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Prevalência e caracterização genética do Vírus da Imunodeficiência Humana em indivíduos atendidos no Hospital de Gumura em Bissau

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Resumo:O Vírus da Imunodeficiência Humana é caracterizado por uma enorme capacidade de recombinação genética com implicações para o diagnóstico, desenvolvimento de fármacos e produção de vacinas. O crescente número de variantes virais em circulação no mundo coloca questões sobre eventuais efeitos biológicos, nomeadamente diferentes taxas de transmissibilidade, virulência ou progressão para a doença. O presente estudo pretendeu determinar a prevalência da infecção VIH-1 e VIH-2 e da coinfecção com membros do complexo Mycobacterium tuberculosis num grupo de indivíduos atendidos no Hospital de Cumura na Guiné-Bissau. Pretendeu também, amplificar por Nested PCR fragmentos virais correspondentes à região V3-V5 de env e ao gene nef de VIH-1 para proceder à classificação dos vírus por inferência filogenética e análise bootscanning utilizando diferentes ferramentas informáticas. Foi também realizada uma análise das sequências aminoacídicas de ambas as regiões com o intuito de observar o grau de conservação ou disrupção dos domínios estruturais e funcionais de VIH-1. Assim, foi detectada uma prevalência de 15,8% para o VIH-1 e de 4,2% para o VIH-2 no grupo estudado, o que está em acordo com o declínio da infecção VIH-2 descrita no país. Não foram detectados subtipos puros e a maioria dos vírus foram classificados como formas genéticas A/G. Foram também identificadas formas complexas A/G com envolvimento de outros subtipos virais, tais como o B, C, J e H, indicando maior diversidade genética relativamente ao que foi descrito na Guiné- Bissau. A análise da região V3-V5 e da proteína Nef revelou uma conservação dos motivos funcionais, reflectindo a sua importância ao longo da infecção. Foram observados alguns polimorfismos “naturais” que podem estar associados a formas virais não-B, tais como, subtipo G e CRF01_AE e CRF02_AG. Estudos adicionais in vitro, juntamente com informação clínica dos indivíduos infectados, podem determinar se as diferenças entre CRF/subtipos virais terão repercussões na progressão da infecção.
Autores principais:Sena, Filipa Vaz, 1986-
Assunto:Biologia molecular HIV Variabilidade genética Epidemiologia molecular Guiné-Bissau Teses de mestrado - 2010
Ano:2010
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O Vírus da Imunodeficiência Humana é caracterizado por uma enorme capacidade de recombinação genética com implicações para o diagnóstico, desenvolvimento de fármacos e produção de vacinas. O crescente número de variantes virais em circulação no mundo coloca questões sobre eventuais efeitos biológicos, nomeadamente diferentes taxas de transmissibilidade, virulência ou progressão para a doença. O presente estudo pretendeu determinar a prevalência da infecção VIH-1 e VIH-2 e da coinfecção com membros do complexo Mycobacterium tuberculosis num grupo de indivíduos atendidos no Hospital de Cumura na Guiné-Bissau. Pretendeu também, amplificar por Nested PCR fragmentos virais correspondentes à região V3-V5 de env e ao gene nef de VIH-1 para proceder à classificação dos vírus por inferência filogenética e análise bootscanning utilizando diferentes ferramentas informáticas. Foi também realizada uma análise das sequências aminoacídicas de ambas as regiões com o intuito de observar o grau de conservação ou disrupção dos domínios estruturais e funcionais de VIH-1. Assim, foi detectada uma prevalência de 15,8% para o VIH-1 e de 4,2% para o VIH-2 no grupo estudado, o que está em acordo com o declínio da infecção VIH-2 descrita no país. Não foram detectados subtipos puros e a maioria dos vírus foram classificados como formas genéticas A/G. Foram também identificadas formas complexas A/G com envolvimento de outros subtipos virais, tais como o B, C, J e H, indicando maior diversidade genética relativamente ao que foi descrito na Guiné- Bissau. A análise da região V3-V5 e da proteína Nef revelou uma conservação dos motivos funcionais, reflectindo a sua importância ao longo da infecção. Foram observados alguns polimorfismos “naturais” que podem estar associados a formas virais não-B, tais como, subtipo G e CRF01_AE e CRF02_AG. Estudos adicionais in vitro, juntamente com informação clínica dos indivíduos infectados, podem determinar se as diferenças entre CRF/subtipos virais terão repercussões na progressão da infecção.