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Problemas de interpretação

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Resumo:Esta dissertação levanta objecções a certas caracterizações da interpretação e da linguagem através da discussão de alguns casos relevantes, com o fim de argumentar a favor de uma certa noção de linguagem e de demonstrar a natureza falível da interpretação. Assumindo a premissa holista de Donald Davidson, segundo a qual uma criatura com linguagem tem necessariamente todo o restante aparato conceptual, a falibilidade da interpretação implica que ter linguagem e ser racional, além de serem capacidades interdependentes, são traços cuja existência é apenas possível num ambiente social. Por outro lado, argumento que o que Davidson chama 'princípio da caridade' é o mesmo princípio que subjaz à presunção da autoridade da primeira pessoa. Uma vez que este princípio é universal e intrínseco, sem o qual a interpretação não é possível, é a presunção da infalibilidade da interpretação, a par de um ambiente social, que permite o reconhecimento do erro. Por isso, ter linguagem e ser racional portanto, ser comunicador e intérprete poderá ser descrito como a capacidade socialmente dependente de reconhecer auto-insuficiências.
Autores principais:Pereira, Carlos Alberto Cabral de Melo Alves
Assunto:Donald, Davidson, 1917-2003 Filosofia da linguagem Cognição e linguagem
Ano:2009
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Esta dissertação levanta objecções a certas caracterizações da interpretação e da linguagem através da discussão de alguns casos relevantes, com o fim de argumentar a favor de uma certa noção de linguagem e de demonstrar a natureza falível da interpretação. Assumindo a premissa holista de Donald Davidson, segundo a qual uma criatura com linguagem tem necessariamente todo o restante aparato conceptual, a falibilidade da interpretação implica que ter linguagem e ser racional, além de serem capacidades interdependentes, são traços cuja existência é apenas possível num ambiente social. Por outro lado, argumento que o que Davidson chama 'princípio da caridade' é o mesmo princípio que subjaz à presunção da autoridade da primeira pessoa. Uma vez que este princípio é universal e intrínseco, sem o qual a interpretação não é possível, é a presunção da infalibilidade da interpretação, a par de um ambiente social, que permite o reconhecimento do erro. Por isso, ter linguagem e ser racional portanto, ser comunicador e intérprete poderá ser descrito como a capacidade socialmente dependente de reconhecer auto-insuficiências.