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O risco e a sua percepção : factores e razões

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Resumo:O paradigma da relação existente entre o risco e a sua perceção tem levantado algumas questões pertinentes que apontam para factos e razões merecedoras de um estudo apro-fundado, nomeadamente o fenómeno relativo à lacuna que existe entre a perceção do risco e a realidade. Trata-se de um caso que acontece quando a perceção de um indivíduo sobre um determinado risco diverge da própria realidade. Isto significa que esta ocorrência terá repercussões, diretas ou indiretas, na evolução dos agentes que integram uma sociedade e na noção que estes têm sobre a realidade vigente. Na atualidade, e segundo a literatura mais recente sobre este fenómeno, a lacuna deriva de alguns fatores psicológicos que afetam a perceção do risco, mais concretamente, do medo irracional que é monitorizado pela amígdala, ao nível cerebral, e que acontece quando os indivíduos se expõem a situações de risco. Contudo, a literatura existente não esclarece com precisão a origem da lacuna associada à perceção do risco. Esta acontece porque o medo que justifica tal fenómeno é uma consequência do risco e não a verdadeira causa, o que leva a um impacto desmesurado na sociedade e nos respetivos agentes, por parte das suas perceções quanto ao risco. Neste sentido, e de modo a perceber as causas do fenómeno referido, procedi ao estudo empírico do problema recorrendo a uma extensa experiência e utilizando como caso de estudo a evasão fiscal. Esta experiência consistiu numa simulação empírica com pessoas acerca da entrega da declaração de rendimentos dos participantes e funcionou num con-texto de jogo onde foi reproduzida a realidade, com os participantes a maximizar o valor da sua riqueza. A simulação empírica com pessoas foi, posteriormente, complementada com um mo-delo no qual foi utilizado um sistema baseado em multi-agentes, de modo a compreender toda a dinâmica subjacente entre a conceção mental do risco, a perceção deste risco e a realidade existente na sociedade artificial constituída para o devido efeito. Os resultados obtidos quer da simulação empírica com pessoas, quer da simulação artificial, sustentam a tese de que a origem da lacuna face à realidade está na construção que os indivíduos fazem do risco e não na sua perceção. A tese apresentada defende, ao contrário do que é referido na literatura, que a proble-mática não acontece na perceção do risco, mas sim no momento em que o próprio risco é concebido mentalmente. Ou seja, um risco mal concebido, a priori, naturalmente irá gerar uma perceção divergente da realidade com repercussões indubitáveis na sociedade porque a assimilação do perigo real não foi a mais eficaz e correta, atendendo às condicionantes paradoxais do funcionamento natural da “interface” dos indivíduos. Assim sendo, esta tese responde a questões filosóficas sobre a existência em simultâneo de uma dualidade de realidades: a representação mental subjetiva e percecionada pelo indivíduo e a realidade objetiva existente no seu meio envolvente.
Autores principais:Magessi, Nuno Gonçalo Trindade
Assunto:Risco - Sociologia Risco - Antropologia Percepção do risco Evasão fiscal - Estudos de caso Teses de doutoramento - 2018
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O paradigma da relação existente entre o risco e a sua perceção tem levantado algumas questões pertinentes que apontam para factos e razões merecedoras de um estudo apro-fundado, nomeadamente o fenómeno relativo à lacuna que existe entre a perceção do risco e a realidade. Trata-se de um caso que acontece quando a perceção de um indivíduo sobre um determinado risco diverge da própria realidade. Isto significa que esta ocorrência terá repercussões, diretas ou indiretas, na evolução dos agentes que integram uma sociedade e na noção que estes têm sobre a realidade vigente. Na atualidade, e segundo a literatura mais recente sobre este fenómeno, a lacuna deriva de alguns fatores psicológicos que afetam a perceção do risco, mais concretamente, do medo irracional que é monitorizado pela amígdala, ao nível cerebral, e que acontece quando os indivíduos se expõem a situações de risco. Contudo, a literatura existente não esclarece com precisão a origem da lacuna associada à perceção do risco. Esta acontece porque o medo que justifica tal fenómeno é uma consequência do risco e não a verdadeira causa, o que leva a um impacto desmesurado na sociedade e nos respetivos agentes, por parte das suas perceções quanto ao risco. Neste sentido, e de modo a perceber as causas do fenómeno referido, procedi ao estudo empírico do problema recorrendo a uma extensa experiência e utilizando como caso de estudo a evasão fiscal. Esta experiência consistiu numa simulação empírica com pessoas acerca da entrega da declaração de rendimentos dos participantes e funcionou num con-texto de jogo onde foi reproduzida a realidade, com os participantes a maximizar o valor da sua riqueza. A simulação empírica com pessoas foi, posteriormente, complementada com um mo-delo no qual foi utilizado um sistema baseado em multi-agentes, de modo a compreender toda a dinâmica subjacente entre a conceção mental do risco, a perceção deste risco e a realidade existente na sociedade artificial constituída para o devido efeito. Os resultados obtidos quer da simulação empírica com pessoas, quer da simulação artificial, sustentam a tese de que a origem da lacuna face à realidade está na construção que os indivíduos fazem do risco e não na sua perceção. A tese apresentada defende, ao contrário do que é referido na literatura, que a proble-mática não acontece na perceção do risco, mas sim no momento em que o próprio risco é concebido mentalmente. Ou seja, um risco mal concebido, a priori, naturalmente irá gerar uma perceção divergente da realidade com repercussões indubitáveis na sociedade porque a assimilação do perigo real não foi a mais eficaz e correta, atendendo às condicionantes paradoxais do funcionamento natural da “interface” dos indivíduos. Assim sendo, esta tese responde a questões filosóficas sobre a existência em simultâneo de uma dualidade de realidades: a representação mental subjetiva e percecionada pelo indivíduo e a realidade objetiva existente no seu meio envolvente.