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As preocupações de carreira e os valores : estudo com candidatos ao curso de promoção a comissário e ao curso de promoção a chefe de esquadra

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Resumo:As mudanças sociais, tecnológicas e organizacionais vieram introduzir grandes alterações no mundo do trabalho mesmo em instituições seculares como o Exército e a Polícia. Para sobreviver, as organizações têm de se adaptar rapidamente e só o conseguem se o seu pessoal estiver preparado e organizado para cumprir os objectivos organizacionais. Com a crescente mudança deste final do século, as organizações têm que promover o desenvolvimento do seu pessoal de modo a que seja suficientemente flexível para enfrentar novos desafios e desenvolver novas tarefas; as organizações têm que compreender que as pessoas diferem nas suas aspirações, nos seus valores, isto é, que existem diferenças entre os indivíduos, e que grandes movimentos sociais, económicos e políticos podem afectar o que hoje é valorizado e amanhã não. A noção de carreira implica portanto, que se estabeleça uma dupla relação entre a pessoa e a organização, o que se vai tornando uma necessidade a partir dos anos 90 (Herriot, 1992, pp. 3-5). Ao longo da vida, as pessoas atravessam fases e experiênciam mudanças nas suas emoções, necessidades, aspirações, valores, competências, motivações e outras características psicológicas importantes. Pode ver-se o ciclo de vida de uma pessoa através de uma série de fases caracterizados pela mudança dos padrões nas tarefas de desenvolvimento, preocupações de carreira, actividades, valores e necessidades que emergem ao longo da idade e em vários níveis etários (Super, 1990, pp. 206- 208). Até à vida adulta, as fases de desenvolvimento estão relativamente bem definidas quer pela idade quer pelas transições impostas pelo sistema educativo; depois, as mudanças são difíceis de delinear embora, em termos gerais, o casamento e ter filhos sejam as passagens institucionalizadas, e experienciadas por muitos antes da reforma. Algumas pessoas tendem a regular o seu ciclo de vida pelo ciclo da família e dos filhos e as próprias fases da carreira são um factor que pode afectar o comportamento social e as atitudes, não estando, consequentemente, rigidamente ligados a limites de idade. Diversas são as teorias e os modelos que conceptualizam o desenvolvimento da carreira. Umas estão mais centradas na pessoa, outras mais nos comportamentos organizacionais, e outras ainda procuram descrever a carreira na dupla perspectiva das pessoas, suas características e experiências de trabalho, e das organizações, políticas de pessoal, expectativas face à escolha do pessoal mais ajustado, as suas necessidades globais de funcionamento. O presente trabalho nasce da necessidade que se sentiu em aprofundar os conhecimentos no campo do desenvolvimento da carreira, para continuar a nossa intervenção, quer no Centro de Psicologia Aplicada do Exército, quer na Polícia de Segurança Pública. A concepção teórica deste estudo centra-se na teoria do desenvolvimento da carreira de Donald Super, quer porque ela abrange todo o ciclo de vida, quer porque foi objecto de estudo em inúmeros trabalhos empíricos desenvolvidos por uma vasta equipa em vários países, incluindo Portugal. Este trabalho tem, assim, por objectivo principal o estudo das preocupações de carreira e dos valores numa amostra de adultos, profissionais de Polícia, candidatos aos Cursos de Promoção a Comissário e Chefe de Esquadra num total de 106 sujeitos com uma idade média de 37 anos, e com percursos de carreira semelhantes, e por isso ser um grupo cujas características organizacionais podem, em termos globais, permitir efectuar alguns estudos comparativos com amostras de militares do Quadro Permanente.(...)
Autores principais:Costa, António Roy de Miranda Bruto da, 1946-
Assunto:Teses de mestrado - 1997 Psicologia aplicada Carreira organizacional Desenvolvimento da carreira Maturidade vocacional Escala WIS Instrumentos de avaliação psicológica
Ano:1997
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:As mudanças sociais, tecnológicas e organizacionais vieram introduzir grandes alterações no mundo do trabalho mesmo em instituições seculares como o Exército e a Polícia. Para sobreviver, as organizações têm de se adaptar rapidamente e só o conseguem se o seu pessoal estiver preparado e organizado para cumprir os objectivos organizacionais. Com a crescente mudança deste final do século, as organizações têm que promover o desenvolvimento do seu pessoal de modo a que seja suficientemente flexível para enfrentar novos desafios e desenvolver novas tarefas; as organizações têm que compreender que as pessoas diferem nas suas aspirações, nos seus valores, isto é, que existem diferenças entre os indivíduos, e que grandes movimentos sociais, económicos e políticos podem afectar o que hoje é valorizado e amanhã não. A noção de carreira implica portanto, que se estabeleça uma dupla relação entre a pessoa e a organização, o que se vai tornando uma necessidade a partir dos anos 90 (Herriot, 1992, pp. 3-5). Ao longo da vida, as pessoas atravessam fases e experiênciam mudanças nas suas emoções, necessidades, aspirações, valores, competências, motivações e outras características psicológicas importantes. Pode ver-se o ciclo de vida de uma pessoa através de uma série de fases caracterizados pela mudança dos padrões nas tarefas de desenvolvimento, preocupações de carreira, actividades, valores e necessidades que emergem ao longo da idade e em vários níveis etários (Super, 1990, pp. 206- 208). Até à vida adulta, as fases de desenvolvimento estão relativamente bem definidas quer pela idade quer pelas transições impostas pelo sistema educativo; depois, as mudanças são difíceis de delinear embora, em termos gerais, o casamento e ter filhos sejam as passagens institucionalizadas, e experienciadas por muitos antes da reforma. Algumas pessoas tendem a regular o seu ciclo de vida pelo ciclo da família e dos filhos e as próprias fases da carreira são um factor que pode afectar o comportamento social e as atitudes, não estando, consequentemente, rigidamente ligados a limites de idade. Diversas são as teorias e os modelos que conceptualizam o desenvolvimento da carreira. Umas estão mais centradas na pessoa, outras mais nos comportamentos organizacionais, e outras ainda procuram descrever a carreira na dupla perspectiva das pessoas, suas características e experiências de trabalho, e das organizações, políticas de pessoal, expectativas face à escolha do pessoal mais ajustado, as suas necessidades globais de funcionamento. O presente trabalho nasce da necessidade que se sentiu em aprofundar os conhecimentos no campo do desenvolvimento da carreira, para continuar a nossa intervenção, quer no Centro de Psicologia Aplicada do Exército, quer na Polícia de Segurança Pública. A concepção teórica deste estudo centra-se na teoria do desenvolvimento da carreira de Donald Super, quer porque ela abrange todo o ciclo de vida, quer porque foi objecto de estudo em inúmeros trabalhos empíricos desenvolvidos por uma vasta equipa em vários países, incluindo Portugal. Este trabalho tem, assim, por objectivo principal o estudo das preocupações de carreira e dos valores numa amostra de adultos, profissionais de Polícia, candidatos aos Cursos de Promoção a Comissário e Chefe de Esquadra num total de 106 sujeitos com uma idade média de 37 anos, e com percursos de carreira semelhantes, e por isso ser um grupo cujas características organizacionais podem, em termos globais, permitir efectuar alguns estudos comparativos com amostras de militares do Quadro Permanente.(...)