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A componente socializadora do currículo escolar oitocentista

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A consolidação do sistema estatal de ensino criado por Pombal e, em particular, a generalização do modelo escolar a sectores da população até aí não abrangidos por ele – tarefa que o liberalismo português procurou concretizar – reforçaram o papel da escola como lugar privilegiado para a socialização das crianças e jovens nos valores, regras e comportamentos considerados legítimos. Se é verdade que instrução e educação sempre estiveram associadas, é nossa opinião que a formalização do currículo escolar público tornou mais explícita a finalidade integradora de que ele é investido. Os espaços curriculares (e os instrumentos a eles associados) visando, ao nível da escola primária, a formação (ou conformação?) do cidadão – essa figura idealizada pelas recém-instauradas sociedades liberais – vão-se suceder, numa curiosa dialéctica continuidade-ruptura: moral e religião cristã, civilidade, direitos e deveres do cidadão e, finalmente, educação cívica (e moral), entre outras formulações. Pretendemos, neste texto, analisar a forma como se concretiza, ao nível do ensino primário, a componente socializadora do currículo, quais as suas finalidades e conteúdos, quais as permanências e inovações que se fazem sentir e qual o seu significado no quadro da sociedade liberal portuguesa. Utilizaremos, para o efeito, a legislação produzida, designadamente as reformas de ensino e respectivos planos de estudo e, ainda, os manuais escolares publicados – catecismos, compêndios de civilidade, entre outros.
Autores principais:Pintassilgo, Joaquim
Assunto:Currículo Ensino primário Liberalismo
Ano:2002
País:Portugal
Tipo de documento:documento de conferência
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A consolidação do sistema estatal de ensino criado por Pombal e, em particular, a generalização do modelo escolar a sectores da população até aí não abrangidos por ele – tarefa que o liberalismo português procurou concretizar – reforçaram o papel da escola como lugar privilegiado para a socialização das crianças e jovens nos valores, regras e comportamentos considerados legítimos. Se é verdade que instrução e educação sempre estiveram associadas, é nossa opinião que a formalização do currículo escolar público tornou mais explícita a finalidade integradora de que ele é investido. Os espaços curriculares (e os instrumentos a eles associados) visando, ao nível da escola primária, a formação (ou conformação?) do cidadão – essa figura idealizada pelas recém-instauradas sociedades liberais – vão-se suceder, numa curiosa dialéctica continuidade-ruptura: moral e religião cristã, civilidade, direitos e deveres do cidadão e, finalmente, educação cívica (e moral), entre outras formulações. Pretendemos, neste texto, analisar a forma como se concretiza, ao nível do ensino primário, a componente socializadora do currículo, quais as suas finalidades e conteúdos, quais as permanências e inovações que se fazem sentir e qual o seu significado no quadro da sociedade liberal portuguesa. Utilizaremos, para o efeito, a legislação produzida, designadamente as reformas de ensino e respectivos planos de estudo e, ainda, os manuais escolares publicados – catecismos, compêndios de civilidade, entre outros.