémica, experienciando uma série de dificuldades, necessidades e sentimentos face à doença incurável do seu familiar, tendo a mesma uma papel fundamental nos cuidados que lhe presta. Habitualmente, tende a subvalorizar as suas necessidades biológicas e psicossociais, que se traduzem num desgaste físico e psicológico associado ao cuidado do doente. Assim, emerge a necessidade de mudança, em que a família deve ser envolvida nos cuidados e também ser considerada como unidade recetora de cuidados, sendo, pois, pertinente que os enfermeiros foquem os seus cuidados no doente-família, de modo estruturado e orientado para a resolução de problemas do sistema familiar. Objetivos: Compreender a perceção dos cuidadores familiares sobre as intervenções do enfermeiro no cuidar do doente oncológico com necessidades de cuidados paliativos; descrever as perceções dos familiares relativamente ao apoio e à disponibilidade dos enfermeiros. Método: Estudo qualitativo, com recurso a uma entrevista semiestruturada, aplicada a 10 familiares de doentes oncológicos com necessidade de cuidados paliativos, internados num serviço cirúrgico. Os resultados da mesma foram analisados através da análise de conteúdo. Resultados: Os familiares entrevistados consideram que a dinâmica hospitalar é centrada no curar e que não foram cuidados pelos enfermeiros, não existindo, assim, interesse pelo seu processo experiencial e vivencial. Identificámos lacunas a vários níveis, desde os cuidados à boca, que não são prestados pela maioria dos enfermeiros, aos posicionamentos do doente, onde os familiares mostraram muitas dificuldades. Quase todos são unânimes em afirmar que os enfermeiros não se mostraram disponíveis para atender as suas dúvidas e necessidades psicossociais e informacionais, nem para os envolver nos cuidados, justificando que tal acontece por sobrecarga de trabalho, ou como estratégia deliberada, uma vez que a comunicação também foi ineficaz. No discurso dos familiares evidenciou-se a necessidade de apoio e de orientação que não tiveram por parte dos enfermeiros. Conclusão: A doença oncológica é uma doença do sistema familiar e a sua gestão afeta todos os membros, sobretudo os que coabitam e cuidam do doente. Identificámos fatores facilitadores e dificultadores percecionados pelos familiares aquando do internamento do seu familiar. Pensamos que os resultados deste estudo indicam ser necessária uma mudança na prática de enfermagem, quer em termos de relação de ajuda, quer no próprio cuidar em enfermagem, tendo sempre presente que a família também deve ser cuidada, e apontam para a necessidade de formação contínua em Cuidados Paliativos, de modo a dotar os enfermeiros com conhecimentos e capacidades para um cuidado holístico aos doentes e suas famílias.
Autores principais:Ferreira, Noélia dos Santos
Assunto:Cuidador informal Cancro Familiar cuidador Cuidados paliativos Necessidades paliativas Teses de mestrado - 2020
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Enquadramento: Os doentes oncológicos com necessidade de cuidados paliativos continuam a ser internados em serviços cirúrgicos, onde os enfermeiros estão preparados para cuidar do doente cirúrgico e não para atender as suas necessidades específicas e as da sua família. Consideramos a família numa perspetiva sistémica, experienciando uma série de dificuldades, necessidades e sentimentos face à doença incurável do seu familiar, tendo a mesma uma papel fundamental nos cuidados que lhe presta. Habitualmente, tende a subvalorizar as suas necessidades biológicas e psicossociais, que se traduzem num desgaste físico e psicológico associado ao cuidado do doente. Assim, emerge a necessidade de mudança, em que a família deve ser envolvida nos cuidados e também ser considerada como unidade recetora de cuidados, sendo, pois, pertinente que os enfermeiros foquem os seus cuidados no doente-família, de modo estruturado e orientado para a resolução de problemas do sistema familiar. Objetivos: Compreender a perceção dos cuidadores familiares sobre as intervenções do enfermeiro no cuidar do doente oncológico com necessidades de cuidados paliativos; descrever as perceções dos familiares relativamente ao apoio e à disponibilidade dos enfermeiros. Método: Estudo qualitativo, com recurso a uma entrevista semiestruturada, aplicada a 10 familiares de doentes oncológicos com necessidade de cuidados paliativos, internados num serviço cirúrgico. Os resultados da mesma foram analisados através da análise de conteúdo. Resultados: Os familiares entrevistados consideram que a dinâmica hospitalar é centrada no curar e que não foram cuidados pelos enfermeiros, não existindo, assim, interesse pelo seu processo experiencial e vivencial. Identificámos lacunas a vários níveis, desde os cuidados à boca, que não são prestados pela maioria dos enfermeiros, aos posicionamentos do doente, onde os familiares mostraram muitas dificuldades. Quase todos são unânimes em afirmar que os enfermeiros não se mostraram disponíveis para atender as suas dúvidas e necessidades psicossociais e informacionais, nem para os envolver nos cuidados, justificando que tal acontece por sobrecarga de trabalho, ou como estratégia deliberada, uma vez que a comunicação também foi ineficaz. No discurso dos familiares evidenciou-se a necessidade de apoio e de orientação que não tiveram por parte dos enfermeiros. Conclusão: A doença oncológica é uma doença do sistema familiar e a sua gestão afeta todos os membros, sobretudo os que coabitam e cuidam do doente. Identificámos fatores facilitadores e dificultadores percecionados pelos familiares aquando do internamento do seu familiar. Pensamos que os resultados deste estudo indicam ser necessária uma mudança na prática de enfermagem, quer em termos de relação de ajuda, quer no próprio cuidar em enfermagem, tendo sempre presente que a família também deve ser cuidada, e apontam para a necessidade de formação contínua em Cuidados Paliativos, de modo a dotar os enfermeiros com conhecimentos e capacidades para um cuidado holístico aos doentes e suas famílias.