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Factores de mudança nas representações da vinculação em crianças de famílias de alto-risco

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Esta investigação tem como objectivo principal identificar os factores de mudança das representações da vinculação durante a infância em crianças de famílias de alto-risco. Constituíram-se 2 grupos em função do estatuto de vitimização por mau trato, negligência ou abuso sexual: 127 crianças sinalizadas aos serviços de protecção (Comissões de Protecção de Crianças e Jovens) e 121 crianças sobre as quais não haviam suspeitas de vitimização, integradas em equipamentos educativos (ensino pré-escolar ou actividades de tempos livres). O delineamento da investigação foi longitudinal e prospectivo e as avaliações das representações da vinculação foram realizadas com um intervalo de 3 anos: a primeira na idade pré-escolar e a segunda na idade escolar (54 crianças do grupo de risco e 57 crianças do grupo sem suspeitas de vitimização). Determinou-se o impacto do apoio social percebido pela criança, do estilo de vinculação do cuidador principal, das percepções de apoio pelo adulto - relativamente à mãe e ao(à) companheiro(a), da depressão, dos acontecimentos de vida negativos e das experiências de cuidado e abuso, na infância e adolescência do cuidador principal, sobre a descontinuidade das representações da vinculação da criança. Os resultados permitem concluir que: 1) as representações segura e desorganizada são mais estáveis que as representações desactivada/evitante e hiperactivada/ambivalente; 2) a estabilidade da desorganização ocorre principalmente no grupo de risco e, 3) a descontinuidade das representações verifica-se sobretudo no sentido da segurança. Relativamente ao cuidador identificou-se a associação dos seguintes factores às descontinuidades das representações da criança no sentido da insegurança: 1) o estilo de vinculação inseguro; 2) a depressão, 3) o conflito percebido no contexto da relação conjugal, 4) as baixas percepções de apoio prestado pela mãe e pelo companheiro, 5) a reduzida percepção de profundidade na relação conjugal e, 6) a menor referência a acontecimentos de vida negativos. Não se observou influência das experiências de abuso ocorrido na infância do cuidador sobre aquelas representações.
Autores principais:Benavente, Renata
Assunto:Vinculação Crianças em risco Teses de doutoramento - 2011
Ano:2010
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Esta investigação tem como objectivo principal identificar os factores de mudança das representações da vinculação durante a infância em crianças de famílias de alto-risco. Constituíram-se 2 grupos em função do estatuto de vitimização por mau trato, negligência ou abuso sexual: 127 crianças sinalizadas aos serviços de protecção (Comissões de Protecção de Crianças e Jovens) e 121 crianças sobre as quais não haviam suspeitas de vitimização, integradas em equipamentos educativos (ensino pré-escolar ou actividades de tempos livres). O delineamento da investigação foi longitudinal e prospectivo e as avaliações das representações da vinculação foram realizadas com um intervalo de 3 anos: a primeira na idade pré-escolar e a segunda na idade escolar (54 crianças do grupo de risco e 57 crianças do grupo sem suspeitas de vitimização). Determinou-se o impacto do apoio social percebido pela criança, do estilo de vinculação do cuidador principal, das percepções de apoio pelo adulto - relativamente à mãe e ao(à) companheiro(a), da depressão, dos acontecimentos de vida negativos e das experiências de cuidado e abuso, na infância e adolescência do cuidador principal, sobre a descontinuidade das representações da vinculação da criança. Os resultados permitem concluir que: 1) as representações segura e desorganizada são mais estáveis que as representações desactivada/evitante e hiperactivada/ambivalente; 2) a estabilidade da desorganização ocorre principalmente no grupo de risco e, 3) a descontinuidade das representações verifica-se sobretudo no sentido da segurança. Relativamente ao cuidador identificou-se a associação dos seguintes factores às descontinuidades das representações da criança no sentido da insegurança: 1) o estilo de vinculação inseguro; 2) a depressão, 3) o conflito percebido no contexto da relação conjugal, 4) as baixas percepções de apoio prestado pela mãe e pelo companheiro, 5) a reduzida percepção de profundidade na relação conjugal e, 6) a menor referência a acontecimentos de vida negativos. Não se observou influência das experiências de abuso ocorrido na infância do cuidador sobre aquelas representações.