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Obstetric admissions to intensive care unit : an 11-years retrospective study

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Resumo:Introdução: A mortalidade materna tem diminuído significativamente nas últimas décadas, sobretudo em países desenvolvidos. Grávidas e puérperas raramente requerem internamento em Unidade de Cuidados Intensivos (UCI). Atualmente há poucos estudos sobre a morbimortalidade em doença obstétrica crítica. O objetivo deste estudo foi avaliar as complicações obstétricas mais comuns a requerer internamento em UCI. Métodos: Trata-se de um estudo observacional de coorte retrospetivo de todas as grávidas e puérperas admitidas numa UCI de um hospital terciário universitário entre Janeiro de 2012 e Janeiro de 2023. Os dados foram colhidos a partir de processos eletrónicos. Resultados: Incluiu-se um total de 102 internamentos em UCI, correspondentes a 100 doentes. 89 (87.3%) eram puérperas e 13 (12.7%) grávidas. A média de idades foi de 33±6.6 anos. 38 (37.3%) doentes tiveram dois ou mais motivos de internamento e os mais frequentes foram doença hipertensiva da gravidez (49%), hemorragia pós-parto (45.1%) e infeção (18.6%). As complicações mais comuns foram lesão renal aguda (26.5%) e insuficiência respiratória (23.5%). Cerca de 55% dos internamentos precisaram de suporte de órgão tal como transfusão sanguínea (40.2%), ventilação mecânica invasiva (30.4%), fármacos inotrópicos e/ou vasopressores (15.7%), diálise (4.9%) ou ventilação não invasiva (4.9%). Entre as doentes com doença hipertensiva da gravidez, a necessidade de ventilação mecânica invasiva (B=10.09, t=3.92, p=0.017) e os valores de GGT (gama-glutamil transferase) à admissão (B=0.035, t=3.23, p=0.032) foram fatores preditores independentes do tempo de internamento. Não se observaram mortes maternas e houve 20 mortes fetais ou neonatais (20%). Conclusão: A doença hipertensiva da gravidez e a hemorragia pós-parto foram as principais causas de admissão em UCI. Observou-se uma elevada incidência de disfunção de órgão, principalmente com necessidade de ventilação mecânica invasiva, achado que é consistente com outros estudos.
Autores principais:Araújo, Cinara Rodrigues Seara de
Assunto:Complicações obstétricas Doença crítica Mortalidade materna
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:inglês
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Introdução: A mortalidade materna tem diminuído significativamente nas últimas décadas, sobretudo em países desenvolvidos. Grávidas e puérperas raramente requerem internamento em Unidade de Cuidados Intensivos (UCI). Atualmente há poucos estudos sobre a morbimortalidade em doença obstétrica crítica. O objetivo deste estudo foi avaliar as complicações obstétricas mais comuns a requerer internamento em UCI. Métodos: Trata-se de um estudo observacional de coorte retrospetivo de todas as grávidas e puérperas admitidas numa UCI de um hospital terciário universitário entre Janeiro de 2012 e Janeiro de 2023. Os dados foram colhidos a partir de processos eletrónicos. Resultados: Incluiu-se um total de 102 internamentos em UCI, correspondentes a 100 doentes. 89 (87.3%) eram puérperas e 13 (12.7%) grávidas. A média de idades foi de 33±6.6 anos. 38 (37.3%) doentes tiveram dois ou mais motivos de internamento e os mais frequentes foram doença hipertensiva da gravidez (49%), hemorragia pós-parto (45.1%) e infeção (18.6%). As complicações mais comuns foram lesão renal aguda (26.5%) e insuficiência respiratória (23.5%). Cerca de 55% dos internamentos precisaram de suporte de órgão tal como transfusão sanguínea (40.2%), ventilação mecânica invasiva (30.4%), fármacos inotrópicos e/ou vasopressores (15.7%), diálise (4.9%) ou ventilação não invasiva (4.9%). Entre as doentes com doença hipertensiva da gravidez, a necessidade de ventilação mecânica invasiva (B=10.09, t=3.92, p=0.017) e os valores de GGT (gama-glutamil transferase) à admissão (B=0.035, t=3.23, p=0.032) foram fatores preditores independentes do tempo de internamento. Não se observaram mortes maternas e houve 20 mortes fetais ou neonatais (20%). Conclusão: A doença hipertensiva da gravidez e a hemorragia pós-parto foram as principais causas de admissão em UCI. Observou-se uma elevada incidência de disfunção de órgão, principalmente com necessidade de ventilação mecânica invasiva, achado que é consistente com outros estudos.