Publicação
Identificação de padrões alimentares na dieta de doentes com degenerescência macular relacionada com a idade
| Resumo: | A degenerescência macular da idade (DMI) é a principal causa de cegueira irreversível entre as pessoas com idade igual ou superior a 55 anos nos países desenvolvidos (Shaw et al., 2016; Lim et al., 2012). Atualmente, os tratamentos de DMI têm um custo elevado e restringem-se apenas ao retardamento da progressão da forma neovascular da doença. Vários estudos sugeriram que alguns aspetos da dieta podem influenciar o risco de desenvolvimento e/ou progressão da doença, no entanto, os resultados obtidos foram maioritariamente baseados em análises do consumo individual de nutrientes e alimentos ou grupos de alimentos (Age-Related Eye Disease Study Research Group et al., 2008; Tan et al., 2009; Chong et al., 2009). A avaliação de padrões dietétios tem surgido, na área da epidemiologia nutricional, como uma ferramenta mais informativa e preditiva do risco da doença, uma vez que permite estudar a dieta como um todo (Hu, 2002). Apenas dois artigos reportaram a avaliação de associações entre padrões alimentares e o risco de DMI (Chiu et al., 2014; Islam et al., 2014), contudo, ainda nenhum estudo foi realizado para a população portuguesa. Este projeto pretendeu, deste modo, identificar os principais padrões alimentares de uma subpopulação com idade superior a 55 anos da Lousã, uma região rural do interior de Portugal, e analisar a respetiva associação com o risco de DMI. Para tal, foram analisados os dados demográficos, de história médica geral e oftalmológica referentes a uma amostra de 1000 participantes da Unidade de Saúde Familiar da Lousã, com uma proporção de 1:1 de sujeitos com e sem DMI, disponíveis na base de dados construída no estudo transversal Coimbra Eye Study e também os dados obtidos pela realização de um questionário semi-quantitativo de frequência alimentar, previamente validado para a população portuguesa. Inicialmente, para a determinação dos principais padrões alimentares da população em estudo, foi utilizada a metodologia de análise em componentes principais (ACP), e confirmados os respectivos resultados com análise classificatória (AC). Seguidamente, procedeu-se à construção de modelos de regressão logística binária, onde a variável resposta consistiu na presença/ausência de DMI. As variáveis explicativas consideradas foram os padrões alimentares retidos com ACP e outros factores de risco potenciais da doença, como a idade, sexo, escolaridade, índice de massa corporal (IMC), perímetro abdominal, hábitos tabágicos, atividade física, consumo energético total e alcoólico, diabetes, hipertensão e dislipidémia. Uma vez que este projeto teve como foco analisar especificamente os efeitos dos padrões alimentares com a doença, procurou-se diminuir o confundimento residual através do desenvolvimento e aplicação de um método que permitiu simultaneamente a seleção das variáveis de confundimento e da forma funcional das covariáveis contínuas. Neste estudo foram identificados três padrões alimentares: um padrão que refletiu uma dieta tradicional, típica da região interior portuguesa, um padrão saudável e um padrão menos saudável, que se distinguiu dos anteriores pelo elevado consumo de alimentos de fácil preparação ou petiscos. Foram encontradas associações entre o padrão tradicional e o padrão saudável e o risco de DMI, porém apenas ao nível de significância de _ = 0:1. O padrão tradicional revelou estar associado positivamente com o risco de DMI, enquanto que o padrão saudável revelou ter um papel protetor no desenvolvimento da doença. O padrão menos saudável não demonstrou qualquer associação significativa com o risco de DMI. Os resultados aqui obtidos suportam, assim, o papel importante da dieta no desenvolvimento de DMI, à semelhança do ocorrido nos outros dois estudos realizados para outras populações. Tal poderá providenciar uma melhor compreensão da relação entre a doença e as práticas alimentares na população estudada e poderá fornecer informação adicional para um maior apoio à educação, aconselhamento e intervenção nutricional. Neste estudo, concluiu-se que uma dieta rica em iogurte, peixe, fruta, hortícolas, salada e sopa é mais aconselhável para prevenção da doença quando comparada a uma dieta abundante em carnes vermelhas, bacalhau, acompanhamentos (arroz, massa, batatas cozidas ou assadas), pão branco ou integral, tostas e broa, azeite, bebidas alcoólicas e café. |
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| Autores principais: | Fernandes, Ana Raquel Duque Gonçalves |
| Assunto: | Degenerescência macular da idade Padrões alimentares Análise em componentes principais Modelos de regressão logística binária Confundimento residual Teses de mestrado - 2017 |
| Ano: | 2017 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A degenerescência macular da idade (DMI) é a principal causa de cegueira irreversível entre as pessoas com idade igual ou superior a 55 anos nos países desenvolvidos (Shaw et al., 2016; Lim et al., 2012). Atualmente, os tratamentos de DMI têm um custo elevado e restringem-se apenas ao retardamento da progressão da forma neovascular da doença. Vários estudos sugeriram que alguns aspetos da dieta podem influenciar o risco de desenvolvimento e/ou progressão da doença, no entanto, os resultados obtidos foram maioritariamente baseados em análises do consumo individual de nutrientes e alimentos ou grupos de alimentos (Age-Related Eye Disease Study Research Group et al., 2008; Tan et al., 2009; Chong et al., 2009). A avaliação de padrões dietétios tem surgido, na área da epidemiologia nutricional, como uma ferramenta mais informativa e preditiva do risco da doença, uma vez que permite estudar a dieta como um todo (Hu, 2002). Apenas dois artigos reportaram a avaliação de associações entre padrões alimentares e o risco de DMI (Chiu et al., 2014; Islam et al., 2014), contudo, ainda nenhum estudo foi realizado para a população portuguesa. Este projeto pretendeu, deste modo, identificar os principais padrões alimentares de uma subpopulação com idade superior a 55 anos da Lousã, uma região rural do interior de Portugal, e analisar a respetiva associação com o risco de DMI. Para tal, foram analisados os dados demográficos, de história médica geral e oftalmológica referentes a uma amostra de 1000 participantes da Unidade de Saúde Familiar da Lousã, com uma proporção de 1:1 de sujeitos com e sem DMI, disponíveis na base de dados construída no estudo transversal Coimbra Eye Study e também os dados obtidos pela realização de um questionário semi-quantitativo de frequência alimentar, previamente validado para a população portuguesa. Inicialmente, para a determinação dos principais padrões alimentares da população em estudo, foi utilizada a metodologia de análise em componentes principais (ACP), e confirmados os respectivos resultados com análise classificatória (AC). Seguidamente, procedeu-se à construção de modelos de regressão logística binária, onde a variável resposta consistiu na presença/ausência de DMI. As variáveis explicativas consideradas foram os padrões alimentares retidos com ACP e outros factores de risco potenciais da doença, como a idade, sexo, escolaridade, índice de massa corporal (IMC), perímetro abdominal, hábitos tabágicos, atividade física, consumo energético total e alcoólico, diabetes, hipertensão e dislipidémia. Uma vez que este projeto teve como foco analisar especificamente os efeitos dos padrões alimentares com a doença, procurou-se diminuir o confundimento residual através do desenvolvimento e aplicação de um método que permitiu simultaneamente a seleção das variáveis de confundimento e da forma funcional das covariáveis contínuas. Neste estudo foram identificados três padrões alimentares: um padrão que refletiu uma dieta tradicional, típica da região interior portuguesa, um padrão saudável e um padrão menos saudável, que se distinguiu dos anteriores pelo elevado consumo de alimentos de fácil preparação ou petiscos. Foram encontradas associações entre o padrão tradicional e o padrão saudável e o risco de DMI, porém apenas ao nível de significância de _ = 0:1. O padrão tradicional revelou estar associado positivamente com o risco de DMI, enquanto que o padrão saudável revelou ter um papel protetor no desenvolvimento da doença. O padrão menos saudável não demonstrou qualquer associação significativa com o risco de DMI. Os resultados aqui obtidos suportam, assim, o papel importante da dieta no desenvolvimento de DMI, à semelhança do ocorrido nos outros dois estudos realizados para outras populações. Tal poderá providenciar uma melhor compreensão da relação entre a doença e as práticas alimentares na população estudada e poderá fornecer informação adicional para um maior apoio à educação, aconselhamento e intervenção nutricional. Neste estudo, concluiu-se que uma dieta rica em iogurte, peixe, fruta, hortícolas, salada e sopa é mais aconselhável para prevenção da doença quando comparada a uma dieta abundante em carnes vermelhas, bacalhau, acompanhamentos (arroz, massa, batatas cozidas ou assadas), pão branco ou integral, tostas e broa, azeite, bebidas alcoólicas e café. |
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