Publicação

Educação especial e modernização escolar:estudo histórico-pedagógico da educação de surdos-mudos e de cegos

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:No decurso da sua história, a educação especial tem sido uma temática ciclicamente reaberta, seja pela renovação das tecnologias, da evolução dos métodos e das manifestações e expectativas de sociabilidade, seja ainda pela melhoria geral da pedagogia. Foi esse o núcleo central da minha tese que configuro no triângulo: 1) materialidade/ tecnologias / instituição; 2) comunicação/ linguagem; 3) pedagogias e sociabilidades. Nesta investigação, fiz uso de um complexo metódico descritivo, interpretativo, conceptualizante. Após a sistematização das principais linhas de caracterização e evolução da educação de surdos-mudos e de cegos, congregando aspectos tão diversos como representações, métodos, instituições e formas de acolhimento, pedagogias e pedagogos, resumi a história dessa educação em Portugal, no período de Oitocentos. Caracterizei duas fases da pedagogia especial institucionalizada, tais como foram idealizadas e postas em prática por Pedro Aron Borg e José Cândido Branco Rodrigues. A educação especial tem constituído um desafio às pedagogias de ontem e de hoje, e evoluiu da separação para a diferenciação positiva, conciliando inclusão e especialização. Decorrendo no quadro histórico da cultura escrita e no contexto da mecanização da produção, da secundarização da economia e da urbanização das formas e hábitos de vida, houve três ciclos na genealogia (emergência, implementação, inovação) da pedagogia especial para cegos e surdos-mudos. São ciclos recorrentes formados por um método, uma técnica, uma sociabilidade, cujos enunciado e morfologia assumiram, em cada época, uma configuração específica. A análise-reconstituição histórico-pedagógica do primeiro ciclo permite concluir que, no século XVIII e no quadro das Luzes, correlativamente à caracterização e à aceitação da educabilidade dos surdos-mudos e dos cegos, foram criados e divulgados métodos de ensino centrados na palavra. Os métodos alfabetizadores de Jacob Pereira, do Abade Deschamps e do Abade de l‟Épée foram divulgados e prosseguidos em diferentes locais. A combinação da educação intelectual com a evolução técnica tornou possível a mecanização de algumas tarefas oficinais e a habilitação dos cegos para certas tarefas de produção e distribuição – assim o trabalho tipográfico e a distribuição-venda de impressos (folhetos, livros, editais). Idêntica evolução sucedeu com os surdos-mudos, que passaram a assegurar certos trabalhos de rotina, enquadrados em circuitos mecânicos de produção. As primeiras décadas do século XIX ficaram assinaladas pela implantação de institutos de surdos-mudos e cegos, em regime de internato. Eram internatos-oficina que praticavam uma pedagogia de conciliação entre a educação intelectual e a formação artística e laboral, nos quais os formados poderiam continuar a residir e a prestar serviço, como profissionais. Em Portugal, essa educação em internatos-oficina ficou assinalada pela acção de Pedro Aron Borg, vindo a ser prosseguida na Casa Pia até ao terceiro quartel do século XIX. A educação destes públicos beneficiou de novos progressos na transição do século XIX e primeiras décadas do século XX, em que aos avanços da ciência médica e da psicometria vieram associar-se a pedagogia intuitiva e os princípios da escola activa. Particularmente inovadora e perfeitamente integrada no quadro europeu de época foi a pedagogia participativa e de sociabilidade, criada e instituída por José Cândido Branco Rodrigues no Instituto de Cegos do Estoril.
Autores principais:Alves, Maria do Céu Garcia dos Reis Loureiro, 1958-
Assunto:Teses de doutoramento - 2013
Ano:2013
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:No decurso da sua história, a educação especial tem sido uma temática ciclicamente reaberta, seja pela renovação das tecnologias, da evolução dos métodos e das manifestações e expectativas de sociabilidade, seja ainda pela melhoria geral da pedagogia. Foi esse o núcleo central da minha tese que configuro no triângulo: 1) materialidade/ tecnologias / instituição; 2) comunicação/ linguagem; 3) pedagogias e sociabilidades. Nesta investigação, fiz uso de um complexo metódico descritivo, interpretativo, conceptualizante. Após a sistematização das principais linhas de caracterização e evolução da educação de surdos-mudos e de cegos, congregando aspectos tão diversos como representações, métodos, instituições e formas de acolhimento, pedagogias e pedagogos, resumi a história dessa educação em Portugal, no período de Oitocentos. Caracterizei duas fases da pedagogia especial institucionalizada, tais como foram idealizadas e postas em prática por Pedro Aron Borg e José Cândido Branco Rodrigues. A educação especial tem constituído um desafio às pedagogias de ontem e de hoje, e evoluiu da separação para a diferenciação positiva, conciliando inclusão e especialização. Decorrendo no quadro histórico da cultura escrita e no contexto da mecanização da produção, da secundarização da economia e da urbanização das formas e hábitos de vida, houve três ciclos na genealogia (emergência, implementação, inovação) da pedagogia especial para cegos e surdos-mudos. São ciclos recorrentes formados por um método, uma técnica, uma sociabilidade, cujos enunciado e morfologia assumiram, em cada época, uma configuração específica. A análise-reconstituição histórico-pedagógica do primeiro ciclo permite concluir que, no século XVIII e no quadro das Luzes, correlativamente à caracterização e à aceitação da educabilidade dos surdos-mudos e dos cegos, foram criados e divulgados métodos de ensino centrados na palavra. Os métodos alfabetizadores de Jacob Pereira, do Abade Deschamps e do Abade de l‟Épée foram divulgados e prosseguidos em diferentes locais. A combinação da educação intelectual com a evolução técnica tornou possível a mecanização de algumas tarefas oficinais e a habilitação dos cegos para certas tarefas de produção e distribuição – assim o trabalho tipográfico e a distribuição-venda de impressos (folhetos, livros, editais). Idêntica evolução sucedeu com os surdos-mudos, que passaram a assegurar certos trabalhos de rotina, enquadrados em circuitos mecânicos de produção. As primeiras décadas do século XIX ficaram assinaladas pela implantação de institutos de surdos-mudos e cegos, em regime de internato. Eram internatos-oficina que praticavam uma pedagogia de conciliação entre a educação intelectual e a formação artística e laboral, nos quais os formados poderiam continuar a residir e a prestar serviço, como profissionais. Em Portugal, essa educação em internatos-oficina ficou assinalada pela acção de Pedro Aron Borg, vindo a ser prosseguida na Casa Pia até ao terceiro quartel do século XIX. A educação destes públicos beneficiou de novos progressos na transição do século XIX e primeiras décadas do século XX, em que aos avanços da ciência médica e da psicometria vieram associar-se a pedagogia intuitiva e os princípios da escola activa. Particularmente inovadora e perfeitamente integrada no quadro europeu de época foi a pedagogia participativa e de sociabilidade, criada e instituída por José Cândido Branco Rodrigues no Instituto de Cegos do Estoril.