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Role of central autonomic network nuclei on the generation of sympathetic tonus in essential hypertension : an exploratory study in conscious rats

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Resumo:Um dos principais contributos para o aparecimento, desenvolvimento e manutenção da hipertensão arterial é a existência e persistência de uma atividade simpática elevada. Dados de modelos experimentais de hipertensão e doentes hipertensos tornaram evidente que a simpatoexcitação excessiva, característica da hipertensão, é deletéria resultando em danos nos órgãos periféricos e aumento da morbilidade e mortalidade. Assim, a identificação da origem desta simpatoexcitação é crucial por forma a serem desenvolvidas novas intervenções terapêuticas. No entanto, até ao momento, os mecanismos exatos responsáveis pela ativação simpática na hipertensão arterial permanecem por elucidar, devido à sua complexidade e origem multifatorial. A face rostroventrolateral do bulbo (FRVLB) é uma área bulbar simpatoexcitatória pertencente à rede autonómica central, que desempenha um papel importante na fisiopatologia da hipertensão arterial. Em termos fisiológicos, a FRVLB tem um papel fundamental na geração do tónus simpático periférico. Os seus neurónios projetam-se monosinapticamente para os neurónios simpáticos pré-ganglionares do núcleo de células da coluna intermediolateral da medula espinhal, condicionando o tónus simpático periférico para o coração e vasos. O núcleo parabraquial lateral (NPL) e a substância cinzenta periaqueductal (SCP) são outras áreas da rede autonómica central que podem estar envolvidas na geração da atividade simpática. O NPL tem um papel crítico na transmissão central de sinais do tronco cerebral relacionados com a regulação de fluidos e ingestão de eletrólitos e com a função cardiovascular, em particular aqueles que regulam a pressão arterial em resposta à hemorragia e à hipovolémia. As colunas da SCP são capazes de modular as funções cardíacas simpáticas através de uma variedade de vias indiretas que envolvem neurónios pré-motores simpáticos encontrados em locais específicos do hipotálamo, mesencéfalo, protuberância e bulbo raquidiano. No presente trabalho, de natureza exploratória, procurámos estabelecer as consequências funcionais no tónus simpático e pressão arterial decorrentes da diminuição da excitabilidade da FRVLB e NPL e SCP em duas situações, em normotensão e em hipertensão, respetivamente. Para tal, e em cada área central de estudo, os valores da pressão arterial, output autonómico, função baro- e quimiorreceptora foram monitorizados e os parâmetros metabólicos e comportamentais avaliados antes e depois da microinjeção do lentivírus com informação genética que codifica os canais hKir2.1. Os resultados mostraram que a microinjeção de LVV-hKir2.1 na FRVLB de ratos normotensos provocou uma descida significativa do tónus simpático, embora esta não se tenha refletido na pressão arterial sistólica, diastólica e média. Adicionalmente, não se observaram efeitos sobre os reflexos cardiorrespiratórios, parâmetros metabólicos e atividade locomotora/exploratória. Aos 60 dias após a microinjeção lentiviral no NPL de ratos hipertensos, o tónus simpático diminuiu significativamente refletindo-se nos valores de pressão arterial e frequência cardíaca. Verificou-se também uma tendência para a diminuição da variação do reflexo quimiorreceptor; no entanto, não houve neste caso significância estatística. Além disso, o silenciamento da SCP em ratos hipertensos não teve repercussões na pressão arterial, frequência cardíaca e tónus simpático, mas o ganho do barorreflexo diminuiu. O núcleo Kolliker-Fuse, localizado na protuberância e responsável pelo controlo pôntico da respiração foi utilizado como núcleo controlo para as duas últimas áreas. Assim, com este trabalho mostramos a suposta contribuição das áreas do mesencéfalo e da rede autonómica central pôntica para a etiologia da hipertensão de causa neurogénica e fornecemos pistas para possíveis futuras intervenções terapêuticas no controlo da simpatoexcitação a nível central.
Autores principais:Silva, Catarina Raquel Nunes da, 1991-
Assunto:Face rostroventrolateral do bulbo Núcleo parabraquial lateral Substância cinzenta periaqueductal Hipertensão Reflexo barorreceptor Quimiorreflexo Vector lentiviral Teses de mestrado - 2015
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:inglês
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Um dos principais contributos para o aparecimento, desenvolvimento e manutenção da hipertensão arterial é a existência e persistência de uma atividade simpática elevada. Dados de modelos experimentais de hipertensão e doentes hipertensos tornaram evidente que a simpatoexcitação excessiva, característica da hipertensão, é deletéria resultando em danos nos órgãos periféricos e aumento da morbilidade e mortalidade. Assim, a identificação da origem desta simpatoexcitação é crucial por forma a serem desenvolvidas novas intervenções terapêuticas. No entanto, até ao momento, os mecanismos exatos responsáveis pela ativação simpática na hipertensão arterial permanecem por elucidar, devido à sua complexidade e origem multifatorial. A face rostroventrolateral do bulbo (FRVLB) é uma área bulbar simpatoexcitatória pertencente à rede autonómica central, que desempenha um papel importante na fisiopatologia da hipertensão arterial. Em termos fisiológicos, a FRVLB tem um papel fundamental na geração do tónus simpático periférico. Os seus neurónios projetam-se monosinapticamente para os neurónios simpáticos pré-ganglionares do núcleo de células da coluna intermediolateral da medula espinhal, condicionando o tónus simpático periférico para o coração e vasos. O núcleo parabraquial lateral (NPL) e a substância cinzenta periaqueductal (SCP) são outras áreas da rede autonómica central que podem estar envolvidas na geração da atividade simpática. O NPL tem um papel crítico na transmissão central de sinais do tronco cerebral relacionados com a regulação de fluidos e ingestão de eletrólitos e com a função cardiovascular, em particular aqueles que regulam a pressão arterial em resposta à hemorragia e à hipovolémia. As colunas da SCP são capazes de modular as funções cardíacas simpáticas através de uma variedade de vias indiretas que envolvem neurónios pré-motores simpáticos encontrados em locais específicos do hipotálamo, mesencéfalo, protuberância e bulbo raquidiano. No presente trabalho, de natureza exploratória, procurámos estabelecer as consequências funcionais no tónus simpático e pressão arterial decorrentes da diminuição da excitabilidade da FRVLB e NPL e SCP em duas situações, em normotensão e em hipertensão, respetivamente. Para tal, e em cada área central de estudo, os valores da pressão arterial, output autonómico, função baro- e quimiorreceptora foram monitorizados e os parâmetros metabólicos e comportamentais avaliados antes e depois da microinjeção do lentivírus com informação genética que codifica os canais hKir2.1. Os resultados mostraram que a microinjeção de LVV-hKir2.1 na FRVLB de ratos normotensos provocou uma descida significativa do tónus simpático, embora esta não se tenha refletido na pressão arterial sistólica, diastólica e média. Adicionalmente, não se observaram efeitos sobre os reflexos cardiorrespiratórios, parâmetros metabólicos e atividade locomotora/exploratória. Aos 60 dias após a microinjeção lentiviral no NPL de ratos hipertensos, o tónus simpático diminuiu significativamente refletindo-se nos valores de pressão arterial e frequência cardíaca. Verificou-se também uma tendência para a diminuição da variação do reflexo quimiorreceptor; no entanto, não houve neste caso significância estatística. Além disso, o silenciamento da SCP em ratos hipertensos não teve repercussões na pressão arterial, frequência cardíaca e tónus simpático, mas o ganho do barorreflexo diminuiu. O núcleo Kolliker-Fuse, localizado na protuberância e responsável pelo controlo pôntico da respiração foi utilizado como núcleo controlo para as duas últimas áreas. Assim, com este trabalho mostramos a suposta contribuição das áreas do mesencéfalo e da rede autonómica central pôntica para a etiologia da hipertensão de causa neurogénica e fornecemos pistas para possíveis futuras intervenções terapêuticas no controlo da simpatoexcitação a nível central.