Publicação
Filosofia e literatura: o sentido e a medida de uma relação possível em Maurice Blanchot e Paul Ricoeur
| Resumo: | O presente estudo pretende avaliar o sentido e a medida da relação possível entre filosofia e literatura em e a partir de dois pensadores de referência da contemporaneidade, Maurice Blanchot e Paul Ricoeur. Partindo-se do pressuposto de que ambas representam o esforço humano de tocar e configurar um fundo essencial que parece escapar a uma captação imediata – ainda que genericamente se considere que a filosofia o faz através do discurso conceptual/crítico e a literatura através do discurso metafórico/poético –, o problema central a que procuramos responder é o de saber se, nessa tentativa, as referidas actividades poderão ou deverão aproximar-se, especialmente a primeira em relação à segunda. Tal problema dissemina-se inevitavelmente num conjunto de questões que nos propomos pensar a partir dos referidos autores: pode a literatura, na sua especificidade, abrir novas possibilidades de expressão ou mediação de um ser ou de um neutro que nos antecede e, assim, assumir-se como locus privilegiado de (convocação da) reflexão filosófica? Será filosoficamente desejável, ou até inevitável, uma aproximação à literatura? Ou, mais radicalmente, será sustentável a defesa de uma delimitação clara entre filosofia e literatura? Nesse sentido, o trabalho divide-se em três momentos: no primeiro, clarificamos as concepções da linguagem, do texto escrito e da relação autor-obra-leitor de que os autores partem; no segundo, procuramos pensar como é que o texto poético abre novas possibilidades de expressão ou mediação em virtude do seu mundo e instrumentos próprios; por último, avaliaremos mais concretamente o sentido e a medida que a relação filosofia-literatura adquire nas duas propostas. Embora partilhando alguns pressupostos, as perspectivas dos nossos autores manifestarão diferentes preocupações ou pulsões – uma a que chamaremos retrospectiva e outra prospectiva – que nos conduzirão a respostas distintas. |
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| Autores principais: | Carvalho, Maria Helena Costa de |
| Assunto: | Blanchot, Maurice, 1907-2003 - Crítica e interpretação Ricoeur, Paul, 1913-2005 - Crítica e interpretação Filosofia e literatura Teses de mestrado - 2013 |
| Ano: | 2013 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O presente estudo pretende avaliar o sentido e a medida da relação possível entre filosofia e literatura em e a partir de dois pensadores de referência da contemporaneidade, Maurice Blanchot e Paul Ricoeur. Partindo-se do pressuposto de que ambas representam o esforço humano de tocar e configurar um fundo essencial que parece escapar a uma captação imediata – ainda que genericamente se considere que a filosofia o faz através do discurso conceptual/crítico e a literatura através do discurso metafórico/poético –, o problema central a que procuramos responder é o de saber se, nessa tentativa, as referidas actividades poderão ou deverão aproximar-se, especialmente a primeira em relação à segunda. Tal problema dissemina-se inevitavelmente num conjunto de questões que nos propomos pensar a partir dos referidos autores: pode a literatura, na sua especificidade, abrir novas possibilidades de expressão ou mediação de um ser ou de um neutro que nos antecede e, assim, assumir-se como locus privilegiado de (convocação da) reflexão filosófica? Será filosoficamente desejável, ou até inevitável, uma aproximação à literatura? Ou, mais radicalmente, será sustentável a defesa de uma delimitação clara entre filosofia e literatura? Nesse sentido, o trabalho divide-se em três momentos: no primeiro, clarificamos as concepções da linguagem, do texto escrito e da relação autor-obra-leitor de que os autores partem; no segundo, procuramos pensar como é que o texto poético abre novas possibilidades de expressão ou mediação em virtude do seu mundo e instrumentos próprios; por último, avaliaremos mais concretamente o sentido e a medida que a relação filosofia-literatura adquire nas duas propostas. Embora partilhando alguns pressupostos, as perspectivas dos nossos autores manifestarão diferentes preocupações ou pulsões – uma a que chamaremos retrospectiva e outra prospectiva – que nos conduzirão a respostas distintas. |
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