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A relação pedagógica na formação inicial de professores : estudo exploratório

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Resumo:O professor como profissional de educação desempenha, actualmente, uma dupla função: didáctica - de estruturação e gestão de conteúdos e pedagógico-relacional - de gestão interactiva dos acontecimentos na aula. Para o desempenho adequado desta última função, que não é menos importante do que a primeira, o professor precisa de uma sólida formação que, a julgar pela literatura, nem sempre lhe é proporcionada pela formação inicial. Este trabalho exploratório apoia-se, assim, num contexto teórico que abarca a "problemática" da relação pedagógica na sala de aula e da formação inicial de professores. O nosso objectivo é inferir dificuldades de um grupo de professores em início de carreira, no âmbito da relação pedagógica e verificar se, em sua opinião, a formação relacional lhes foi facultada no período da formação inicial, na Universidade da Madeira. Para tal, efectuámos entrevistas mistas, constituídas por uma parte semi-estruturada e uma parte mais'estruturada, para a recolha de incidentes críticos, a 16 professores do 3° Ciclo do Ensino Básico, exercendo nas três escolas secundárias da cidade do Funchal, profissionalizados e com o máximo de 4 anos de serviço. Dos resultados obtidos através das duas técnicas, que se complementam, identificámos dificuldades, carências e facilidades dos professores. Dos incidentes sugerem-se dificuldades decorrentes de insuficiências na formação, percebidas pelos professores como preocupações centradas na sua actuação pedagógico-relacional, em termos de atitudes e comportamentos na sala de aula. Das entrevistas, além destas dificuldades emergem preocupações relacionais mais vastas (não só a nível relacional professor-aluno), mas também na relação professor-encarregado de educação e mesmo dificuldades institucionais. A partir dos resultados obtidos, foi possível inferir lacunas de formação de professores em início de carreira, no âmbito da relação pedagógica, cujas conclusões apontam para duas grandes áreas de dificuldades: sobretudo ao nível da normatividade na aula, e em especial no âmbito da prevenção da indisciplina, bem como na falta de ligação teoria-prática, onde a observação, a análise e a reflexão sobre as situações parecem ainda embrionárias. A opinião dos professores sobre a formação e as sugestões que eles dão para a sua mudança indiciam que a formação inicial não foi suficiente na área relacional.
Autores principais:Andrade, Maria Fátima da Silva, 1955-
Assunto:Processos e estruturas educativas Professores - Formação Relações professor-aluno Teses de mestrado - 1999
Ano:1999
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O professor como profissional de educação desempenha, actualmente, uma dupla função: didáctica - de estruturação e gestão de conteúdos e pedagógico-relacional - de gestão interactiva dos acontecimentos na aula. Para o desempenho adequado desta última função, que não é menos importante do que a primeira, o professor precisa de uma sólida formação que, a julgar pela literatura, nem sempre lhe é proporcionada pela formação inicial. Este trabalho exploratório apoia-se, assim, num contexto teórico que abarca a "problemática" da relação pedagógica na sala de aula e da formação inicial de professores. O nosso objectivo é inferir dificuldades de um grupo de professores em início de carreira, no âmbito da relação pedagógica e verificar se, em sua opinião, a formação relacional lhes foi facultada no período da formação inicial, na Universidade da Madeira. Para tal, efectuámos entrevistas mistas, constituídas por uma parte semi-estruturada e uma parte mais'estruturada, para a recolha de incidentes críticos, a 16 professores do 3° Ciclo do Ensino Básico, exercendo nas três escolas secundárias da cidade do Funchal, profissionalizados e com o máximo de 4 anos de serviço. Dos resultados obtidos através das duas técnicas, que se complementam, identificámos dificuldades, carências e facilidades dos professores. Dos incidentes sugerem-se dificuldades decorrentes de insuficiências na formação, percebidas pelos professores como preocupações centradas na sua actuação pedagógico-relacional, em termos de atitudes e comportamentos na sala de aula. Das entrevistas, além destas dificuldades emergem preocupações relacionais mais vastas (não só a nível relacional professor-aluno), mas também na relação professor-encarregado de educação e mesmo dificuldades institucionais. A partir dos resultados obtidos, foi possível inferir lacunas de formação de professores em início de carreira, no âmbito da relação pedagógica, cujas conclusões apontam para duas grandes áreas de dificuldades: sobretudo ao nível da normatividade na aula, e em especial no âmbito da prevenção da indisciplina, bem como na falta de ligação teoria-prática, onde a observação, a análise e a reflexão sobre as situações parecem ainda embrionárias. A opinião dos professores sobre a formação e as sugestões que eles dão para a sua mudança indiciam que a formação inicial não foi suficiente na área relacional.